Zé Maria: “É preciso uma candidatura que exija o fim da ocupação militar”

José Maria de Almeida, o Zé Maria, é o primeiro pré-candidato a presidente da República a visitar o Haiti. Ele viaja no dia 30 de março. Durante quatro dias, até 3 de abril, ele percorre o país, conhecendo a situação dos haitianos após o terremoto e reunindo-se com representantes de sindicatos e movimentos sociais. Zé Maria integra uma comissão da Conlutas, com sindicalistas do Andes-SN e do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos. Antes de viajar, Zé Maria conversou rapidamente com o Opinião Socialista.

Opinião – Você é o primeiro pré-candidato a visitar o Haiti. Qual a importância desse tema nas eleições?
Zé Maria
– Precisamos dar visibilidade ao Haiti na campanha eleitoral fazer com que as eleições sejam um momento de fortalecimento desta luta. As candidaturas do PSTU estarão a serviço disso. Enquanto Dilma e Serra defendem as tropas e outros se calam, é preciso uma candidatura que exija claramente o fim
da ocupação.

Quando lutamos pela retirada das tropas brasileiras, além de manifestarmos nossa solidariedade, lutamos para que o Brasil pare de agir como jagunço do império do Norte. É o rumo do nosso país que também está em jogo.

Os próprios comandantes confirmam que um dos objetivos da ocupação é treinar a tropa para atuar nos morros. É uma preparação para enfrentar rebeliões do nosso próprio povo. No Haiti, reprimem o povo negro. Aqui, a PM entra nas casas dos trabalhadores e invade a favela no caveirão.

O governo fala em manter as tropas. Quais os interesses envolvidos?
Zé Maria
– As tropas estão lá como braço armado de empresas dos EUA, Canadá, França e, agora, também do Brasil. Querem que os haitianos aceitem produzir para estas empresas, em troca do salário mais baixo das Américas. Prova foi o papel repressivo das tropas na greve dos operários têxteis.

A subserviência do governo Lula permitiu que nosso país chegasse a esta situação. Chefiar tropas estrangeiras em um país soberano é uma vergonha, uma das expressões mais evidentes do papel subalterno do Brasil.

A viagem também servirá para entregar a ajuda da Conlutas. Como foi a campanha?
Zé Maria
– Desde o terremoto, iniciamos uma campanha de solidariedade, com forte conteúdo classista, recolhendo fundos para ajudar os trabalhadores do Haiti na reconstrução, mas também para fortalecer a sua luta para se libertar da espoliação que o imperialismo tem imposto. A campanha é vitoriosa, pela contribuição das entidades e da base – em muitas fábricas os trabalhadores descontaram 1% do salário. Nesta visita vamos fortalecer os laços com Batay Ouvriye e consolidar as bases para a segunda fase da campanha que, a partir de agora, será centrada na defesa da retirada das tropas.

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