Foto: Roosevelt Cássio/Sindmetal SJC

As ruas da cidade de São José dos Campos foram ocupadas pela manhã de hoje pelos trabalhadores demitidos pela Avibras. Eles saíram em passeata, na manhã desta terça-feira (22), como parte da luta para reverter as 420 demissões. Em assembleia realizada pelo Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, os metalúrgicos decidiram cobrar medidas do poder público para que os cortes sejam cancelados e a Avibras, estatizada.

A passeata seguiu da sede do Sindicato até a Prefeitura de São José dos Campos. Dirigentes sindicais e uma comissão de trabalhadores entraram no Paço Municipal para tentar falar com o prefeito Felicio Ramuth (PSD), mas não foram recebidos. Embora a Avibras fique em Jacareí, é de importância nacional e grande parte de seus trabalhadores mora em São José dos Campos.

Como se não bastasse ter feito a demissão em massa, a direção da Avibras afirmou ao Sindicato que não sabe como nem quando pagará as verbas rescisórias dos 420 demitidos.

Campanha pela Estatização

Junto com a luta em defesa dos empregos, o Sindicato iniciou a campanha pela estatização da Avibras. A entidade enviou, ontem, pedido de reunião com os governos federal, estadual e municipal para tratar do assunto. Na esfera federal, o pedido de reunião foi enviado ao ministro da Defesa, Walter Souza Braga Netto, e ao presidente Jair Bolsonaro (PL).

A Avibras, maior empresa brasileira de equipamentos militares, entrou com pedido de recuperação judicial no fórum de Jacareí. A instabilidade é inerente às empresas de capital privado e coloca em risco a soberania nacional no setor bélico.

“Uma empresa como a Avibras, que é estratégica para o país, não pode ficar nas mãos do capital privado. O setor de defesa depende de recursos do governo e os grandes beneficiados são os acionistas. O Governo Federal tem o dever de dar início ao processo de estatização da Avibras”, afirma Weller Gonçalves, presidente do Sindicato e militante do PSTU.

Foto: Roosevelt Cássio/Sindmetal SJC

Estabilidade conquistada e fim da greve

Após um dia de greve, os metalúrgicos da Avibras conseguiram dois meses de estabilidade no emprego para todos que permanecem na fábrica, além do pagamento do dia de paralisação. A proposta da empresa foi aprovada em assembleia, nesta terça-feira (22). Com isso, os trabalhadores encerraram a greve iniciada ontem.

Na negociação com o Sindicato, ocorrida horas depois do início da greve, a Avibras aceitou garantir dois meses de estabilidade, mas se recusou a cancelar as demissões. Por isso, a luta pela volta de todos os trabalhadores continua.

Segundo a Avibras, antes da demissão em massa a fábrica possuía 1.500 funcionários.

Ação judicial contra demissões

O Departamento Jurídico do Sindicato ingressou com uma ação civil pública na Justiça do Trabalho para reverter as demissões. Na ação, o Sindicato solicita com urgência a concessão de uma liminar que suspenda todas as demissões realizadas pela Avibras.

Nesta terça (22), em decisão do juiz do Trabalho Adhemar Prisco da Cunha Neto, a Justiça deu prazo de 48 horas para que a empresa se manifeste sobre os desligamentos. Após esse prazo, o Ministério Público do Trabalho também terá 48 horas para se manifestar.

*Com informações do site do Sindmetal SJC e Região