Encontro Nacional resgata o Hip Hop como ferramenta de resistência do povo negro

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Encontro ocorre até o dia 4 de abril
Foto: Diego Cunha

O I Encontro Nacional do Movimento Hip Hop Militante Quilombo Brasil (MHMQB), filiado a CSP-Conlutas, acontece em São Luis-MA

Teve início no segundo dia de abril o I Encontro Nacional do Movimento Hip Hop Militante Quilombo Brasil (MHMQB) em São Luis-MA. Filiado a CSP-Conlutas, o MHMQB é uma entidade político-cultural nacional que utiliza os elementos do hip hop como ferramenta de conscientização e mobilização da juventude negra e pobre da periferia para lutarem contra a exploração e toda forma de opressão.

Participam do encontro, delegações da BA, CE, DF, MA, PA, PI, RJ, SC e SP. No primeiro dia, a mesa de abertura contou com apresentações de videoclipes de grupos de Rap participantes do encontro, saudações de representantes de entidades combativas como APRUMA, ANEL, MML, Sindicato dos Bancários e do Jornal Vias de Fato que denunciou o aumento da mortalidade da juventude negra e periférica nos 3 meses iniciais do Governo de Flávio Dino (PcdoB) no Maranhão. Fruto de uma política que garante a todo policial militar que cometer atos infracionais em serviço um advogado custeado pelo Estado, o governo do PCdoB na prática tem dado uma “Carta Branca” para os policiais cometerem crimes nas periferias e endurecerem a repressão às manifestações.

 
 
Após as saudações, teve início um debate de conjuntura com Helena Silvestre do Luta Popular.  Ao final de algumas falas e depoimentos emocionantes, a mesa de abertura se encerrou com punhos erguidos e o grito de “Nas ruas, nas lutas, quem disse que sumiu? Hip Hop Militante Quilombo Brasil”. À noite foi o momento do baile de abertura com shows do grupo local Raio-X Nordeste e o MC baiano Diego 157.
 
O I Encontro Nacional do MHMQB acontece nos marcos de uma grave crise econômica no país. O ano já começou com uma série de ataques do Governo Dilma a uma série de direitos dos trabalhadores, e a juventude negra e pobre sente os efeitos com mais força. O genocídio do povo negro na periferia só avança e o Congresso Nacional está pautando a redução da maioridade penal. Isso só intensificará essa matança. Se torna necessário resgatar o hip hop como ferramenta dessa juventude para ajudar a transformar o mundo e reverter o processo de cooptação promovido pelo governo que transformou as organizações de Hip Hop em ong’s e silenciou o grito da periferia que se ouvia nas letras de rap.