Atos minguados: Bolsonaro tira a máscara de atos pró-ditadura e ameaça saúde pública

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Redação

Bolsonaro conseguiu fazer duas coisas neste domingo, 15: por um lado, assumiu de forma escancarada o protagonismo na convocação dos atos golpistas; de outro, praticou um verdadeiro atentado à saúde pública ao participar da manifestação em Brasília, apesar de ter sido colocado em quarentena após vários integrantes de sua comitiva da viagem aos EUA terem atestado positivo ao coronavírus, e ele próprio tergiversar sobre sua verdadeira condição de saúde.

As manifestações que ocorreram neste domingo foram pequenas, provavelmente já o seriam não fosse a pandemia. Uma ínfima minoria mesmo entre os seus apoiadores. Mesmo assim, reuniram algumas centenas, ou poucos milhares em capitais como São Paulo. E essas pessoas foram às ruas justamente porque entenderam bem a real mensagem de Bolsonaro no pronunciamento em rádio em televisão realizado na última quinta-feira. Apesar de aconselhar que os atos fossem “repensados”, a maior parte do pronunciamento foi de exaltação às manifestações pelo fechamento do Congresso e o STF, cujas motivações estariam “vivas e inabaláveis”.

A fala de Bolsonaro foi entendida como de fato era, um incentivo. E no próprio domingo, o presidente começou desde cedo a divulgar e incentivar as manifestações, até aparecer para fazer corpo-a-corpo com os apoiadores que se aglomeravam na Esplanada dos Ministérios em Brasília.

A máscara, assim, caiu de forma definitiva. Primeiro, Bolsonaro havia negado que tivesse replicado mensagens de convocação aos atos. Depois, fez o pronunciamento fake. Agora, assumiu por completo a convocação e a defesa das bandeiras dos protestos, que não são outros que a defesa de seu governo e, mais que isso, de uma ditadura comandada por ele e pelas Forças Armadas.

Bolsonaro testa os limites da democracia burguesa a fim de criar as condições para uma ditadura, que é o que deseja realmente. Uma ditadura para continuar retirando direitos dos trabalhadores, dos aposentados, aprofundar o desmonte dos serviços públicos (inclusive do SUS), continuar privatizando e entregando nossas riquezas a Trump e aos EUA.

Governo prepara uma catástrofe

O governo Bolsonaro, além de nada fazer para mitigar os efeitos do coronavírus num país já com a rede pública de Saúde sobrecarregada, teve mais uma atitude criminosa neste domingo. Ao incentivar as manifestações e interagir com apoiadores, Bolsonaro passa a mensagem que o momento não é grave, ou que tudo não passa de exagero da mídia. No final do dia, reafirmou isso em entrevista à CNN-Brasil.

A verdade é que os casos da doença já se alastram rapidamente. Já passavam dos 200 neste domingo só os casos notificados. Como o crescimento, após a consolidação da transmissão comunitária, é exponencial, os casos devem explodir nas próximas duas ou três semanas. O sistema público de saúde, por sua vez, não tem o menor preparo para atender uma situação dessas. A média dos leitos de UTI necessários para tratar os casos nas áreas mais graves da pandemia foram de 2,4 para cada 10 mil habitantes de acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde). O SUS conta, atualmente, com uma média de 1. Segundo levantamento da Folha de S. Paulo, 17 estados nem isso tem.

O governo Bolsonaro e o ministro Paulo Guedes, por sua vez, além de não apontar medidas para enfrentar a crise, incentiva sua proliferação e apresenta um plano para salvar os banqueiros, empresários, aprofundar as reformas e ainda confiscar recursos do PIS/Pasep, dinheiro dos trabalhadores. O plano que Guedes preparava para apresentar ao Congresso Nacional contava com linhas de crédito de bancos públicos às companhias aéreas, bancos e empresas para salvar seus caixas. Ainda estudava-se utilizar o PIS/Pasep para tampar o buraco na saúde.

Nenhuma medida para impor uma quarentena nas fábricas e locais de trabalho (com esquema especial para garantir serviços essenciais com segurança), ou estabilidade no emprego, ou ainda medidas sociais de emergência como seguro-desemprego aos milhões de trabalhadores informais que terão não só sua saúde ameaçada nesse período, como sua própria sobrevivência.

A vida e a saúde do povo devem vir em primeiro lugar: Nossas propostas à crise

Além de manter o teto dos gastos públicos, que tira recursos para os banqueiros através da mal-chamada dívida pública, a grande solução de Guedes para a crise são as reformas, como a administrativa que ataca brutalmente os servidores públicos. Ao invés de tirar dinheiro dos banqueiros para garantir leitos de UTI’s necessários, ou atacar a pobreza e proteger o grande grupo vulnerável à pandemia, Bolsonaro e Guedes aprofundam essa política ultraliberal.

O Congresso Nacional, por sua vez, não está nem um pouco preocupado com a situação do povo, ou em se preparar para o agravamento da pandemia. Muito pelo contrário, do ponto de vista da política econômica, se alinha perfeitamente a Bolsonaro e Paulo Guedes. Nem mesmo se preocupa com os nossos direitos democráticos. A disputa com o governo é para ver quem manda, quem comanda parte do Orçamento.

Fora Bolsonaro-Mourão

Vai ficando mais evidente que a nossa saúde está em risco com esse governo. Principalmente a dos trabalhadores e dos mais pobres. O governo Bolsonaro atenta não só contra as liberdades democráticas (ou seja, nossa liberdade de expressão, organização e manifestação), nossos direitos e soberania, mas contra a nossa própria sobrevivência.