Trabalhadores norte-americanos contra a guerra

Os cerca de 33 ataques diários às tropas de ocupação no Iraque têm provocado mais do que as mortes dos soldados. Nos EUA, cresce a insatisfação com a guerra e os trabalhadores estão cada vez mais presentes na campanha contra as mentiras de Bush e a crise econômica. No final de semana do dia 17 de outubro, em Chicago, uma conferência reuniu dirigentes e organizações do movimento sindical para discutir a campanha contra a ocupação do Iraque.

O comitê nacional “Trabalhadores norte-americanos contra a Guerra” reúne cerca de 50 sindicatos locais, sindicatos nacionais, conselhos de trabalhadores e, por enquanto, se organiza em 16 comitês regionais. Um dos objetivos é fazer a conexão entre a ocupação do Iraque e as consequências para os trabalhadores, como maior repressão aos imigrantes, e o corte de direitos sociais e civis.

O movimento exige do governo o fim da ocupação no Iraque e em outros países e a inversão dos gastos militares para áreas sociais. Defende ainda que apoiar as tropas norte-americanas, como conclama o governo, significa trazê-las imediatamente para casa e garantir suporte necessário para as famílias.

A exigência da proteção aos direitos dos trabalhadores e dos imigrantes consta entre as resoluções, denunciando qualquer tipo de discriminação, seja étnica, racial ou religiosa.

A luta pelos direitos dos trabalhadores iraquianos também integra as resoluções da conferência. Após a ocupação do país, 70% perderam seus empregos. Os que trabalham perderam os beneficios, como alimentação e moradia.

“Dos U$ 87 bilhões liberados pelo Congresso para a reconstrução do Iraque, nenhum centavo foi direcionado para a geração de emprego ou benefícios ao povo”, denuncia uma das participantes da conferência, a trabalhadora metalúrgica Dianne Feeley, que integra o Comitê pela Paz e Justiça de Detroit.

O movimento também exige a revogação imediata da lei promulgada por Saddam Hussein em 1987, a qual proíbe negociações através de sindicatos no setor público (a maior parte das empresas são públicas no Iraque), além da proibição de greves, com graves punições para quem o fizer. Embutida nesta exigência está a importância das lutas contra as privatizações das empresas, anunciadas por autoridades norte-americanas no país.

Dirigentes sindicais norte-americanos devem ir ao Iraque para promover debates com os trabalhadores sobre a reorganização do movimento. Segundo Dianne, o movimento contra a ocupação no Iraque tende a crescer nos Estados Unidos. “Pretendemos levar esta discussão para os locais de trabalho. O governo começa a cair em descrédito devido as justificativas mentirosas para invadir o Iraque”.