Aumenta a pobreza extrema em meio à guerra social contra os trabalhadores

São quase 15 milhões de pessoas sobrevivendo no país com menos de R$ 5 reais ao dia

Apesar de o governo e a imprensa martelarem diariamente que a economia está se recuperando e a que a recessão ficou para trás, na realidade concreta da classe trabalhadora e da grande maioria da população isso só pode soar como uma piada de mal gosto.

Além do desemprego, da precarização do trabalho e da ruína dos serviços públicos, aliados à crescente violência urbana, estamos vendo o aumento da pobreza extrema. Esse critério definido pelo Banco Mundial tem como base uma renda domiciliar de 1,90 dólar por pessoa ao dia. Isso daria R$ 136 mensais em 2017 segundo cálculos da LCA Consultoria, responsável pelo levantamento via dados do IBGE (Pnad Contínua divulgada no último dia 11).

O número de pessoas submetidas à pobreza extrema no país passou, segundo essa estratificação, de 13,34 milhões em 2016 para 14,83 milhões em 2017, um aumento de 11,2%. Ou seja, no país há quase 15 milhões de pessoas que sobrevivem com menos de 5 reais por dia. Segundo a consultoria, um dos fatores para isso foi a perda de empregos com carteira assinada, em parte substituídos por trabalho informal, instável e salário mais baixo.

Todas as regiões apresentaram aumento da pobreza extrema, mas a situação é mais dramática no Nordeste, que concentra 8,1 milhões de pessoas nessa situação.

Queda na renda e desigualdade
Ainda segundo o levantamento do IBGE, a renda média dos trabalhadores mais pobres caiu de R$ 76 para R$ 47 no ano passado. Essa é a renda dos 4,5 milhões de pessoas que tiveram trabalho em 2017. A renda média dos trabalhadores (população ocupada) foi de R$ 2.268 para R$ 2.237. Já a renda média real por domicílio (outras fontes que o trabalho) foi de R$ 1.285 para R$ 1271. No Nordeste era de só R$ 808.

O levantamento também mostra a brutal desigualdade de renda. 10% da população que recebe mais concentrava quase metade da renda em 2017. Enquanto isso, os 10% mais pobres tinham apenas o equivalente a 0,7% do total de rendimentos. Já as pessoas que compunham a faixa dos 1% que ganhavam mais (R$ 27 mil em média) recebiam mais de 36 vezes que a média da 50% da população mais pobre (R$ 754).

É bom lembrar que, embora essa desigualdade seja gritante, ela é calculada apenas sobre quem recebe salários e outras fontes de renda como aposentadoria, pensão, aluguel, etc. Ou seja, esse levantamento não pega a verdadeira desigualdade que existe nesse país e que é responsável pela miséria e a guerra social contra os trabalhadores: quem produz e vive do salário de um lado e de outro quem se apropria de quase tudo o que é produzido, a burguesia.

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