Camilo Martin, de São Paulo (SP)

Há um pouco mais de 30 anos, os metroviários conseguiram um terreno do governo do estado para construir seu sindicato. Graças ao suor, dedicação e contribuição financeira da categoria, foi possível construir uma sede onde pudessem desenvolver suas atividades e, mais que isso, um espaço que se tornou um ponto de encontro das lutas em nossa cidade.

Nos últimos dias, o governador João Doria, seguindo os passos antidemocráticos de Bolsonaro, leiloou o terreno da sede do Sindicato dos Metroviários. Covarde, se aproveita da pandemia para passar a boiada de ataques, destruir os serviços públicos e minar a capacidade de resistência dos trabalhadores.

O sindicato dos metroviários é um patrimônio da classe trabalhadora brasileira. Um sindicato protagonista de grandes lutas desde a ditadura militar até hoje e cuja sede foi palco de organização de diversas atividades, congressos, campanhas de solidariedade e mobilização em defesa dos interesses de toda a nossa classe ao longo de mais de 30 anos.

A falta de pudor do governo Doria foi tamanha, que venderam a sede por um valor muito abaixo do avaliação de mercado, deixando claro o que todos já sabemos: que se trata de um ataque à liberdade de organização. Não fosse suficiente, o Secretário Alexandre Baldy, industrial de Goiás investigado na Lava-Jato e citado na CPI do Carlinho Cachoeira, se mostrou orgulhoso nas redes sociais de “sua coragem” em atacar um espaço considerado por muitos um verdadeiro santuário da nossa classe.

Os atos do dia 29 apontaram o potencial de força social que existe represada diante do drama que vivemos nessa pandemia e demonstraram a disposição de lutar contra esta tragédia construída por Bolsonaro, mas também por Doria aqui em São Paulo, arquiteto do genocídio paulista que ultrapassa a triste marca de 100 mil mortes no estado.

Pela situação que vivemos e pela necessidade fundamental de defender nossas liberdades democráticas para garantir condições superiores de resistir à guerra social que os de cima travam contra nós na crise capitalista, é muito importante que todo o movimento social e sindical tome para si a construção de uma ampla campanha em defesa da Sede dos Metroviários.

É duro, mas é possível reverter esta situação, e derrotar Doria. Como disse Altino Prazeres, militante do PSTU e um dos coordenadores do Sindicato dos Metroviários “Doria está enganado e acha que essa luta acabou, a categoria vai lutar pelo seu Sindicato, seu espaço. Vamos ocupar o sindicato e resistir.”

Precisamos alimentar as mobilizações gerais que se colocam em marcha na rua no dia 29 em todo país demonstrando a insatisfação popular diante do caos de que nossa classe e o povo pobre é vítima. Dizemos basta ao genocídio, a fome, a miséria e aos ataques ao nosso direito de organização e manifestação!

Diante disso, o PSTU não só repudia a ação de Doria mas faz um chamado nacional a todas organizações da nossa classe, partidos, sindicatos, movimento populares e de luta contra as opressões, aos artistas, intelectuais e ativistas que atuam em defesa dos direitos democráticos para cercar de solidariedade os metroviários e se somarem na construção unitária de uma campanha em defesa da sede dos metroviários, como parte da luta em defesa das liberdades democráticas.