Seminário no Rio coloca em marcha movimento por um novo partido

`FotoNo dia 11 de outubro foi realizado na Uerj, no Rio de Janeiro, o seminário “A Situação Política do Brasil e a Construção de um Novo Partido”. Este evento foi, até agora, a maior atividade de discussão sobre a necessidade de um novo partido socialista que unifique a esquerda brasileira. Segundo a comissão organizadora, cerca de 400 pessoas passaram pelo seminário durante o sábado.

O seminário foi dividido em três etapas. Pela manhã fizeram uso da palavra as organizações que o convocaram: Reage PT, União Comunista, PSTU, um integrante do movimento docente – ligado a Andes-AD, MES (Mov. Esquerda Socialista), CST (Corrente Socialista dos Trabalhadores), OMP (Org. Marxista Proletária), MTP (Mov. por uma Tendência Proletária) e Brasil Socialista.

Também fizeram uma breve saudação o MTL (Mov. Terra, Trabalho e Liberdade) e Fernando Pontes, representando o Movimento de Iniciativa Socialista (MIS) de Santa Catarina, informando sobre atividades pelo novo partido naquele Estado. De São Paulo veio o companheiro Tato, diretor do Andes-SN, que coordenou um dos grupos de discussão.

À tarde foram realizados cinco grandes grupos de discussão, onde o que impressionou foi o grau elevado de participação de todos nos debates sobre a conjuntura nacional e internacional, a caracterização do governo e a necessidade de um movimento pelo novo partido.

No início da noite ocorreu a plenária final, ainda com cerca de 300 presentes, na qual foi lido o relatório dos grupos de discussão e foi convocada amplamente uma reunião aberta da Comissão Organizadora, para encaminhar futuras atividades em comum do movimento.

O seminário foi marcado por polêmicas sobre o caráter do programa e do funcionamento do novo partido. E houve uma maioria significativa a favor de colocar em marcha um movimento unitário que enfrente as discussões programáticas e garanta uma intervenção comum nas lutas da classe trabalhadora e de todos explorados e oprimidos.

O que ficou demonstrado inclusive em um dos documentos apresentados ao Seminário, assinado por vários militantes da Andes-AD: “Por isso defendemos um movimento pelo novo partido que resulte de um amplo processo de discussão. Será necessário construir um partido capaz de atuar priorizando as lutas sociais dos trabalhadores, agindo nos espaços institucionais e nas disputas eleitorais de forma subordinada a tal prioridade. Assim, o método de construção será decisivo para o caráter do partido. O primeiro passo é lançar e ampliar as bases do movimento pelo novo partido. A maior quantidade possível de debates, seminários, plenárias devem ser estimulada, trazendo para o centro da discussão não apenas os que já estão convencidos da necessidade do novo partido, mas também aqueles setores do movimento social organizado que consideramos fundamentais na discussão…”

Entre as propostas apresentadas no seminário destaca-se a indicação de uma Plenária Nacional do Movimento por um Novo Partido, durante o Fórum Social Brasileiro, em Belo Horizonte (MG), entre os dias 6 e 9 de novembro. Esta plenária tem como objetivo nacionalizar os debates do movimento por um novo partido.

Também foram apresentadas as seguintes propostas: realização de Plenárias mensais no Rio de Janeiro que discutam temas específicos apontando para construção do programa para o novo partido, criação de uma coordenação e/ou secretaria que organize as atividades deste movimento, lançamento de um sítio na internet para disponibilizar os textos de contribuição apresentados ao Seminário, publicação de uma cartilha com o relatório das discussões ocorridas na atividade, entre outras.

Garantir a unidade e a plenária nacional

Infelizmente, na reunião da comissão organizadora do seminário, realizada no dia 15 de outubro, as correntes MES e CST avaliaram que, os debates do seminário evidenciaram dois projetos distintos sobre a construção do novo partido.

Na reunião, estas correntes foram contra a convocação imediata de uma plenária nacional do Movimento por um Novo Partido, durante o Fórum Social Brasileiro. Também não concordaram com os outros desdobramentos estaduais propostos no seminário.

Outros setores, como o Reage PT, militantes docentes ligados a Andes-AD, o PSTU e outros independentes colocaram-se a favor da plenária nacional e dos demais encaminhamentos.

No dia 23, acontecerá a próxima reunião da comissão organizadora, na qual o MES e a CST responderão se estarão se somando a convocação de uma plenária nacional durante o FSB.

Post author André Freire,
do Rio de Janeiro (RJ)
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