PSTU Nova Friburgo-RJ

Na última segunda-feira, dia 02/08, um vídeo da pregação da líder evangélica Kakau Cordeiro repercutiu nas redes sociais por seu conteúdo explicitamente LGBTfóbico e racista. Durante a fala num evento para jovens na cidade de Nova Friburgo, região Serrana do Rio de Janeiro, Kakau disseminou todo seu ódio, afirmando que: “É um absurdo pessoas cristãs levantando bandeiras políticas, bandeiras de pessoas pretas, bandeiras de LGBTQIA+, sei lá quantos símbolos tem isso aí” e apelou aos fiéis “Para de ficar postando coisa de gente preta, de gay, para!”.

O PSTU de Nova Friburgo manifesta seu firme repúdio à fala criminosa da pregadora Kakau Cordeiro e, além disso, exigimos que ela seja punida por tal atitude, enquadrada em crime de racismo e LGBTfobia.

Consideramos que a fala discriminatória da líder religiosa está em sintonia com o discurso da extrema-direita promovido por Bolsonaro, seus ministros e comissionados como Damares Alves (Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos) e Sérgio Camargo (Presidente da Fundação Palmares) que promovem discursos de ódio que naturalizam e incentivam atos de violência contra a população negra e LGBTI. Reforça, também, a atuação da repressão feita por polícias militares, grupos de extermínio e milícias nas periferias das cidades brasileiras.

Exploradores da fé do povo
Enquanto o povo trabalhador pratica sua religião de forma sincera e honesta, muitas de suas lideranças religiosas enriquecem às custas de sua fé. E, em meio à pandemia da COVID-19, estamos assistindo a um festival de hipocrisia e escândalos envolvendo algumas dessas lideranças.

O líder da Igreja Universal, o multimilionário Edir Macedo, dizia a seus fiéis a Covid-19 era uma tática de satanás e que os fiéis não precisavam se preocupar com a doença. No entanto, Edir Macedo foi se vacinar contra a COVID-19 em Miami, nos Estados Unidos. O vereador bolsonarista Dr. Jairinho (Solidariedade-RJ), que dizia defender a família e os valores cristãos, está preso pelo assassinato de Henry, seu enteado de apenas quatro anos. E a deputada federal bolsonarista, Pastora Flordelis (PSD-RJ), é acusada do assassinato de seu marido, Anderson do Carmo e só não está presa por causa da imunidade parlamentar. Enfim, a lista de escândalos, crimes e hipocrisias de líderes religiosos é muito extensa.

Nós do PSTU respeitamos profundamente a fé de cada trabalhador e, por isso, defendemos um Estado laico para garantir a liberdade religiosa independente de qual seja a religião. Portanto, não se trata aqui de um repúdio genérico aos evangélicos, mas do protesto contra instituições e lideranças religiosas que agem como comerciantes da fé, enriquecendo às custas do povo trabalhador e destilando ódio entre os “de baixo” para nos dividir e para desviar a atenção dos ricos e poderosos que estão lá “em cima”.

Enquanto os trabalhadores cristãos estão sofrendo com o desemprego, com a fome e com a inflação, os líderes religiosos aumentam seu patrimônio! Enquanto os trabalhadores cristãos estão endividados, os líderes religiosos tiveram suas dívidas bilionárias anistiadas pelo Congresso e por Jair Bolsonaro.

Não é coincidência que esse tipo pregação seja dirigida à juventude. Ela acontece, justamente, no momento em que as massas de diversos países se levantam, e tendo os jovens, especialmente negras, negros e LGBTI como a linha de estando na linha de frente das mobilizações. Portanto, o objetivo dessas pregações reacionárias é nos dividir para preservar a dominação da burguesia.

Basta!
Exigimos a punição da pregadora por crime de racismo e LGBTfobia, conforme prevê a legislação.

No país que mais mata trans e que adolescentes e crianças negras são cotidianamente assassinadas nas periferias, não podemos tolerar tais declarações! Basta de racismo, LGBTfobia e capitalismo!