O governo Lula e as tarefas dos movimentos sociais

O congresso deve discutir um programa anticapitalista, que enfrente a política econômica do PT e da oposição de direita. E apresentar esse programa aos candidatos dos trabalhadoresTeses para o Congresso de Unificação da Classe Trabalhadora – Parte 1: Conjuntura e reorganização

Ao final do segundo mandato, o governo Lula tem o apoio da maioria dos trabalhadores, beneficiado pelo crescimento econômico até a crise. Neste momento, o presidente ainda tira proveito da recuperação parcial da economia e aparece como um governante preocupado com os pobres por causa das políticas compensatórias, como o Bolsa Família.

O governo teve ajuda para manter o prestígio entre os trabalhadores, com o apoio incondicional de centrais sindicais como a CUT, a Força Sindical e a CTB.

Mas a realidade demonstra para quem Lula governa. Os grandes empresários quadruplicaram os lucros, ainda no primeiro mandato. O governo liberou cerca de R$ 370 bilhões às empresas e bancos. Diante dos lucros escandalosos, as políticas compensatórias e o salário mínimo surgem com seu significado verdadeiro: migalhas para os trabalhadores e o povo pobre.

A política econômica tem sido essencialmente a de FHC. O Brasil continua um país dependente. As remessas de lucros ao exterior cresceram mais de 200%. Quase um terço do orçamento de 2008 foi gasto com juros da dívida.

Ao contrário do que se imagina, a política de privatizações foi mantida com os leilões das reservas de petróleo, a participação das transnacionais na exploração do pré-sal, a venda de bancos estaduais e rodovias e a proposta de transformar os Correios em sociedade anônima.

Para os trabalhadores, foram anos de ataques, anunciados ainda em 2003, com a reforma da Previdência. Hoje, os servidores lutam contra um projeto de lei de iniciativa do governo que pretende congelar seus salários.

Após quase oito anos, Lula não reduziu a jornada de trabalho. E, no auge da recessão, quando explodiram as demissões nas empresas, o presidente não decretou a estabilidade para proteger os empregos.

Por uma plataforma política dos trabalhadores
Mas os trabalhadores não estão derrotados, como se viu nas campanhas salariais do segundo semestre, onde importantes categorias arrancaram reajustes acima da inflação.

A tarefa do Congresso de Unificação é aprovar uma plataforma política dos trabalhadores que parta das suas reivindicações mais sentidas, como empregos e reajustes, mas que indique um movimento nacional e unitário que derrote a política econômica.

Somente a luta independente contra patrões e governos pode colocar em xeque o atual sistema econômico e abrir caminho para que os trabalhadores lutem diretamente pelo poder, apontando a estratégia do socialismo.

A prioridade da nova organização deve ser a luta direta dos trabalhadores. Mas também é necessário que o congresso debata as eleições. Propomos rejeitar a falsa polarização entre Serra e Dilma que, embora se enfrentem, defendem a mesma política econômica. E também todas as candidaturas burguesas, como as de Ciro Gomes e Marina Silva, que tentam aparecer como alternativas, mas representam a mesma política dos últimos governos.

Nossa proposta é que o Congresso de Unificação apresente um programa anticapitalista e socialista aos partidos da classe trabalhadora que são oposição de esquerda ao governo Lula e à oposição burguesa. Defendemos uma alternativa independente política e financeiramente da burguesia, que se apoie nas lutas e defenda nas eleições as bandeiras históricas dos trabalhadores, acumuladas em anos de lutas.

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