Foto SInd Metroviários-SP

A situação da pandemia é gravíssima. Todos os dias temos batido recordes de mortes. Mas não estamos falando de números. São vidas de pessoas, interrompidas pelo descaso, vidas de familiares, amigos, entes queridos.

Como em todo o país, essa realidade também acontece no Metrô de São Paulo. Dia após dia, temos notícias de infecção ou falecimento de colegas, de companheiros de jornada. Notícias que nos enchem de tristeza, dor, revolta e também medo.

Doria e Bolsonaro: cúmplices de genocídio!

O que acontece hoje não é surpresa. Há semanas Doria (e também Covas do PSDB) vem descumprindo a orientação do Centro de Contigência do estado que orientava a adoção de medidas restritivas. Na contramão desta orientação, seguiu a trilha negacionista de Bolsonaro, reabriu as escolas e manteve o pleno funcionamento das atividades, aprofundando as aglomerações. Além disso, cinicamente finge não ter nada a ver com a necessidade de garantir emprego e renda para que as pessoas se protejam. Nessa situação, os transportes se tornam verdadeiras câmaras de contaminação para toda a população e, particularmente, para os trabalhadores metroviários.

Bolsonaro, não só estimula as aglomerações como vimos nos atos do dia 14 de março próximo à estação Trianon-Masp como faz campanha contra o uso de máscaras e pela utilização de medicamentos sem eficácia comprovada. Pior, zomba da dor de milhões que, de luto, são obrigados a ouvir que somos “um país de maricas”, temos “frescura”, estamos com “mimimi” ou que devemos buscar vacina “na casa da sua mãe” quando, na verdade seu governo nos colocou no fim da fila da vacinação com sua política genocida e negacionista. Inclusive, por defender os interesses dos grandes monopólios da indústria farmacêutica, segue contrário à quebra das patentes, medida que facilitaria a produção em massa de vacinas nos países semicoloniais como o nosso. Mais um exemplo de que Bolsonaro não passa de um garoto de recados do imperialismo.

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A realidade é que se Bolsonaro e Doria brigam na frente das câmeras, mantêm um mesmo plano de cuidado da pandemia, que empurra milhares todos os dias para a morte. Não por acaso, o Brasil se tornou, mais uma vez, o centro mundial da pandemia e São Paulo é o estado com maior número de mortos, mais de 65 mil. Ambos, cada um a sua forma, tem responsabilidade pelo genocídio da população trabalhadora e além disso, sadicamente, usam desse momento de desespero para seguir retirando direitos, mostrando podridão desse sistema capitalista.

O Metrô ataca os metroviários e sonega informações!

A situação em todo o estado já é de descontrole. Faltam leitos de UTI e o números doentes e mortos não param de crescer. O terror assistido em Manaus no início do ano, já chegou até nós. Apesar disso, o Metrô segue funcionando normalmente, como se condenar seus funcionários à morte fosse parte de um “novo normal”.

A situação é tão grave que a empresa, provavelmente seguindo orientação direta do governo do estado, sequer divulga os dados oficiais sobre contágio, afastamento e morte dos trabalhadores. Um tapa na cara daqueles que todos os dias prestam um serviço essencial e vêem suas vidas tratadas como se não tivessem nenhum valor.

Desde o início da pandemia, tivemos que conviver com falta de EPI e um vergonhoso calote em parte de nossos pagamentos – que diga-se de passagem, ainda nos devem – e todas as mínimas condições sanitárias e direitos que conseguimos só foi possível a partir da nossa luta e organização. Nossa greve na campanha salarial é o principal exemplo disso. Neste momento, em que mais do que nunca nossa vida está em risco, é necessário aprofundar a nossa organização e seguir o caminho da mobilização coletiva para defender nossas vidas e construir uma alternativa política com independência de classe.

Sem vacina, sem transporte! Vacina para todos, já! Por um plano de emergência no transporte!

Todo o sistema de transporte é um ambiente de profundo contágio e disseminação do vírus. Após os hospitais, se trata do segundo ambiente de maior potencial de contaminação. Isso acontece, porque todos os dias circulam milhões de pessoas pelo sistema. A situação de aparente normalidade estimulada pelos governos, com aglomerações que afetam a todos, nos afetam em particular.

