Município de Itamaraju Foto: Manu Dias/GOVBA

Zé Roberto, de Itabuna (BA); Taylan Santana, de Feira de Santana (BA) e Milena Oliveira, de Cruz das Almas (BA)

As festas natalinas foram marcadas por temporais que devastaram cidades do interior baiano e bairros de Salvador, capital do estado. Até agora, dia 28 de dezembro, já são 116 municípios baianos afetados pelas chuvas, sendo que 100 destes estão em situação de emergência por conta das enchentes.

20 mortes já foram contabilizadas desde o início das fortes chuvas. 31,4 mil é a soma total de pessoas desabrigadas. 31,3 mil desalojados estão espalhados pelas cidades atingidas. 471 mil pessoas foram afetadas em toda a Bahia.

A culpa dessa grave situação não é só da chuva, mas também de todo o histórico de abandono dos governos, e a segregação socioespacial que atinge as cidades no sistema capitalista. Enquanto prefeitos, governadores e o poder federal investem em um modelo de cidade para os ricos, os mais pobres ficam à mercê dos impactos negativos desses fenômenos climáticos.

Ademais, em plena pandemia de Covid-19, com a variante Ômicron se espalhando em todo o mundo, além de uma forte epidemia da gripe H3N2 alastrando o Brasil, a situação crítica na Bahia reforça a inoperância dos governos federal, estadual e municipal com a garantia do nosso legítimo direito à cidade, ou seja, o nosso direito de viver com qualidade nas nossas cidades.

Sul baiano

A região Sul da Bahia passa pela maior catástrofe climática de sua história. As cidades atingidas pelas chuvas sofrem com alagamentos de cidades inteiras, transbordamento de rios e córregos.

As fortes chuvas, que já haviam devastado cidades inteiras desta região e causado milhares de desabrigados e vários mortos há duas semanas, voltaram com força na véspera de Natal e causaram mais prejuízos e danos à população.

Em Itabuna, maior município do Sul baiano, o rio Cachoeira transbordou e boa parte da cidade ficou completamente submersa. Comunidades ribeirinhas foram as primeiras a serem atingidas. Na comunidade da Bananeira, moradias foram  arrastadas pelas correntezas do rio e  casas ficaram submersas até o telhado.


Em Ferradas, Nova Itabuna, Comunidade da Vila da Paz também as correntezas do rio, de forma bem rápida, saiu arrastando quase tudo, levando móveis e objetos. O bairro Mangabinha ficou todo alagado nas principais ruas e os moradores que vivem em sobrados tiveram que subir para os andares de cima e ficaram isolados em suas casas. As pessoas que mora em casas ficaram totalmente submersas e tiveram que sair rapidamente para não morrer afogadas.

No bairro Urbis IV houve transbordamento de canais e córregos e várias ruas tiveram as casas completamente submersas. Nos bairros São Caetano, Sarinha e Vila Anália também houve transbordamento dos canais e as águas invadiram as casas causando enormes prejuízos. Vários pontos da cidade estão alagados e isolados.

Casas e carros seguem submersos até o teto em diversas ruas. Além disso, há queda de energia em vários pontos da cidade e bairros inteiros estão às escuras. A população está sendo socorrida por canoas, botes e motos aquáticas. As pontes do São Caetano e do Marabá estão cobertas pelas águas do rio Cachoeira.

Seis rodovias federais e quatro estaduais estão interditadas. A rodovia BR-415, também conhecida como rodovia Jorge Amado, que liga as cidades de Itabuna e Ilhéus teve vários pontos invadidos pelas águas do rio Cachoeira e foi interditada. Cerca de 40 pessoas que estavam na Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), órgão federal localizado nesta rodovia, ficaram isoladas e passaram mais de 24 horas sem água ou alimentos.

Essa é a maior enchente dos últimos 50 anos na cidade de Itabuna e no sul da Bahia. Os prejuízos materiais até agora são enormes. São cerca de 1.500 pessoas desabrigadas em Itabuna, segundo a Defesa Civil. Duas mortes foram contabilizadas no município. Famílias inteiras perderam quase tudo que tinham com o alagamento das casas: móveis, eletrodomésticos, roupas.

Com o transbordamento do rio Cachoeira, as ruas do centro da cidade foram invadidas pelas águas e lojas foram inundadas. A principal avenida do comércio, a Cinquentenário, ficou completamente alagada. A maioria das lojas foi invadida pelas águas.

