Os blindados da Marinha,(Clanf) durante o desfile cívico-militar de 07 de setembro na Esplanada dos Ministérios

Em mais um capítulo de sua escalada de ameaças golpistas, o governo Bolsonaro organiza, para a manhã desta terça-feira, um desfile militar envolvendo veículos blindados, que deverão passar pela Esplanada dos Ministérios e parar em frente ao Palácio do Planalto. A data coincide com a votação da PEC do voto impresso na Câmara dos Deputados.

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A chamada Operação Formosa é um exercício militar realizada anualmente pela Marinha. Neste ano, terá a inédita participação do Exército e da Aeronáutica. E a tal parada militar fora de época, mais inédito ainda. Na noite desta segunda-feira, emissários do comando do Exército afirmaram à imprensa que a força não participará da exibição golpista, e expressaram “constrangimento” pela iniciativa. No entanto, mesmo que o teatro bélico se limite às forças da Marinha, já é um fato grave que merece ser duramente rechaçado.

A justificativa oficial dada pelo comando da Marinha é que se trata de uma espécie de cerimônia a fim de “convidar” Bolsonaro para acompanhar os exercícios militares. Pelo visto, os estrelados não são muito afeitos a email ou telegramas, e preferem mandar recados exibindo tanques de guerra para intimidar o Congresso.

O verdadeiro recado que Bolsonaro e a cúpula das Forças Armadas querem passar, para o Congresso Nacional e o país, é de intimidação. Cada vez mais acuado pela crise econômica e social, a vertiginosa queda na popularidade e as inúmeras denúncias de corrupção que mostram como o governo transformou, em plena pandemia, o Ministério da Saúde num grande balcão de negócios, Bolsonaro recorre ao centrão e às sucessivas ameaças golpistas.

Bolsonaro teme não só não ser reeleito, mas a prisão, e para evitar isso está disposto a tentar repetir a aventura golpista de Trump. Já a cúpula militar, com o ministro da Defesa Braga Netto à frente, vem dando corda às fanfarronices autoritárias de Bolsonaro. Estão até o pescoço envolvidos na corrupção da compra fraudada e superfaturada de vacinas, entre outros escândalos, e gozam de toda sorte de privilégios que não estão dispostos a abrir mão.

O “passeio” de veículos blindados na Esplanada nesta terça-feira mostra que, ao contrário do que muitos pensavam, a entrega do governo ao centrão não moderará Bolsonaro. E o centrão tampouco parece preocupado nas sucessivas chantagens, ameaças e intimidação. Caindo o dinheiro na conta da turma, para eles tudo bem. Já o Supremo Tribunal Federal (STF), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e demais instituições só agora resolveram passar das notas de repúdio para uma tímida ação contra Bolsonaro.

Essa nova provocação e ameaça de uma tentativa de golpe mostra que não podemos confiar na cúpula das Forças Armadas, e nem mesmo no Congresso Nacional ou no próprio STF para defender de forma coerente as liberdades democráticas. O presidente da Câmara, Arthur Lira, garantiu uma sobrevida à cortina de fumaça do voto impresso a fim de que Bolsonaro promova seu showzinho com os miiltares. Enquanto isso, a cúpula das Forças Armadas dá sustentação à organização do bolsonarismo pelo país, e a ameaça de passar por cima das eleições.

Bolsonaro já deveria estar preso pelas centenas de milhares de pessoas que matou na pandemia, além dos inúmeros crimes de responsabilidade cometidos em seu governo. Mas pelos setores ditos “democráticos” à frente das instituições do regime, ele vai continuar lá, pois segue a cartilha da burguesia: menos direitos, mais privatizações e entrega total do país.

É preciso reforçar a organização e a luta da classe trabalhadora, da juventude e do povo pobre. Não é hora de “freios” nas manifestações, mas de intensificar a mobilização para botar abaixo esse governo. No dia 18 de agosto, dia nacional de luta, vamos dar o troco e mostrar que não aceitamos ditadura ou chantagens golpistas. Mas precisamos ir além, é hora de discutir a preparação de uma Greve Geral pelo fora Bolsonaro e Mourão.

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