Profissional de saúde protesta por condições de trabalho

A situação da crise humanitária em Macapá e no Amapá é gravíssima. Toda a população assistiu aos noticiários nacionais, e o desespero nas redes sociais de pessoas com familiares internados nos centros de Covid-19, nas UBS’s e hospitais públicos e privados.

Os casos de contaminação não diminuem e os leitos não aumentam. Waldez (PDT) não inaugurou o Hospital Universitário no dia 28 de maio como anunciado. O Ministério Público e a Defensoria Pública Estadual manifestam preocupação com esse fato, bem como sindicatos e centrais como a CSP-Conlutas.

Não foram abertos ainda os hospitais de campanha previstos em parceria com o Exército, conforme reunião do dia 24 de abril entre a 22ª Brigada de Infantaria e Selva, vice-governador e secretário de Segurança Pública. A proposta era aproveitar quatro ginásios no estado, sendo dois em Macapá, um em Laranjal do Jari e outro no Oiapoque, caso fosse necessário. Pelo número de casos e lotação de leitos da rede hospitalar, é mais do que necessário e urgente. Passaram-se dois meses e nada de hospitais de campanha, enquanto isso o povo amarga filas e lotação nas UBS’s e Hospital de Emergência, sem a estrutura adequada para atendimento.

No setor da saúde estão profissionais da linha de frente. Muitos e muitas tombaram ou estão contaminadas. As notas de pesar aumentam a cada semana. A luta heroica e protestos por falta de EPI’s e condições dignas de trabalho continuam ocorrendo. O Conselho de Enfermagem do Amapá teve de entrar com ação civil pública contra o governo de Waldez para cobrar valorização dos e das trabalhadoras, denunciando a sobrecarga de trabalho e jornadas exaustivas.

O SUS ainda está em colapso no Amapá e os responsáveis são os governantes e parlamentares que não priorizam a saúde há décadas. A pandemia evidenciou toda a precariedade. O que é pior são os casos de corrupção no uso do dinheiro recebido pela União. Já foram deflagradas operações da Polícia Federal para investigar desvios de recursos públicos no combate à Covid-19 na Secretaria de Saúde. Isso é absurdo, mas comum no capitalismo, onde a corrupção é própria do Estado burguês.

O presidente Bolsonaro e seu vice Mourão tem um plano genocida, autoritário e antipovo. Sabotam a prevenção e estimulam o fim do isolamento. O projeto desse governo burguês é claro: eliminar fisicamente pobres, desempregados, idosos, moradores de rua, favelados, ribeirinhos, indígenas, LGBTs.

Davi Alcolumbre e Rodrigo Maia (ambos do DEM) aprovam e votam medidas para cortes de direitos de servidores públicos e demais propostas que não garantem a quarenta com dignidade para a classe trabalhadora e o povo pobre.

Waldez (PDT), Jaime (Pros) e Clécio (Rede) também são responsáveis diretos. Implantaram uma quarentena parcial muito insuficiente, sem garantir condições econômicas e sociais, levando as pessoas a saírem de casa para trabalhar ou buscar meios de sobrevivência. Sem falar em quem vive em condições precárias de moradia ou sequer tem casa ou água limpa para lavar as mãos, como nas áreas de ressaca na capital.

Não à flexibilização da quarentena. Os números de casos não estão caindo!

Atualmente, são 8469 casos, 3534 recuperados, 207 mortes, 9759 casos em análise laboratorial e 204 hospitalizados (boletim oficial do governo). 300 novos apenas no dia 29 de maio. Hoje, a taxa de ocupação dos leitos existentes é de 99,30% (clínicos) e 97,98% (UTIs), conforme portal oficial do estado. O índice de isolamento é baixo. Pressionados pelo empresariado, os governos querem acabar com o lockdown, que atingiu a taxa de isolamento de apenas 60% no domingo do último dia 24.

Segundo estudo nacional (EPICOVID 19) da Universidade de Pelotas, o número de contaminados em Macapá pode ser 13 vezes maior que os dados oficiais. Dos e das 503,3 mil habitantes 9,7% já pegou ou ainda está com o vírus. Isso representa 50 mil casos! Ainda, Macapá é a 5ª cidade e a 3ª capital com a situação mais crítica em razão da maior incidência de casos.

A reabertura do comércio não essencial pode ser perigosa e resultar em mais contaminações e mortes. Waldez e Clécio não devem ceder às pressões dos grandes empresários, diante da realidade da falta de leitos e estrutura hospitalar para o combate à pandemia. Em outros países como a França, Alemanha e Coreia do Sul que adotaram isolamento social mais rígido há registro de novos casos.

O isolamento social segue sendo a arma mais eficaz para achatar a curva de contágio. Enquanto isso, os governos devem preparar de fato o SUS para enfrentar a onda atual e para uma segunda fase de novos casos.

Não à política de demissão em massa!

Ao invés de culpar a população pelo baixo isolamento, é preciso uma quarenta total, paralisando as atividades não essenciais, garantindo emprego, renda, saúde, condições de moradia e a vida das pessoas.