A situação de calamidade se repete nas cidades vizinhas: Itajuípe, Itapé, Ibicaraí e demais cidades do Sul baiano. Estamos diante de uma tragédia de grandes proporções que ainda não é possível calcular os danos.

Feira de Santana, Recôncavo Baiano

Em Feira de Santana, segunda maior cidade do estado, os estragos são graves e recorrentes. Inundação de casas, buracos nas ruas, congestionamento no trânsito, queda de árvores, alagamento das vias públicas e queima de postes por curto-circuito, expõem o total descaso do poder público, através da prefeitura municipal, com a infraestrutura da cidade.

Em Nazaré das Farinhas, cidade localizada no Recôncavo Baiano, o nível da água do Rio Jaguaripe aumentou e provocou enchentes, atingindo principalmente famílias que povoam as margens do rio, que tiveram suas casas invadidas pela água.

Também no Recôncavo, os moradores das cidades de Cacheira e São Felix estão vivendo momentos de tensão em relação às aberturas das comportas da barragem da Usina Pedra do Cavalo.

Em nota, a Votarim Energia, empresa que administra a Usina, comunicou que devido à elevação do nível da água do rio Paraguaçu irá aumentar a quantidade de água liberada, podendo chegar ao nível máximo da calha do rio, de acordo com as regras de operação.

Município de Itamaraju Foto: Manu Dias/GOVBA

Salvador

Na capital baiana, chuvas provocaram deslizamentos de terras. Em duas comunidades situadas em áreas de risco – Bosque Real (bairro Sete de Abril) e Moscou (bairro Castelo Branco) – tiveram as sirenes do Sistema de Alerta e Alarme acionadas pela Defesa Civil de Salvador (Codesal). As famílias que moram nessas áreas foram evacuadas e, de acordo com a prefeitura, irão receber assistência até a situação ser considerada segura para retorno.

A Codesal recebeu 148 solicitações até às 17h, do último domingo, dia 26. Destaca-se 33 alagamentos de imóveis e 48 deslizamentos de terra.

Ações lentas e desorganizadas dos governos

A demora e desorganização dos governos para socorrer a população atingida pelas chuvas tem causado muito sofrimento e transtornos. O governador da Bahia, Rui Costa (PT), montou uma base operacional em Ilhéus, mas a ajuda prática às populações atingidas é muito demorada e, na maioria das vezes, nem chega.

O governo federal praticamente não moveu uma palha e,  enquanto Bolsonaro curte suas férias pescando, nenhuma ajuda às populações atingidas chega. O que está fazendo a diferença é solidariedade entre a população, que tem ajudado os atingidos pela chuva.

Uma corrente de solidariedade se formou, com apoio de artistas nacionais, ONGs e sindicatos, a exemplo do Sindicato dos Trabalhadores do Poder Judiciário Federal na Bahia (SINDJUFE-BA), que está fazendo doações e convocando à categoria a se somar na campanha solidária.

O capitalismo e a destruição ambiental

Toda essa situação trágica vivida pela população baiana não é resultado de fenômenos naturais, puro e simplesmente como tentam passar os governantes em seus discursos. Esses eventos climáticos extremos são resultado do desequilíbrio ambiental causado no planeta pelo sistema capitalista, que impõe uma exploração predatória dos recursos naturais, emissão de gases que provoca o aquecimento global e gera eventos extremos como o que estamos passando hoje.

Além disso, pandemias como a de Covid tem relação direta com a destruição dos ecossistemas naturais pelo capitalismo.

O presidente dos EUA, Joe Biden falou, há alguns dias, em entrevista a uma repórter da Globo News que estava acompanhando a situação das enchentes no sul da Bahia e comparou com a situação dos desastres com os ciclones que causou destruição lá nos EUA. Biden disse que esses eventos extremos estão relacionados ao clima do planeta que vem sendo modificados pela ação humana e que era necessário agir para minimizar esses danos.

Ora, o capitalismo é completamente insustentável e todo colapso que estamos vivendo no meio ambiente é fruto desse sistema que sempre coloca o lucro acima de qualquer necessidade humana. O capitalismo e seus governos são o problema e não a solução. Esses governos imperialistas e capitalistas são incapazes de dar qualquer solução aos problemas ambientais no planeta.

