Trabalhadores da GM retomam greve por reajuste salarial

Mobilização é resposta à intransigência da montadora, que se recusa a aumentar reajuste e demitiu diretoresIndignados com a intransigência da General Motors nas negociações da campanha salarial, os metalúrgicos de São José dos Campos retomaram a greve na montadora nesta quarta-feira, dia 16. A decisão foi tomada em assembleias, que reuniram cerca 4 mil trabalhadores do 1º turno, nas portarias do MVA e da S10.

Nas assembleias, o sindicato informou aos trabalhadores o resultado da audiência de conciliação ocorrida no dia de ontem entre a GM e o sindicato, no Tribunal Regional do Trabalho da 15ª região, em Campinas. A audiência terminou em impasse, uma vez que a montadora se recusou a aumentar a proposta de reajuste salarial.

Pior do que isso. Numa medida antidemocrática e antissindical, no mesmo dia da audiência de conciliação, a GM demitiu dois diretores sindicais, Sebastião Francisco Ribeiro e Eliane dos Santos. Os dirigentes foram afastados para “apuração de falta grave”, claramente com o objetivo de intimidar os trabalhadores e o sindicato.

Os metalúrgicos repudiaram a postura da empresa e aprovaram o retorno da greve, com a exigência de que a GM atenda as reivindicações da campanha salarial e reverta a suspensão dos diretores. A paralisação desta quarta é a terceira realizada desde o último dia 10. Às 14h, o sindicato realiza assembleia com os trabalhadores do 2º turno.

Os trabalhadores reafirmaram também um chamado aos funcionários da GM de São Caetano do Sul para que iniciem paralisações para aumentar a pressão sobre a empresa. Em assembleia, os trabalhadores de São Caetano também rejeitaram a proposta das montadoras na última segunda-feira.

Na região de Campinas, metalúrgicos da Toyota e Honda conquistaram, após 24 horas de greve, reajuste de 10% (INPC + 5,32% de aumento real). A mobilização e vitória dos trabalhadores impulsionam a campanha salarial de toda a categoria.

Negociação já!
Na audiência de ontem, o desembargador Luiz Antonio Lazarim, vice-presidente do TRT, determinou que a GM se reúna com o sindicato para que novas propostas sejam levadas à nova audiência marcada para esta sexta-feira, dia 18, às 14h. A GM ainda não se manifestou sobre uma data para a reunião.

A última proposta apresentada pelo Sinfavea (Sindicato dos Fabricantes de Veículos Automotores) foi de 6,53%, sendo 4,44% de INPC, aumento real de 2% e abono de R$ 1.500. Os trabalhadores reivindicam 14,65% de reajuste, sendo 8,53% de aumento real, baseado em diferenças com perdas inflacionárias e aumento da produtividade das empresas.

“Apesar do aumento das vendas registrado nos últimos meses e do altíssimo ritmo de trabalho que está sendo imposto, principalmente após as demissões, a GM mantém uma postura intransigente. Os trabalhadores estão impacientes com tanta provocação. Se não houver avanço nas negociações, a paralisação será por tempo indeterminado”, afirma o diretor do Sindicato e representante nacional da Conlutas, Luiz Carlos Prates, o Mancha.

A demissão dos dois dirigentes pela GM também é gravíssima. De acordo com o advogado do Sindicato, Aristeu Pinto Neto, a GM cometeu três ilegalidades ao demitir os diretores. “Em primeiro lugar, é proibido realizar qualquer demissão durante período de greve; segundo, eles não poderiam ser demitidos porque têm estabilidade como dirigentes sindicais; terceiro, as demissões ocorreram momentos antes da audiência de conciliação, em que se pressupõe uma tentativa de acordo. A GM desrespeitou as três regras, e isso é inadmissível”, afirma Neto.

Outros setores
Na próxima sexta-feira, haverá novas rodadas de negociação com os setores de autopeças, eletroeletrônicos, máquinas, fundição, trefilação, refrigeração, laminação e materiais ferrosos. Até agora, esses setores ofereceram zero de aumento real.

As mobilizações em fábricas destes setores também serão intensificadas nesta semana.