A pandemia, ao lado da crise econômica e do racismo, apresentam resultados catastróficos para negros e negras.Esses trabalhadores, além do vírus, enfrentam problemas de habitação, falta de saneamento, desemprego, falta de saúde, educação, recebem os piores salários e são as maiores vítimas da violência do Estado capitalista praticada pelas suas polícias.

O assassinato do menino João Pedro, de 14 anos, nesse dia 18 de maio provocou várias manifestações nas redes sociais. O menino estava na casa de seu tio no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo (RJ), quando foi atingido por um tiro. Foi então levado ferido num helicóptero da polícia, sem acompanhamento de um responsável. Quase um dia depois, seu corpo foi encontrado no Instituto Médico Legal. É importante reforçar que  a Polícia Federal estava nesta ação junto com a Polícia Civil.

Outros dois casos de morte de jovens negros também revoltam a população ainda no mês de maio na cidade do Rio de Janeiro. João Vitor, de 18 anos, foi morto enquanto participava de um mutirão de entrega de cestas básicas na Cidade de Deus no dia 20. Teve um passado no crime, mas havia se afastado. Estava fazendo uma boa ação quando foi morto por policiais. Já o rapaz Rodrigo Cerqueira, de 19 anos, sem antecedentes criminais, foi morto do mesmo modo que João Vitor, numa ação policial no Morro da Providência, centro do Rio, no dia 21. Ele também estava entregando cestas básicas aos estudantes do Colégio Estadual Reverendo Hugh Clarence, junto com os membros do pré-vestibular. Um caso após o outro! Isso mostra o descaso dessa sociedade desigual e racista com a vida de trabalhadores e jovens negros. O que é reforçado pela política de segurança do governador do estado, Wilson Witzel (PSC).

Os familiares e amigos desses jovens, além da dor da morte, são obrigados a conviver com a difamação das vítimas, acusadas de serem bandidos sem estarem fazendo atos criminosos, e sem chances de defesa! Diante dessa injustiça é louvável a postura dos professores que foram prestar depoimento a favor do comportamento de Rodrigo.

A gente não vê esses atos em bairros de ricos ou da classe média branca! Lá consome-se drogas livremente. Viciados possuem acesso a tratamento em clínicas particulares com todos os recursos. Nesses lugares há bandidos brancos com provas, presos em flagrante, que não recebem tratamento desumano e nem são sumariamente assassinados. Isso é a desigualdade racista e  social capitalista!

O fato das vítimas serem negras e estarem em comunidades já basta para serem rotuladas como bandidos e, assim terem, justificadas as suas penas de mortes ilegais e sem julgamento. Muitos estão em presídios sem julgamento. A maioria dos moradores de comunidades e bairros pobres não são bandidos! João Pedro estava em casa brincando com o primo! João Vitor e Rodrigo estavam fazendo o papel que o governo não faz, entregando cestas básicas para a comunidade! Absurdo!

Nota-se que a unidade e a solidariedade de todos na defesa da vida e no combate à pandemia de Covid-19 não diminuem as ações incompetentes, truculentas e assassinas da polícia do governador do Rio de Janeiro nos bairros pobres compostos por moradores majoritariamente negros. O pior é saber que mais mortes vão ocorrer enquanto o capitalismo não for derrubado.

Desmilitarizar a PM e descriminalizar as drogas

Esses casos mostram que não podemos confiar nos governos capitalistas e em suas polícias para combater a violência. Não pode ser considerada ação inteligente e planejada de polícias tratar todos os negros pobres como bandidos. Isso é racismo!  Esses assassinatos não podem ficar impunes!

A política de guerras às drogas não acaba com as drogas, e só tem gerado mais violência, desmoralização policial e morte de inocentes, principalmente jovens e crianças negras filhos de trabalhadores. Violência é resolvida com empregos e salários dignos, educação, saúde física e mental!  Os governos capitalistas não querem investir nesses serviços e na melhoria de condições de vida dos trabalhadores, principalmente os mais pobres. Por isso, a palavra de ordem da burguesia e desse empresariado decadente que comanda o nosso país é eliminar, matar pretos e pobres para mentir dizendo que está combatendo o crime. Não podemos aceitar essas injustiças!

É fundamental lutar contra essa violência e também defender o fim da guerra às drogas e a liberação das mesmas.Tem que garantir assistentes sociais às famílias, atendimento médico e psicológico público aos dependentes químicos, campanhas competentes de esclarecimento sobre drogas sem propaganda enganosa. A desmilitarização da PM é uma medida importante para os policiais terem direito à livre organização sindical  e política, para exigir democracia, salários dignos, melhores condições de trabalho e o fim dessa educação policial racista que incentiva a guerra contra pretos e pobres.

Além disso, é preciso estabelecer urgentemente uma política de desencarceramento para conter o avanço da pandemia nos presídios em todo o país. Defendemos que devem ser revogadas todas as prisões preventivas de todos os presos acusados de crimes não violentos, aguardando seus respectivos julgamentos em liberdade. Devem ser colocados em liberdade provisória, liberdade vigiada ou prisão domiciliar aqueles e aquelas que foram condenados por crimes não violentos com pequenas penas: estelionatários, pequenos assaltantes (furtos) e pequenos traficantes. A maioria destes presos e presas são pobres, negros, imigrantes e moradores de comunidades.

Essas medidas excluem os presos e presas que foram condenados por crimes onde foi utilizada a violência, como latrocínio (roubo seguido de morte), sequestradores, assassinos, violentadores de mulheres, milicianos, assassinos profissionais ou agentes do Estado, torturadores ou que cometeram crimes de lesa humanidade.

Organizar os de baixo contra a violência do Estado capitalista

A população deve se auto-organizar nessas comunidades para se defender dessa política de morte planejada de negros! Tem que cobrar cadeia para esses assassinos! As comunidades devem virar quilombos para expulsar os prefeitos José Luiz Nanci (Cidadania) de São Gonçalo e Marcelo Crivella (Republicanos) do Rio de Janeiro! Tirar também o governador Wilson Witzel e o presidente Jair Bolsonaro! Fora Bolsonaro e Mourão e seus colaboradores dessa política genocida !

A solução para acabar de vez com essas mortes é a reunião dos trabalhadores dessas comunidades para tirar essa burguesia do poder construindo uma revolução socialista. Assim será possível por fim à desigualdade social e à violência racista e covarde dessa sociedade capitalista.