Vivemos a grande disjuntiva de Rosa Luxemburgo de caminharmos para o socialismo ou a barbárie. É necessária uma revolução socialista para frear esse colapso ambiental e acabar com todas as formas de exploração e opressão e construir uma sociedade que garanta as necessidades humanas e a sobrevivência e bem estar de todos e todas.

É preciso construir outro sistema social, o socialismo. Uma sociedade governada pela classe trabalhadora, através de suas organizações e conselhos populares, onde de fato a maioria possa decidir o que e como fazer com tudo o que o nosso país tem e produz.

Toda solidariedade às populações atingidas pelas chuvas

A classe trabalhadora precisa cercar de apoio e solidariedade às populações das cidades atingidas pelas chuvas.

Estamos passando por um momento de grande sofrimento e desespero causado por este colapso ambiental. Por isso, é muito importante a solidariedade de classe com organização de doações nos sindicatos, locais de trabalho e moradia.

É preciso montar comitês de solidariedade das organizações da classe trabalhadora e dos movimentos populares.

Exigimos dos governos municipal, estadual e nacional um plano emergencial de atenção às vítimas, que passa por:

– Solidariedade aos atingidos pelas enchentes e às suas famílias, com indenização do Estado e do município às vítimas e aos seus parentes (em caso de morte);

– Isenção de IPTU, água, luz e reposição de todos os pertences levados pela chuva;

– Garantia de casa para as famílias desabrigadas e todas aquelas que estão em áreas de risco, a partir da entrega de moradias gratuitas, através da desapropriação pelo governo dos imóveis vagos, sem indenização aos especuladores;

– Fim das isenções fiscais para os grandes empresários e reversão do dinheiro para o combate às enchentes e construção de moradias populares.

Veja como contribuir

Algumas das formas de você contribuir na campanha solidária em ajuda às cidades baianas atingidas pelas chuvas

SOS Bahia – Razões para Acreditar

Uma das vaquinhas mais famosas, a ação SOS Bahia, organizada pelo site Razões para Acreditar. A doação é via pix. Clique neste link e saiba como doar.

Campanha SOS Calamidades

A Legião da Boa Vontade (LBV) organiza a Campanha SOS Calamidades, que está recebendo dinheiro e doações de alimentos não perecíveis, itens de higiene (sabonete, creme dental, absorvente, fraldas infantis e geriátricas) e itens de limpeza (sabão, água sanitária e detergente). As arrecadações serão encaminhadas para a Defesa Civil que fará a entrega dos donativos às famílias.

Postos de arrecadação:
– Itabuna: Av. Bionor Rebouças, 135, Caixa D´Água, Tel.: (73) 3212-6242
– Lauro de Freitas: Rua Prof. Teócrito Batista, s/n, Itinga, ao lado do Caic, Tel.: (71) 3288-6149
– Salvador: Av. Porto dos Mastros, 19, Ribeira, Tel.: (71) 3312-0555
– Salvador: Rua Odilon Dórea, 676, Brotas, Tel.: (71) 3234-9314

Doações em dinheiro:
– Home: www.lbv.org.br
– Pix oficial da LBV – E-mail: [email protected]
– Bradesco: Agência: 0292-5 — C/C: 92830-5
– Itaú: Agência: 0237 — C/C: 73700-2
– Banco do Brasil: Agência: 3344-8 — C/C: 205010-2
– Caixa Econômica Federal: Agência: 1231 — operação: 003 — C/C: 100-0
– Santander: Agência: 0239 — C/C: 13.002754-6

Shopping da Bahia

O empreendimento está arrecadando alimentos não perecíveis, agasalhos, roupas, calçados, produtos de higiene, fraldas descartáveis e cesta básica. As doações devem ser entregues ao lado da Central de Atendimento ao Cliente (CAC), 2º piso.

Corpo de Bombeiros Militar da Bahia

Os quartéis dos bombeiros do estado abriram para arrecadação de produtos de higiene, roupas, alimentos não perecíveis, água e outros mantimentos. Para doar, basta apenas procurar a unidade mais próxima.

Movimento Unido dos Povos e Organizações Indígenas da Bahia (MUPOIBA)

O MUPOIBA, juntamente com a Federação Indígena das Nações Pataxó e Tupinambá do Extremo-Sul da Bahia está arrecadando dinheiro que será revertido em doações.

Dados para doação: Associação Nacional de Ação Indigenista
– Banco do Brasil: Agência: 3466-5| Conta: 60311-2
– Pix CNPJ: 13100342000125