Uma história de resistência

O município de Alcântara tem cerca de 20 mil habitantes e ocupa 120 mil hectares no litoral maranhense, a 22 km (de barco) de S. Luis. Habitada originalmente por índios Tupinambás e ocupada pelos franceses até 1616, a região tornou-se uma área de produção de algodão e cana-de-açúcar até o século XIX, o que implicou na presença de um enorme contingente de negros escravizados.
Por volta de 1830, o aprofundamento da crise econômica, causada pela queda do preço do açúcar, e por uma profunda crise política no Império deram origem a uma série de rebeliões em todo país. Foi nessa época que aconteceram movimentos como a Cabanagem (Pará, 1835-1840), a Revolução Baiana (1833), a Revolta dos Malês (Salvador, 1835) e a Guerra dos Farrapos (Rio Grande do Sul, 1835-1845).
Grande parte dessas rebeliões tinha à sua frente o povo marginalizado e explorado. No caso do Maranhão, dentre os dirigentes da Balaiada, uma revolta que envolveu cerca de 20 mil pessoas, ocorrida de 1838 a 1841, destacou-se o Negro Cosme, um líder quilombola que lutou até a morte contra a opressão colonial. Alcântara, na época, já era terra quilombola e seus habitantes, certamente, envolveram-se na luta contra as tropas do genocida Duque de Caxias.
Foi esse espírito de luta que marcou a resistência contra o Centro de Lançamento de Alcântara (vide artigo) e, hoje, é fundamental para organizar a luta contra a entrega do território para os EUA.
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