Greve da construção civil de Belém termina com vitória histórica

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Foto: Romerito Pontes

 
Após 15 dias de paralisação, os operários e operárias da construção civil de Belém, Ananindeua e Marituba (PA) encerraram a greve. A força dos trabalhadores conseguiu dobrar a intransigência da patronal, que não queria negociar, e conquistou vitórias históricas para a categoria. Além do reajuste salarial de 7% e do aumento de 7% na PLR, a patronal foi obrigada a conceder a cesta básica no valor de R$ 40, inclusive para aqueles que adoecerem e apresentarem atestado médico em até 48 horas.
 
Ao somar o índice do reajuste salarial com o valor da cesta básica, o índice de reajuste total fica em torno de 11% e 12%. “Essa é a prova da força que nós temos. A patronal teve que se curvar diante da nossa categoria e isso prova que é preciso lutar e é possível vencer”, disse Antônio Francisco, o Zé Gotinha, dirigente do sindicato dos trabalhadores. Para comemorar, os trabalhadores saíram numa “caminhada da vitória” que terminou em frente à Praça do Operário.
 
A intransigência do sindicato patronal (Sinduscon) também foi vencida em relação aos dias parados. A direção da patronal afirmava que não negociaria os dias e que descontaria de uma só vez. Entretanto, diante da pressão da greve, os patrões tiveram de recuar. Os trabalhadores também se recusaram a repor os dias parados (o que geralmente faziam trabalhando aos sábados) e todos os dias serão descontados. Os descontos serão divididos em oito meses e não afetarão férias, PLR, cesta básica e 13º.
 
“Nós não vamos baixar a cabeça para os patrões. Se eles querem descontar do nosso salário os dias que passamos lutando, tudo bem. Mas nós não vamos trabalhar aos sábados de graça para eles. Se for preciso, nós faremos hora extra, mas eles não vão mais nos humilhar dessa forma”, disse Ailson Cunha, diretor licenciado do sindicato e candidato a deputado estadual pelo PSTU.
 
Cesta básica
A categoria luta pela cesta básica há quatro anos. Mesmo depois de muitas greves, paralisações e passeatas, a patronal insistia em negar esse direito básico aos trabalhadores. “Nós ganhamos pouco e sentimos no bolso o preço dos alimentos. Nós não estamos pedindo migalhas, queremos o que é nosso, de fato”, dizia o operário Rubinaldo, conhecido nas obras como Babu.
 
 Em agosto deste ano, uma pesquisa divulgada pelo departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) revelou que o preço da cesta básica paraense custava R$ 301,52, o que equivale a cerca de 45% do salário mínimo atual. Para uma família composta por dois adultos e duas crianças, por exemplo, seria necessário R$ 904,56 para garantir as mínimas necessidades do trabalhador e sua família, somente em relação à alimentação.
 
De acordo com a proposta inicial da patronal, a cesta básica seria no valor de R$ 30. Para tentar deter a greve, os patrões aumentaram a proposta para o valor de R$ 40, com o critério de corte do direito caso os trabalhadores faltassem ao trabalho, mesmo apresentando atestado médico. Mais uma vez, os trabalhadores dobraram os patrões que foram obrigados a conceder a cesta básica no valor de R$ 40, inclusive para aqueles que adoecerem e apresentarem atestado médico em até 48 horas.
 
“Os patrões, que não investem em segurança nos canteiros de obra, queriam que fôssemos trabalhar doentes, mas tiveram que recuar. 2014 será um ano que entrará para a história desse sindicato. Com a nossa força, mulheres e homens, ombro a ombro, enfrentamos a dureza da patronal, a tentativa de criminalização dos governos e da polícia e arrancamos essa vitória”, afirmou Daniele Schusterschitz, da secretaria de mulheres e diretora do sindicato.
 
Vitória salarial tem que ser vitória política
Desde o início do ano, os operários e operárias da construção civil realizaram inúmeras passeatas para pressionar os patrões e as conquistas concretizadas com o fim da greve demonstraram a força dos trabalhadores. Apesar de importante, nossa luta não pode ser apenas por melhores salários. “Nosso estado é governado pelos patrões, empresários, banqueiros… são eles os responsáveis por nossos salários de fome, pela falta de médicos nos hospitais e pelas péssimas condições dos transportes”, disse Cleber Rabelo, operário, atual vereador de Belém e candidato a deputado federal.
 
É por isso que, nessas eleições, o PSTU apresenta candidaturas operárias e socialistas para fortalecer a luta dos trabalhadores. “Com ou sem eleição, nós, do PSTU, estamos presentes nas lutas e nas greves ao lado dos operários da construção civil. E por isso, contamos com essa categoria para eleger o primeiro peão de obra, deputado federal. Chega de votar em patrões. Trabalhador vota em trabalhador”.