Surge nova coordenação das lutas populares

Malhação dos Judas do governo.
Manoel Pereira / SindmetalSJC

Na tarde de 10 de abril, dirigentes de entidades do movimento popular do Pará, Amazonas, São Paulo e Minas Gerais participaram de um ato em um terreno ocupado por 5 mil pessoas, em São José dos Campos (SP). Recebidos com entusiasmo pelos moradores, eles falaram sobre a necessidade de unificar as lutas pela terra, moradia e emprego. O ato — uma malhação dos “Judas” Berzoini, Palloci e o prefeito de São José — fechou com chave de ouro o encontro realizado nos dias 9 e 10 de abril, em Jacareí (SP), que decidiu formar uma Coordenação das Lutas dos Movimentos Populares (CLMP).

A CLMP foi formada a partir da avaliação de que, como o governo Lula continua negociando a Alca e coloca todos seus esforços em pagar a dívida externa, não é possível ter nenhuma ilusão de que irá realizar a reforma agrária e combater o desemprego.

Assim, não resta alternativa aos setores mais pauperizados da população do que ir à luta. No entanto, o governo de Frente Popular desenvolve uma política de cooptação de várias lideranças, oferecendo cargos para que não mobilizem e gerando esperanças em setores do movimento. Isso faz com que as lutas dos sem-terra, sem-teto e desempregados fiquem muito distantes das necessidades, sem apoio e solidariedade, isoladas e dispersas.

Além da formação da CLMP, o encontro aprovou um manifesto, elegeu uma coordenação provisória, votou um calendário de lutas e ações e marcou uma nova reunião, para o dia 17 de junho, em Brasília. Os participantes também discutiram a necessidade de incorporar, em suas lutas cotidianas, o combate à opressão, particularmente de negros e mulheres. Outra resolução importante foi a de chamar outras organizações para integrar esta coordenação, que terá como critério resguardar a independência de cada movimento e funcionar de maneira democrática, respeitando a diversidade política.

Os participantes saíram do encontro com a disposição de ampliar o processo de mobilização e ocupações no campo, não dando nenhuma trégua ao governo. Assim como foi discutido que, nas cidades, não pode ser feito nenhum acordo com as prefeituras petistas ou burguesas. Também foram discutidas campanhas pela descriminalização dos movimentos sociais, que exijam apuração e punição para os assassinatos e liberdade e absolvição para os dirigentes do movimento e a necessidade de unificar todo este processo à luta dos trabalhadores das empresas privadas e do funcionalismo público, contra a reforma Sindical e Trabalhista.

Leia abaixo trechos do Manifesto aprovado:

No campo, o agronegócio e o latifúndio são protegidos
Lula colocou o empresário e latifundiário, Roberto Rodrigues, na Agricultura. Com isso, dos R$ 32,5 bilhões destinados ao financiamento da agropecuária, apenas R$ 5,4 bilhões vão para a agricultura familiar. Todo o resto (R$ 27 bilhões) será abocanhado pelos grandes empresários e latifundiários, membros da UDR e representantes da oligarquia agrária. Fica claro em qual time o governo está jogando.
O governo liberou o plantio e a comercialização de soja transgênica, assim como manteve a MP que impede a Reforma Agrária em terras ocupadas. O governo também ataca os povos indígenas, como vimos em conflitos em Roraima, Rondônia e Mato Grosso do Sul.

Nas cidades faltam trabalho, salário e moradia
Com o crescimento do desemprego muita gente fica sem ter como pagar aluguel e comprar comida. Cresce o número de trabalhadores sem carteira assinada e sem moradia, assim como a violência nos grandes centros urbanos. O transporte coletivo é caro e ruim. Os que buscam outras formas de trabalho, como camelôs ou trabalhando em peruas, são perseguidos, maltratados e presos pelas prefeituras do PT, PSDB e PFL. Quem tenta ocupar um terreno nas cidades ou um prédio público é despejado.

Movimentos sociais são criminalizados e dirigentes são assassinados
O governo Lula bateu lamentáveis recordes. Nunca tantos ativistas foram mortos no campo. Nunca tantos lutadores foram presos. Nunca houve tantos despejos. Em 2003 houve um aumento 43% nas mortes no campo; os despejos atingiram 30.852 famílias (227% a mais que em 2002).

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