Ataques no Iraque matam 20 e ferem mais de 60

Iraquianos observam destroços de carro-bomba

Nesta sexta-feira, 29 de abril, vários ataques deixaram ao menos 20 mortos e mais de 60 feridos em várias parte do Iraque, mostrando que o conflito no país está longe de terminar. Os principais alvos foram membros da polícia iraquiana, mas também há notícias de soldados norte-americanos mortos e feridos. Desde o início da ocupação, os iraquianos que passaram a atuar nas forças policiais e que protegem a ocupação têm sido vistos como inimigos da resistência iraquiana. Os ataques ocorreram um dia após a Assembléia Nacional Interina do Iraque aprovar o novo gabinete de governo, o que prova que as saídas institucionais e a farsa das eleições não vão resolver o problema do país.

Em Azamiya, no norte de Bagdá, quatro carros-bomba explodiram em local próximo às bases do Exército e da polícia iraquiana. Outros postos da polícia foram atacados com carros-bomba no distrito de Dora, no Sul do país. Em Al Davudi, no leste de Bagdá, um grupo de rebeldes abriu fogo contra uma patrulha policial, ferindo um agente. No dia 28, um soldados norte-americano morreu e outros quatro ficaram feridos na explosão de um carro-bomba perto de Jauiya, ao norte de Bagdá.

Além desses ataques, há promessas de novas ações contra a ocupação. No dia 29, foi divulgada uma gravação com ameaças de novos ataques contra membros das forças norte-americanas no Iraque e também contra seus colaboradores no país. Na gravação, o líder Al Zarqawi fala contra a ocupação do país: “Bush, nós não vamos descansar até que vinguemos nossa dignidade. Nós não vamos descansar enquanto seu Exército estiver aqui, enquanto nossas veias estiverem pulsando“.

Governo fantasma
A Assembléia Nacional do Iraque aprovou no dia 27 a formação do governo eleito há três meses. As eleições já haviam sido um processo conflituoso, de maneira imposta e antidemocrática. E a formação do governo não foi menos complicada. A equipe ficou incompleta, pois o premiê Ibrahim al Jaafari não conseguiu nomear ministros para cinco pastas, as de Petróleo, Defesa, Eletricidade, Indústria e Direitos Humanos. Dois postos de vice-premiê também ficaram vagos.

A idéia inicial era a de que o ministério tivesse uma composição que acomodasse todos os grupos iraquianos, num total de 31 ministros e quatro vice-premiês, além do primeiro-ministro Jaafari. A maior parte das pastas foi para os xiitas, que são majoritários no país. Porém, a formação do ministério gerou polêmicas, pois os sunitas, que almejavam seis ministérios, ficaram com apenas quatro, sendo todos de menor importância política.

Entretanto, todas essas disputas pelos cargos do novo governo ocorrem paralelamente ao real conflito do país. A formação do novo governo nada mais é do que um teatro armado por Bush para manter o controle político do Iraque. George W. Bush inclusive congratulou os novos líderes iraquianos, dizendo que eles terão um trabalho duro pela frente. A solução da guerra estabelecida no país só é viável com a derrota do imperialismo, a expulsão das tropas invasoras e a autodeterminação do povo iraquiano.