Tropa de Choque de Camilo Santana reprime servidores

 Deyvis Barros, de Fortaleza (CE)

Em apenas nove dias a Assembleia Legislativa do Ceará (ALCE), a pedido do Governador do Estado, Camilo Santana (PT), alterou a constituição estadual e desferiu um duro golpe aos servidores públicos cearenses. O ataque foi apoiado não só pelo governador petista, mas também pelo ex-presidenciável Ciro Gomes (PDT) e por toda a bancada da assembleia chamada de “progressista” do PT, PCdoB, PDT e PSB. Entre os 8 votos contra a reforma, apenas um foi da base governista.

As novas regras da previdência aprovadas pela ALCE, a pedido de Camilo, dificultam o acesso dos servidores à aposentadoria. Aumentam a idade mínima para se aposentar em 5 anos para os homens e em 7 anos para as mulheres, além de criar mecanismos que irão reduzir os valores de aposentadorias e pensões e taxar em 14% os benefícios de todos os que ganham mais que 2 salários mínimos.

A aprovação da reforma do sistema previdenciário estadual foi feita com as portas da assembleia legislativa fechadas e com forte aparato de repressão. Dezenas de policiais da Tropa de Choque de Camilo Santana estavam parados nos portões da assembleia e reprimiram duramente os servidores que tentaram entrar no plenário para acompanhar os debates.

Segundo o pré-candidato do PSTU à prefeitura de Fortaleza, Zé Batista, que esteve todos os dias junto com os manifestantes na frente da ALCE, “não existe nenhuma novidade em o PT estar fazendo essa reforma e em estar reprimindo os servidores, com o apoio do PDT de Ciro Gomes e do PCdoB. Eles estabelecem compromissos com os ricos para governar e o resultado é sempre esse: ataque aos trabalhadores. O próprio Camilo já mexeu duas outras vezes na previdência do estado, o Lula também mexeu na previdência nacional quando governou e, em todos os estados onde o PT e PCdoB governam, eles estão aprovando reformas que dificultam as aposentadorias. Interessante é que se depositou muita esperança política na soltura do Lula, mas o ex-presidente não deu nenhum ‘piu’ até agora sobre a atitude dos governadores do seu partido que estão imitando o Bolsonaro nas reformas e, onde existe resistência, estão mandando a polícia bater em servidores”.

Ainda segundo Zé Batista “o governo fala muito no déficit e utiliza isso para justificar que precisa dificultar a aposentadoria dos servidores. Esse foi o mesmo argumento que utilizou Bolsonaro. Dizem que as finanças do país e do estado vão quebrar se não houverem reformas. Mas isso não passa de uma grande enganação. Tudo se trata de escolha. De pra quem se vai governar e de quem vai tirar para cobrir o que falta. O Bolsonaro e todos os outros governos que vieram antes dele resolveram tirar dos trabalhadores para continuar pagando a falsa dívida pública que consome mais de 40% do orçamento do país. Não é na previdência que está o rombo. É nos juros dívida. É necessário parar de pagar essa falsa dívida que quanto, mais se paga, mais aumenta. Já o Camilo Santana, enquanto ataca os servidores, continua concedendo mais de R$ 1 bilhão todos os anos como isenção fiscal para empresários aumentarem os seus lucros. Em todos os casos a questão é de escolha. Eles escolhem atacar os mais pobres para continuar dando regalias e enchendo os bolsos de banqueiros e grades empresários. É preciso mudar essa lógica. Esses parasitas que enriquecem com a exploração do nosso trabalho que devem pagar pela crise que eles criaram”.

A aprovação das mudanças nos sistemas de previdência estadual no país inteiro deixa como lição para os trabalhadores a necessidade de confiar apenas em suas próprias forças e em sua luta. Os governos que se dizem “progressistas”, mas que se aliam aos ricos para governar sempre fazem a escolha de favorecer seus aliados. O gosto da reforma, para os trabalhadores, é amargo, seja no caso da aplicada pelo ultradireitista Bolsonaro ou pelo petista Camilo Santana. As balas de borracha e as bombas de gás e de pimenta machucam, tanto quando lançadas pelo governo de utradireita, como quando lançadas pelos governos ditos de “esquerda”. Não é possível governar para todos. Para parar de perder direitos é necessário seguir lutando e construir um governo socialista dos trabalhadores, sem nenhuma aliança com empresários e que tenha compromisso em cobrir o rombo da crise parando de dar regalias aos ricos, ao invés de seguir tirando os poucos direitos que os trabalhadores brasileiros ainda tem.