Transferir negociações para OMC não faz diferença

Com as negociações emperradas, devido a posição de EUA e União Européia em manter a proteção e os subsídios aos seus setores agrícolas e exigir como moeda de troca enormes concessões para acessar os mercados dos países subdesenvolvidos, a 5ª reunião ministerial da Organização Mundial do Comércio está quase fadada ao fracasso.

Organizada para realizar-se entre os dias 10 e 14 de setembro, a reunião tratará de avançar naquilo que na última, e por sinal também fracassada, Rodada Uruguai operou: propriedade intelectual ou patentes, medidas de investimento vinculadas ao comércio internacional e o acordo geral de comércio e serviços.

A OMC não é uma luta entre países pobres e ricos e não há possibilidade de êxito em suas negociações. Negociar na OMC é implementar as mesmas medidas da Alca, mudando apenas os ritmos em troca de outros acordos. Lula deveria se retirar da OMC e das negociações da Alca, suspender o pagamento da dívida e conclamar as nações latino-americanas a seguirem este caminho.

Uma segunda Seattle

O clima estará tenso em Cancún e espera-se uma nova Seattle. Milhares de pessoas estarão se aglutinando para, em um grande ato, barrar os acordos da OMC. Entre os dias 9 e 13 de setembro, mobilizações populares contra a 5ª reunião e a globalização capitalista estarão acontecendo em diversos países e várias organizações camponesas prometem bloquear grandes vias para demonstrar seu repúdio à entrega da soberania.

Post author Yuri Fujita, de São Paulo (SP)
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