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Kelly Silva e Joaquim Magalhães, Recife (PE)

A poesia está de luto, neste 31 julho de 2022, a um sábado de completar 62 aos, morre o cronista e poeta maior “Miró da Muribeca”.

Sendo negro, proletário e nascido na periferia, nasceu João Flavio Cordeiro da Silva e poucos lembram ou sabem que se ele transformou em “Miró”, devido ao amor ao futebol e a tentativa de ser não o Pelé, mas Mirobaldo, famoso artilheiro do Santa Cruz.

Poucos lembram também que Miró foi servente na Sudene (Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste), bem no início das terceirizações precarizadas no serviço Público.

Mas, felizmente, todos vão lembrar, viver e conhecer a obra do poeta e cronista maior “Miró da Muribeca”, que passeava e vivia nas ruas, nos bares, nos recitais, nas assembleias operárias e sindicais, em todos os mercados públicos do Recife, sempre com os seus recitais performáticos e espetaculares, falando do olhar, do sentimento, da morte, do sexo, das mães, de todas as formas de solidão, desde daquela solidão vivida na janela do ônibus, observando a pobreza do Recife até a solidão de quem vai para o caixa eletrônico e se esquece da senha ou simplesmente não tem conta pra sacar alguma grana.

Miro da Muribeca falava das coisas que estão vivas, por isso não esqueceu de falar do PSTU, eis um fragmento deste verso:

Ela tem 18 anos,
tá quase acreditando
Que Deus não existe
Largou o vício de ir todo domingo
Na igreja batista tradicional
Na capa do caderno a foto de Tom Cruise
Já não tem nenhuma importância
Brad Pitt vá tomar no cu
(Até votou no PSTU) …

Ficou assim o seu olhar sobre a cidade de São Paulo:

São Paulo, desculpa são Paulo,
Eu gosto muito das suas luzes
Mas tem um ser humano
Largado nas calçadas e nesta hora
o coração do Poeta se abala

Viva Miró da Muribeca, três viva pra poesia!
Nossa homenagem sincera e apaixonada para o cronista e poeta maior de Recife: “Miró da Muribeca”!