Em plena pandemia, muitas demissões estão ocorrendo. Destacamos aquelas de trabalhadoras e trabalhadores do comércio, rodoviários e terceirizados na Unifap. No setor rodoviário, os ataques são sobre os direitos sindicais de diretores, além de atrasos de pagamentos. Denúncias foram feitas ao Ministério Público do Trabalho. Clécio não se pronuncia diante desses ataques. As patronais usam a política das MPs do governo federal e do Congresso Nacional para atacar sem piedade a classe trabalhadora amapaense.

Não podemos esquecer do perdão de R$ 67 milhões em dívidas das empresas de transportes público dado pelo prefeito Clécio e sob a conivência dos vereadores. Todo esse montante seria necessário para combater a pandemia.

A pandemia e as opressões

A questão da violência à mulher durante o isolamento social é também preocupante. Por isso, são necessárias campanhas educativas, mais canais de denúncia contra violência doméstica e locais para que mulheres e seus filhos possam cumprir a quarentena em segurança. Além de redes de solidariedade como a Frente de Apoio Emergencial às Mulheres Vítimas de Violência Doméstica.

Não podemos também esquecer os ataques do governo Bolsonaro/Mourão sobre as populações indígenas e sobre a Amazônia. Sobretudo com projetos de lei como o PL 2633 que na prática é a legalização do crime de grilagem, com graves consequências na Região Norte como desmatamento e aumento da violência no campo.

No Oiapoque vemos com bastante preocupação o alastramento do vírus. A população está sob ameaça de colapso no sistema de saúde e existe o perigo real de mortes em massa entre povos indígenas locais. Não há estrutura hospitalar para atender com dignidade a população de 27.270 habitantes no município. A luta contra a Covid-19 também deve ser feita em solidariedade entre habitantes do platô das Guianas.

Para os povos indígenas da região, como Palikur, Wajãpi e demais a Covid-19 representa um perigo mortal. As políticas do governo genocida de Bolsonaro/Mourão ameaçam a existência desses povos que já enfrentam problemas pela falta de acesso ao direito à saúde. Ainda são ameaçados pela sanha e avanço do agronegócio na Amazônia. Os governos devem disponibilizar testes, equipamentos e recursos para apoio aos indígenas.

Quarentena total para salvar vidas!

Quanto ao genocídio do povo negro, vemos nos últimos episódios de assassinatos de João Pedro e George Floyd que a luta contra o racismo e o capitalismo são urgentes! O Estado brasileiro segue o genocídio da juventude negra. Muito mais agora porque quem está morrendo em massa são negros e negras nesse país. Manifestamos nossa preocupação com as comunidades quilombolas amapaenses. Os governos devem prestar todos os serviços e garantia dos direitos humanos!

A pandemia mata muito mais quem não tem meios de sobreviver devido ao passado histórico da sociedade escravagista brasileira. A desigualdade social, econômica e racial histórica evidencia o risco maior às vidas negras.

Nesse grave momento que enfrentamos, a unidade e organização social é o caminho para enfrentar a pandemia e os governos.

Convidamos partidos, sindicatos, centrais sindicais, movimentos sociais, de bairros, culturais e demais interessadas a assinarem esse manifesto em defesa da vida e contra a reabertura precoce do comércio não essencial. Por uma quarentena total em defesa da vida! Pela manutenção do isolamento social com garantia da saúde, empregos e renda.

Prestamos nossas condolências às famílias de pessoas que faleceram pela Covid-19 no Amapá, Brasil e mundo.

Fora Bolsonaro e Mourão

Fora Waldez

Fora Clécio

 

Macapá-AP, 29 de maio de 2020

Assinam:

Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado-PSTU Amapá

Coletivo Rebeldia – Juventude da Revolução Socialista

Referências

http://painel.corona.ap.gov.br

http://www.coren-ap.gov.br/coronavirus-coren-ap-entra-com-acao-civil-publica-contra-o-governo-do-estado-do-amapa_3464.html

https://g1.globo.com/ap/amapa/noticia/2020/05/26/contaminacao-pela-covid-19-em-macapa-pode-ser-13-vezes-maior-e-ter-atingido-10percent-da-populacao-aponta-pesquisa-nacional.ghtml

https://www.uol.com.br/ecoa/ultimas-noticias/2020/05/12/morte-de-indigena-do-oiapoque-acende-alerta-da-covid-19-na-regiao-norte.htm

https://www.google.com/amp/s/www.uol.com.br/ecoa/colunas/opiniao/2020/04/15/por-que-a-covid-19-e-perigosa-para-os-povos-indigenas.amp.htm

https://globoesporte.globo.com/ap/noticia/ginasios-do-ap-podem-servir-de-hospitais-de-campanha-para-tratamento-do-coronavirus.ghtml

http://www.rfi.fr/br/europa/20200510-novos-casos-de-covid-19-na-china-alemanha-e-coreia-do-sul-s%C3%A3o-mau-sinal-para-retorno-das-atividades-na-europa