No último dia 10 de novembro, encerrou-se em meio a bombas no centro de São Paulo a greve dos servidores municipais contra a Reforma da Previdência, a SampaPrev2, do prefeito Ricardo Nunes (MDB).

A reforma foi aprovada em meio a um aprofundamento da recolonização do país, desmonte e privatização dos serviços públicos e flexibilização dos direitos trabalhistas. É parte de um ataque a nível nacional, para que os recursos públicos, oriundos do suor da classe trabalhadora, vá para credores da falsa Dívida Pública e para as empresas que conseguirem a mamata dos serviços privatizados.

Neste sentido, Nunes precisava impor este ataque, pois ele não é unanimidade entre a burguesia paulistana. O prefeito, denunciado pela Folha de S. Paulo como envolvido com a chamada “máfia das creches”, é visto com desconfiança por aqueles que desejam um “gestor” do capitalismo na cidade. Precisava, portanto, aprovar a SampaPrev2, que garante um confisco sem precedentes do salário de ativos e aposentados do serviço público. A aplicação desse ajuste fiscal garantiria mais receita para o ralo da falsa Dívida Pública da cidade, além de a aposentadoria dos novos servidores ser entregue à iniciativa privada.

A categoria teve bastante dificuldade de se manter em greve, pois já não confia mais nas direções sindicais tradicionais. A greve foi decretada de maneira autoritária pelo presidente do Sinpeem no dia 15 de outubro, em uma manifestação sem paralisação e com poucos ativistas. A partir do dia 19, foi deflagrada corretamente a greve unificada do serviço público, mas o Fórum das Entidades, mais uma vez, abandonou a greve nas regiões, que se viram sem material, carros de som, ou subsedes. Trata-se de uma maneira velada de enfraquecer a greve, e posteriormente culpabilizar a categoria por uma eventual derrota.

Com seus organismos de classe enfraquecidos, muitos passaram a apostar nos mandatos da oposição (PT, PSOL). Ocorre que o PT em todas as vezes que governou a cidade, não fez mais que gerenciar o sistema capitalista. Propôs, pela primeira vez, a SampaPrev em 2016, se enfrentou com a categoria, e depois deixou de presente para Dória (PSDB) dar seguimento ao ataque. Já os vereadores do PSOL, além fazerem de tudo para esconder que a SampaPrev começou com Haddad, apostam mais em ações institucionais (audiências públicas, pressão sobre os vereadores da base governista, CPI’s), que em si não estão incorretas, mas que quando priorizadas, terminam por acomodar e não radicalizar a luta. É preciso sair dos trilhos!

Nesse sentido, queremos parabenizar a categoria, que com todas as dificuldades, foi até o fim nessa luta. Foi uma greve parcial, pelo cansaço do trabalho e das reposições da Greve Sanitária do primeiro semestre, mas os servidores, com as mulheres à frente, estiveram de maneira valente acampados em frente à Câmara, compareceram em massa nas assembleias e enfrentaram as bombas de Nunes até o final. Saímos de cabeça erguida, mostrando que não aceitamos esse desmonte dos serviços públicos, que penaliza principalmente a população periférica.

O PSTU foi parte dessa luta, e saúda a todos os lutadores. Mas sabemos também que, enquanto não destruirmos esse sistema que nos explora e oprime, ataques como a SampaPrev2 serão cada vez mais comuns e profundos. E que nossas lutas sindicais, fundamentais naquele momento, não tocam no problema principal: o da manutenção dessa democracia dos ricos, em que os trabalhadores são chamados a votar no “menos pior” de quatro em quatro anos, mas que quando se opõe a projetos como a SampaPrev2, são tratados com tiros e bombas. Por isso chamamos a todos os lutadores a construírem conosco o Polo Socialista e Revolucionário. É preciso que conversemos com nossas comunidades escolares sobre a necessidade de construirmos uma sociedade socialista, em que a riqueza que produzimos esteja sob controle dos trabalhadores de maneira democrática, e assim garantir serviços públicos de qualidade, emprego e aposentadoria a todos. Uma sociedade socialista!