A Alca e a Questão Agrária

centro de Bauru se agitou na manhã de sábado, numa passeata que contou com a participação de militantes do PSTU, do PC do B, da corrente “O Trabalho“ do Partido dos Trabalhadores, do Movimento Sem Terra (MST) e de vários sindicalistas da região.
Havia delegações de várias cidades e regiões do Estado. Do assentamento de Iaras veio um ônibus. Um outro vinha do Vale do Paraíba trazendo trabalhadores sem-terra de São José dos Campos, Jacareí e Tremembé. Havia também delegações da cidade de São Paulo e até de Minas Gerais.
A passeata passou pelas ruas puxando palavras-de-ordem repudiando a ALCA, o FMI e a Dívida Externa e se solidarizando com a luta dos trabalhadores da Venezuela, Colômbia, Argentina e com a Intifada Palestina. Em seguida, todos se dirigiram para a Universidade Estadual Paulista (UNESP) onde deram início ao debate “As conseqüências da Alca sobre a questão agrária no Brasil e na América Latina“.

Alca traz mais pobreza e miséria para o povo

Francisco de Assis Cabral, membro da Central Única dos Trabalhadores de São Paulo, concluiu que: “Encontros como estes são muito importantes, porque a gente muitas vezes fica discutindo o que vai acontecer com a implantação da ALCA no Brasil de maneira abstrata. Este encontro concretizou as conseqüências para os trabalhadores que vivem da terra“.
Miguel Serpa, da coordenação estadual do MST do Estado concorda com Cabral: “Explicar para os companheiros que acordos como a ALCA vão privilegiar o latifúndio, que hoje não é somente formado por fazendeiros tradicionais, mas pelas grandes corporações multinacionais, como a Belgo Mineira, a Volkswagem e bancos como Safra, Unibanco e Santander, é muito importante. A ALCA representa fome e miséria para o povo pobre.“
O advogado Sérgio Pinto Oliveira que participou da mesa “A Alca e a criminalização dos movimentos sociais“ abordou a importância do encontro do ponto de vista do combate à repressão: “Nossos inimigos de classe reúnem-se constantemente para discutir qual a melhor maneira de nos reprimir, como atacar o movimento, como perseguir seus dirigentes, como criminalizar os protestos sociais. Aqui, nós tivemos a rara oportunidade de nos reunirmos para discutir como responder a este ataque, como nos defender diante da repressão do Estado burguês“.

Agora é organizar o plebiscito

Eliana Koti, diretora do Sindicato dos Servidores Municipais de Bauru e uma das coordenadoras do encontro, resumiu o sentimento dos participantes: “Realmente foi muito gratificante poder reunir mais de 150 companheiros para debater um tema tão importante como este, mesmo que algumas delegações, como as de Franco da Rocha, Sumaré, Ribeirão Preto, Guarulhos e Osasco não possam ter vindo, ou por falta de dinheiro ou por que estavam envolvidos em mobilizações locais. Foi um esforço muito grande para todos nós, tivemos dificuldade para juntar dinheiro, amarrar palestrantes e garantir as viagens, mas valeu a pena. Ainda mais, porque recentemente o movimento rural na região sofreu um forte ataque, com a prisão de três companheiros por mais de 60 dias. Com o encontro demonstramos para o latifúndio e os políticos patronais que não estamos isolados, e que, se houver mais ataques, teremos solidariedade e apoio do Estado e de todo o país“.
Realmente, o encontro foi um sucesso, ainda mais por ser uma experiência pioneira. O ponto negativo foi que a direção do Partido dos Trabalhadores de Bauru não participou nem da organização e nem dos debates, seguindo a política da direção nacional.
No final, o encontro serviu para organizar e preparar o plebiscito sobre a Alca durante a Semana da Pátria em cada região. Houve reuniões setoriais onde ocorreram discussões sobre balanço de atividades e concretização de tarefas para os dias de votação.
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