Professor Taylan Santana, Feira de Santana (BA)

Teve início nesse dia 19, a vacinação contra o coronavírus na Bahia. Após a aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) da vacina Coronavac, produzida pelo Instituto Butantan (São Paulo) em parceria com a farmacêutica Sinovac (China), mais de 370 mil doses chegaram a Salvador e estão sendo distribuídas para os municípios da Bahia.

Sem dúvidas, a chegada da vacina representa de fato um grande passo na luta contra uma das mais graves pandemias enfrentadas na história da humanidade. Celebramos, portanto, essa grande vitória contra o negacionismo e as teorias conspiracionistas antivacina, além das políticas de ataques ao Sistema Único de Saúde (SUS) desferidos pelo governo Bolsonaro e demais governos nos estados e municípios.

Vacina: um direito conquistado

Com quase 100 milhões de casos de coronavírus e mais de 2 milhões de mortos pela Covid-19 em todo o mundo, a vacina é o grande escape em meio a situação de catástrofe que assola a humanidade. Por sua vez, diversos governantes tentam se utilizar da vacina como um trunfo pessoal, em um jogo político para fins eleitoreiros. Escondem com isso, que as dificuldades com a demora para o lançamento da vacina é um sintoma escancarado do caráter desumano do capitalismo, que precariza a ciência e a saúde pública, e investe tudo naquilo que se transforma em mercadoria em prol apenas de lucros para uma minoria de bilionários do planeta.

No Brasil, longe de ser um presente do governador João Dória (PSDB) ou das instituições burguesas, o início da vacinação é um direito conquistado e garantido pelo SUS, fruto do apelo das massas contra a política de morte em curso na pandemia. Trata-se de uma grande vitória da saúde pública, que, a despeito de todo o processo de sucateamento e precarização dos governos, é a grande responsável pela garantia da saúde para todos.

Comprometidos com os lucros dos patrões acima de tudo, esses governos negligenciaram todos os protocolos científicos, e empurraram a grande massa dos trabalhadores e trabalhadoras na linha de frente da barbárie capitalista, seja nos locais de trabalho no comércio, no transporte público e nos serviços não essenciais. Agora, com o agravamento do desemprego e da miséria no país, ainda retiram o auxílio emergencial para os mais pobres, enquanto mantém os bilhões para os mais ricos com o pagamento da dívida pública.

Nesse sentido, encampamos desde o princípio a necessidade da luta unificada contra esses governos, com a defesa da garantia de salário e saúde de qualidade para a nossa classe, com vacina já para a toda população. Reivindicamos também uma ampla vacinação em todo o território nacional, defendendo a aplicação em massa da vacina para todo o nosso povo. Ao mesmo tempo, denunciamos com toda veemência a irresponsabilidade do governo Bolsonaro e demais governos da burguesia nos estados e municípios, quanto ao grande atraso e descompromisso com a aplicação da vacina em nosso país.

Mais do que nunca, também precisamos exigir para já uma ampla cobertura da vacinação. A quantidade de doses da Coronavac a serem aplicadas em todo o Brasil, nesse primeiro momento emergencial, é um número ínfimo de 6 milhões de doses, insuficientes para a nossa demanda populacional. Esse imenso déficit entre a demanda demográfica e a oferta da vacinação é o alarme da política criminosa que os governos, a serviço dos mais ricos, têm aplicado no Brasil. Negligenciaram a ciência e fizeram descaso com as nossas vidas nessa grave crise humanitária.

Como agravante, o Governo Federal não se comprometeu com o investimento à imunização e muito menos se preparou para a cobertura da vacina. Apostando no negacionismo, fake news e narrativas conspiracionistas, Bolsonaro além de tentar negar a qualidade da vacina Coronavac, reconhecida e atestada pelos organismos internacionais de saúde, ainda encampou uma patética disputa com o governador Dória de São Paulo em torno do início da vacinação no Brasil.

Ademais, o incompetente ministro da saúde, general Eduardo Pazzuelo, como um capacho de Bolsonaro, cometeu diversos crimes de responsabilidade com atrasos nas entregas das doses da vacina, falhas de negociação com os insumos para a produção da vacina e o déficit de materiais de saúde como oxigênio e seringas no Brasil. Enquanto isso, os números dos contaminados e mortos pela pandemia segue em escalada galopante no Brasil, com mais de 8 milhões de casos e 210 mil mortes pela Covid-19, e cenas aterrorizantes como vistas em Manaus que ameaçam todo o país.

Por uma ampla vacinação na Bahia!

Com um cenário alarmante da pandemia, a Bahia possui atualmente mais de 540 mil casos, quase 10 mil mortes pela Covid-19 e uma taxa de ocupação de leitos de UTI para adultos contaminados que beira os 75%. Nesse cenário alarmante da pandemia, a vacina Coronavac chegou a Salvador na segunda-feira (18), e a primeira aplicação ocorreu na manhã ontem (19/01), com distribuição para os municípios baianos.

Em toda a Bahia, chegaram mais de 370 mil doses da vacina, o que representa apenas 10% da população da fase 1, que inclui apenas aqueles que estão diretamente ligados ao atendimento da Covid e os idosos que vivem nos asilos, nos abrigos e nas instituições de longa permanência. Como tem ocorrido em demais estados, a insuficiência de doses tem levado a uma fragmentação ainda maior da população a ser imunizada nesse primeiro momento, gerando uma escassez de vacinas ainda para os grupos da primeira fase.

É urgente que ocorra um exercício de uma grande força-tarefa dos municípios e o governo do estado, para a ampliação imediata da quantidade de doses para todo o conjunto da nossa população. Exigimos do governador Rui Costa (PT), todo o esforço político com a negociação de demais vacinas reconhecidas e atestadas pela OMS, como a Sputinik, e aquisição de doses suficientes para a imunização no estado. Também se faz necessário a ampliação de leitos para pacientes com Covid-19, e serviços de prevenção com distanciamento e seguridade social para a nossa classe trabalhadora.

Além dos grupos prioritários, como os trabalhadores da saúde e a população idosa, é preciso que a cobertura vacinal abarque o mais rápido possível toda a nossa classe trabalhadora, em especial os setores mais precarizados e oprimidos: a população negra e periférica, as comunidades quilombolas e indígenas, trabalhadores de serviços essenciais e informais, população em situação de rua, enfim, toda a nossa classe precisa de vacina o mais rápido possível para fortalecer desde já a nossa luta pelo Fora Bolsonaro e Mourão!

Fora Bolsonaro e Mourão!

A aplicação da vacina, iniciada ainda no domingo (17/01), foi resultado de uma grande mobilização das massas, que, horrorizada com as cenas de pura calamidade em Manaus, tem gritado por “Fora Bolsonaro e Mourão” e “Vacina Já, para toda a população!” Nos somamos com toda a nossa força nessa campanha, pois a superação da pandemia do coronavírus perpassa, sobretudo, pela queda de Bolsonaro e todo o seu governo genocida que impõe a morte como política de Estado.

Para evitarmos o agravamento dessa barbárie que já vivemos é necessária uma ampla cobertura vacinal para toda a população, com medidas concretas de prevenção ao coronavírus e garantia de emprego, renda e saúde para toda a nossa classe trabalhadora. Para isso, precisamos pressionar os prefeitos e governadores, unificar as lutas pelo Fora Bolsonaro e Mourão, para botar pra fora toda a corja desse governo da morte. Somente assim, avançaremos no combate dessa pandemia, em uma luta direta contra o capitalismo, e pela construção de uma sociedade socialista que possa oferecer vida plena e dignidade à nossa classe.