TESES: A construção da Conlutas e a reorganização

A unificação da Conlutas com a Intersindical e outros setores fortalece a luta estratégica por uma alternativa de direção dos trabalhadores e movimentos sociais brasileirosTeses para o Congresso de Unificação da Classe Trabalhadora – Parte 1: Conjuntura e reorganização

O governo Lula inaugurou um processo profundo de cooptação das principais direções sindicais e dos movimentos sociais. A CUT e a UNE se transformaram em correias de transmissão do governo. E traíram lutas importantes, como a greve contra a reforma da Previdência. Por isso, também houve ruptura de amplos setores de vanguarda e de setores minoritários de massas com estas entidades, especialmente com a CUT.

Vimos o nascimento da Conlutas, em 2004. Esta vem se construindo como entidade nacional de frente única, que busca unificar e coordenar as lutas dos trabalhadores e do conjunto dos explorados e oprimidos.

Pela primeira vez em nosso país, se buscou organizar em uma mesma entidade os sindicatos e oposições sindicais, e também movimentos populares, estudantil e os de luta contra as opressões que possuem uma orientação classista e defendem uma luta comum com a classe trabalhadora.

Apesar deste caráter, que vai além do movimento sindical, a Conlutas se construiu também como central sindical que, mesmo minoritária entre os trabalhadores, esteve nas principais lutas nestes seis anos.

Não defendemos que os ativistas que enfrentam os ataques do governo e as centrais governistas estão somente na Conlutas. Justamente por isso, desde o seu primeiro congresso, a Conlutas propõe para a Intersindical e outros setores a construção de uma mesma entidade nacional. O objetivo é fortalecer a tarefa estratégica de uma alternativa de direção para os trabalhadores e movimentos sociais brasileiros.

Felizmente, a partir da plenária que ocorreu no Fórum Social Mundial de Belém, em janeiro de 2009, se iniciou a discussão para unificar na mesma entidade a Conlutas, a Intersindical e outras importantes organizações como o MTL, o MTST, o MAS e a Pastoral Operária de São Paulo.

As discussões coletivas que aconteceram desde então apontaram a construção de uma entidade nacional de frente única que tenha como estratégia a luta contra o capitalismo e a defesa do socialismo, que priorize a ação direta como principal forma de luta, que seja totalmente independente política e financeira do Estado, dos patrões e de seus governos e que seja autônoma dos partidos.

Mas, apesar dos importantes acordos políticos e programáticos, ainda persistem polêmicas importantes que serão resolvidas pelo voto dos delegados, eleitos nas assembleias.

Polêmicas relacionadas, principalmente, ao caráter, ao funcionamento e à direção da nova organização.

Nossa proposta é que participem de forma plena não só o movimento sindical, mas também o movimento popular, o movimento estudantil e os movimentos de luta contra as opressões.

Em relação às deliberações da nova organização, propomos que o movimento estudantil e os de luta contra as opressões tenham um peso de 5%, para expressar que a classe trabalhadora é o centro desta nova organização. Mas também para não abandonarmos a conquista que tivemos com a Conlutas de reunir estes movimentos classistas e combativos.

Sobre o funcionamento e a direção, defendemos manter a Coordenação Nacional de Entidades, com o funcionamento que hoje temos na Conlutas, garantindo que sejam os representantes diretos das organizações de base que definam os rumos políticos e organizativos.

Para encaminhar as deliberações da Coordenação Nacional de Entidades, defendemos uma Secretaria Executiva Nacional subordinada a ela, formada pelos representantes das entidades, com mandatos revogáveis e eleita a partir da proporcionalidade qualificada.

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