Não dá para encarar essa situação com normalidade. Não dá para seguir funcionando normalmente, com as aglomerações que assistimos na manhã deste dia 15 (segunda-feira) mesmo após entrarmos na fase de Emergência em São Paulo. Essa situação acontece porque as medidas decretadas por Doria são fake, não garantem renda, estabilidade de emprego e assistência aos microempresários. As pessoas não podem escolher entre a morte e a fome.

Infelizmente, hoje a maioria da direção do nosso sindicato, ligados ao PCdoB e ao PT, segue aguardando 2022, com sua estratégia de construir uma frente ampla, uma política de conciliação que mesmo no passado já se mostrou equivocada. Inclusive setores do PSOL optam por este mesmo caminho desastroso. O sindicato precisa organizar a mobilização agora, com organização de base. Estamos diante de risco de vida.

Precisamos organizar a mobilização, inclusive a possibilidade de uma greve, para impor um plano de emergência no transporte, com restrição no funcionamento – um plano de contingência e revezamento entre o quadro de funcionários, garantindo funcionamento para as necessidades emergenciais da população e para transporte dos trabalhadores dos serviços essenciais como os da saúde, operários da alimentação, enquanto não for garantida a vacinação. As nossas vidas, as vidas de todos os trabalhadores valem mais do que o lucro dos empresários que querem manter as atividades para seguir acumulando seu capital.

Precisamos ser consequentes e pragmáticos com a defesa deste plano de emergência para o transporte. Por isso, junto com as medidas do transporte e a exigência de vacinação, precisamos defender um lockdown com garantia de estabilidade no emprego e renda e a quebra das patentes das vacinas que permita a produção e vacinação em massa para todos, organizado pelo SUS e controlado pelos trabalhadores.

Unificar os trabalhadores e o povo pobre para vencer o genocídio! Greve Geral por lockdown, emprego e renda e vacinação! Fora Bolsonaro e Mourão!

Bolsonaro, Doria e os governadores – inclusive os do PT e PCdoB que dizem defender trabalhadores -, o Congresso Nacional, o STF… todos se provaram incapazes de preservar o mais elementar dos nossos direitos, o direito à vida. Se chegamos nessa situação é por responsabilidade deles, de como conduziram esta pandemia que já levou quase 280 mil dos nossos, simplesmente porque tomaram a decisão política de garantir os lucros em detrimento das vidas. É terrível, mas é verdade.

Não é possível que diante dessa tragédia para nossa classe e o povo pobre, as grandes centrais sindicais continuem jogando pra platéia, aguardando as eleições de 2022. Deveriam responder ao chamado de unidade da CSP-Conlutas, para a construir uma Greve Geral, já. Não temos tempo até 2022, e a omissão é inaceitável porque, em cenários de desgraça como este que vivemos, se transforma em cumplicidade. Por isso, precisamos aprofundar a construção do dia 24 de março, o Dia Nacional de Luta pelo Fora Bolsonaro, mas é preciso ir além e avançar na proposta de construir uma Greve Geral no país como está propondo a CSP-Conlutas.

A retirada do governo Bolsonaro e Mourão virou uma questão de vida ou morte. Precisamos seguir o exemplo do levante do povo paraguaio. Não é possível  esperar até 2022 e se guiar por um calendário eleitoral enquanto milhares morrem todos os dias. Isso é inaceitável, por isso junto com a defesa do plano de emergência transporte e vacinação, precisamos pressionar as centrais a convocar uma Greve Geral que unifique os trabalhadores. E nesse processo de luta em defesa de nossas vidas construir uma alternativa da nossa classe e do povo pobre, dos debaixo, um governo dos trabalhadores sem rabo preso com empresários e corruptos, para poder atender às nossas demandas. Nosso sindicato, pela história e pela importância que tem, precisa usar todas suas forças a serviço da organização da luta e ser parte construção de uma alternativa com independência de classe.

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