Temer decreta intervenção federal no Rio para tentar ajudar Pezão a controlar a crise

Rio de Janeiro - As Forças Armadas na Rocinha, na zona sul do Rio de Janeiro (Tânia Rêgo/Agência Brasil)

O pacote de medidas anunciado nesta noite de quinta-feira, 15, pelo presidente Michel Temer, com a criação de um Ministério da Segurança Pública e o anúncio de uma intervenção federal nas polícias civil e militar do Rio, é uma tentativa de enganar e ganhar a parte população, que se encontra assustada com a crescente violência urbana.

Esta medida, além de não resolver o problema do violência (piorada pela crise), certamente será uma desculpa para aumentar a repressão aos protestos populares, como os que ocorrem nas comunidades atingidas pelas chuvas, e aos movimentos sociais que mobilizam contra a reforma da Previdência e os ataques dos governos.

Na realidade, a intervenção decretada por Temer revela a total incapacidade do governo Pezão em resolver o conjunto da crise no estado, e não só a crise da segurança pública. Ainda mais quando entram em cena protestos de comunidades pobres e saques a supermercados em busca de alimentos.

A intervenção vai fracassar
A proposta de combater os problemas de segurança no Rio de Janeiro aumentando a atuação de forças policiais ou militares vai fracassar. Os problemas que levam a uma “crise de segurança” no Estado tem causas sociais e políticas mais profundas que um mero aumento deste ou daquele efetivo policial, e de sua suposta eficácia.

O Rio de Janeiro vive uma verdadeira tragédia social, fruto das opções dos governos do Estado em manter a lei de responsabilidade fiscal por um lado, e em detrimento de investimentos na saúde educação, saneamento, moradia, criação de empregos e um vasto etc; e por outro da não menos criminosa política de isenção fiscal às grandes empresas que se instalaram no Estado, o que levou a uma perda de bilhões de reais em arrecadação.

O caos do Rio pode ser visto e entendido pelos eventos deste Carnaval onde, por um lado, a infraestrutura da cidade veio abaixo com as chuvas causado pelo menos 4 mortos e centenas de desabrigados ou ainda da ciclovia Tim Maia que teve mais uma parte desmoronada, e por outro lado pelo grito de desabafo das escolas de samba que levaram para a avenida todo o descontentamento popular acumulado.

A estratégia adotada pela polícia, a mando de governadores e agora do presidente da República de declarar “guerra” ao tráfico e à violência em geral, dissociada do caos social gerado por estas mesmas autoridades, levará, inevitavelmente a um novo ciclo de violência contra a periferia, maioritariamente pobre e negra, e à corrupção das forças policiais e militares envolvidas, pelo narcotráfico.

A solução dos problemas de segurança no Rio, passam por uma política social, que gere emprego, que construa casas populares, que ataque os problemas de saneamento e saúde.

Passa por descriminalizar o consumo das drogas, desmontando assim os cartéis de venda e a rede de corrupção que envolve toda a polícia do estado, pelo fim da polícia militar e a criação de uma policia única, com direito a se sindicalizar e a participar da vida politica do país, pela eleição de juízes e promotores pelas comunidades, e pelo direito destas comunidade se autodefenderem formando grupos próprios de autodefesa contra todo banditismo.

Sem atacar os problemas sociais, sem garantir vida digna ao povo e com esta política de segurança assassina a coisa só tende a piorar. O governador Pezão não tem capacidade de resolver a crise do Rio de Janeiro que os sucessivos governos aliados seus criaram. Que Pezão saia!

Já passou da hora de derrubarmos este governador e por ele pra fora!

Como fica a votação da reforma da Previdência?
Com a efetivação da intervenção no estado, durante a sua vigência o governo estaria impedido de fazer alterações em regras constitucionais, como no caso da Reforma da Previdência.

Este cenário pode ajudar Temer a esconder sua derrota em não conseguir os votos necessários para aprovar a reforma ainda em seu governo.

Contudo, antes o governo precisará aprovar a medida no Congresso Nacional, o que de antemão não está garantido e pode significar que a reforma entre em pauta novamente.

Por isso, não podemos nos iludir e baixar a guarda. Devemos seguir nos apoiando na grande insatisfação popular, tão bem expressa durante o Carnaval, e seguir com as mobilizações como as marcadas para o dia 19 de fevereiro em todo o país para derrotar de vez esta reforma!