Trabalhadores em greve dos Correios em greve ocuparam Brasília nesta segunda-feira, 21, em mais uma mobilização nacional da categoria. Os ecetistas acompanharam o julgamento do dissídio da greve no Tribunal Superior do Trabalho (TST).

Já são mais de 30 dias de uma forte greve que combinou a luta em defesa dos direitos do Acordo Coletivo da categoria, que o general Floriano Peixoto e Bolsonaro querem destruir, com a luta contra a privatização dos Correios, que o governo quer concretizar ainda este ano.

Diante da intransigência e brutal ofensiva da direção da empresa e do governo, os trabalhadores responderam com unidade e muita disposição de luta. Ao longo do último mês, piquetes, passeatas, assembleias, manifestações fizeram o dia a dia da greve.

É preciso destacar momentos fundamentais da nossa greve, com a determinação e dedicação de cada piqueteiro de base durante todo esse processo. A unidade, na luta, das duas federações e de todos os sindicatos e a combinação da luta em defesa dos nossos direitos com a luta contra a privatização dos Correios”, avaliou o dirigente da Fentect e da Executiva Nacional da CSP-Conlutas, Geraldinho Rodrigues.

Ocupar Brasília nesta segunda-feira é uma necessidade e um grande acerto político da Fentect, da CSP-Conlutas, CUT e outras organizações do movimento. Afinal, sabemos que não podemos ter confiança ou ilusão no TST e, por isso, a mobilização dos trabalhadores segue sendo fundamental”, completou o dirigente.

TST ao lado do governo

O julgamento do TST não declarou abusiva a greve como pretendia a direção da ECT, e ainda manteve a cláusula de reajuste de 2,6%. No entanto, como alertou Geraldinho em não poder confiar nessa justiça, manteve também a retirada da maior parte das cláusulas do Acordo Coletivo.

A postura da direção da empresa nesse processo é tão absurda que a própria relatora do caso, a ministra Kátia Arruda, afirmou que foi a primeira fez que viu uma empresa propor a retirada de todas as cláusulas e direitos. Além de destacar a absoluta intransigência da direção da empresa em negociar, a ministra registrou que a empresa teve lucro no último período. “A Empresa de Correios e Telégrafos entendeu que não deveria haver nenhum benefício para os trabalhadores, que são o maior capital que ela possui“, afirmou.

Infelizmente, prevaleceu no plenário a posição do reacionário ministro Ives Gandra Filho, capacho de Bolsonaro e defensor da destruição dos direitos trabalhistas. O ministro votou pela retirada da quase totalidade das cláusulas do acordo, como queria o governo e o presidente dos Correios, general Floriano Peixoto.

O próprio presidente da ECT deu entrevista ao UOL poucos dias antes do julgamento, afirmando que o processo de privatização da empresa já estava em pleno andamento. O governo já teria contratado uma consultoria para provar a “viabilidade” da estatal e estaria elaborando um Projeto de Lei para enviar ao Congresso a fim de vender a empresa centenária. O ministro Fabio Faria, genro de Silvio Santos, já teria dito que cinco multinacionais estariam de olho nesse filão.

Na hora de negociar com os trabalhadores, a direção da ECT e o governo choram as pitangas e dizem que têm prejuízo. Mas o mesmo governo lota o alto escalão com militares de pijamas ganhando salários de até R$ 46 mil. Um verdadeiro cabide para marajás enquanto os carteiros sofrem com um salário inicial de R$ 1700, além de estarem no ranking das doenças ocupacionais, sem falar nas mais de 100 mortes pela COVID-19. E para os investidores, por outro lado, confessam que a empresa é lucrativa, além de contar com uma logística invejada por todas as grandes multinacionais do setor.

Fica cada vez mais escancarado o plano do governo enxugar ainda mais os custos da empresa com mão-de-obra a fim de entregá-la ao capital internacional, parte da política entreguista de Guedes e Bolsonaro. O resultado disso será mais desemprego, menos direitos e serviços piores e mais caros. Motivo mais do que suficiente para que a classe trabalhadora de conjunto preste apoio incondicional à heroica luta dos trabalhadores dos Correios e contra a privatização da estatal.

*Com informações e imagens da CSP-Conlutas e UOL