O Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) sofre hoje um grave processo de criminalização na região de Campinas, interior de São Paulo. Além da perseguição à chapa que o movimento integrou, junto a outros setores de esquerda e com o apoio de centrais como a CSP-Conlutas, nas eleições para o Sindicato dos Trabalhadores Municipais de Campinas, o acampamento do MST em Valinhos corre o risco iminente de despejo.

Criminalização da chapa de oposição

Após a eleição para a entidade dos trabalhadores municipais de Campinas, em setembro último, a chapa que unificou a oposição contra a atual diretoria descobriu que a outra chapa, de situação, fez um Boletim de Ocorrência e pediu urgência na instauração de um inquérito policial com uma série de acusações falsas e infundadas. A chapa de situação foi encabeçada pelo PSB e integra a CTB, Central dos Trabalhadores do Brasil. Entre as acusações que faz à chapa de oposição estão os crimes de constrangimento ilegal, grave ameaça, incitação e apologia ao crime, além de associação criminosa.

Trecho do Boletim de Ocorrência realizado pela chapa ligada à CTB

Utilizando os mesmos termos e acusações da ultradireita, inclusive a que ocupa hoje o Palácio do Planalto, a direção do sindicato ligado à CTB acusa o MST de cometer crimes em série, torturas, sequestros e assassinatos. “Ao invés da direção do STMC organizar a luta pelo Fora Bolsonaro, contra a Reforma Administrativa e lutar pela defesa do Camprev, que é papel de um sindicato, a mesma se presta ao serviço de atacar a Chapa 2 e o MST aos moldes do governo genocida de Bolsonaro“, denuncia nota da coordenação nacional da CSP-Conlutas e assinada por uma série de entidades sindicais.

A campanha contra a criminalização da chapa de oposição e do MST exige à CTB que retire as acusações e se retrate publicamente das calúnias realizadas contra o movimento.

Assine o abaixo-assinado contra a perseguição à Chapa 2 e ao MST

Não ao despejo do acampamento Marielle Vive

Além da perseguição no movimento sindical, o MST enfrenta outro ataque na região de Campinas. O acampamento Marielle Vive, na cidade de Valinhos, corre o risco de despejo. No último dia 23, o Tribunal de Justiça de São Paulo deu decisão favorável à reintegração de posse da área ocupada, podendo deixar na rua, num momento em que a pandemia ainda não acabou, cerca de 450 famílias.

A área ocupada pelo acampamento é de propriedade da Fazenda Eldorado Empreendimento Imobiliários que, além de manter o terreno ocioso para especulação, degrada o solo e o meio ambiente. As famílias ocupam a área há 3 anos e 7 meses, período no qual o terreno se tornou produtivo, alimentando não só os acampados como a população pobre da região. As famílias também comercializam produtos agroecológicos e artesanato.

É preciso denunciar ampla e nacionalmente mais esse ataque aos sem-terras e ao povo pobre. Você pode ajudar nessa campanha, compartilhando esta nota e fazendo vídeos curtos e fotos nas redes sociais. Não se esqueça de marcar sa redes do movimento: @mstsp e @acampamentomariellevivesp.