Voto na PEC 53 fez o jogo da direita

A votação da PEC-53 foi uma prova para a esquerda do PT. Babá, Luciana Genro, Lindberg e outros criticaram a PEC, mas na hora H votaram a favor da emenda.
O “enquadramento dos radicais”, como alardeou a mídia, foi comemorado pela Federação Brasileira dos Bancos e pelo governo. Não por acaso. A vitória do governo foi a vitória do FMI, dos banqueiros, do capital.

Os expoentes da esquerda petista justificaram seu voto com diferentes argumentos. Lindberg Farias, por exemplo, tentou apresentar essa votação como uma vitória dos trabalhadores e uma derrota da burguesia.

Segundo essa versão, tanto a autonomia do BC, como a aprovação do PL-9 estariam mais difíceis depois da votação. Dito de outro modo, a capitulação de toda esquerda à uma proposta do FMI teria dificultado o avanço do restante do projeto do FMI. Diz Lindberg: “Nós demos um passo atrás em relação à emenda (…). Mas conseguimos dois passos à frente na luta contra a autonomia do Banco Central”. (JB)

Isso não é verdade. Tal argumento além de tudo é desonesto, porque serve para confundir e desmobilizar os trabalhadores. A votação da PEC fortalece o governo, o FMI e o conjunto das reformas, inclusive, a reforma da Previdência e o PL-9 que segue em pauta. Quem votou na PEC-53 votou contra os servidores e contra todos os trabalhadores.

Outros, como Luciana e mesmo Babá, reconhecendo que tal votação é uma derrota da classe, argumentam que capitularam desta vez porque este é um tema que não sensibiliza o movimento de massas. E como as massas não têm consciência do seu significado, seria “tático” evitar um confronto que pudesse precipitar uma expulsão do PT num tema que não sensibiliza os trabalhadores. Declararam que votarão contra o PL-9 e a autonomia do BC. Esperamos que, de fato, isso aconteça.

Porém, a maior ou menor consciência dos trabalhadores em relação aos projetos do imperialismo, do capital e do governo não pode justificar esse voto. Se essa razão vale para a PEC-53, poderia valer também para o PL-9, já que, por enquanto, apenas um setor minoritário dos trabalhadores – o funcionalismo público – tem consciência do seu significado. Aliás, sobre as reformas de conjunto, segundo as últimas pesquisas apenas 5% têm idéia do que elas significam.

Ao votar, mesmo fazendo críticas, a esquerda minimiza a gravidade de tal medidas perante os trabalhadores, não contribuindo em nada para que se avance a consciência contra o projeto imperialista que o governo Lula vem defendendo e aplicando.
Esse voto presta-se à desorganização, confusão e desmobilização dos trabalhadores. Não contribui em nada para o “acúmulo de forças” da classe, porque acúmulo de forças é avanço na consciência, organização e mobilização.

Resta, enfim, o argumento de evitar a expulsão do PT. Segundo Lindberg, romper a disciplina partidária seria fazer o jogo dos “falcões” do PT que queriam expulsar a esquerda. De fato, esses companheiros evitaram sua expulsão. Porém, não é verdade que não fizeram o jogo da maioria do PT e do governo, que queriam que ocorresse exatamente o que ocorreu: o PT unido no voto em torno das reformas prometidas ao FMI.

A esquerda não está mais forte depois da capitulação. O “enquadramento” é vitória da burguesia, do governo e da direção do PT.

Post author Mariúcha Fontana,
da redação
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