Como o maior credor da dívida externa brasileira conseguiu sua fortuna e a manteve em meio a situações revolucionárias e mudanças no capitalismo mundialBaixe a íntegra deste texto

No apagar das luzes de 2006, em sua edição de 29 de novembro, a revista Veja publicou uma entrevista com David Rockefeller, o principal acionista do Chase Manhattan Bank (atual JP Morgan Chase). Sob o título “Um velho amigo”, a entrevista traz vários elogios ao dono de uma fortuna pessoal de US$ 2,6 bilhões, herdada de seu avô, John D. Rockefeller – o homem mais rico do mundo no início do século XX.

O Chase Manhattan tornou-se um dos maiores credores individuais da dívida externa brasileira, que deu um salto durante a crise do petróleo em 1973, no auge da ditadura militar. Mesmo lucrando com o pagamento dos juros por décadas, Rockefeller elogia o “espírito empreendedor dos brasileiros”. Rockefeller fundou duas entidades, cujo papel seria “fortalecer os laços entre os setores públicos e privados da América Latina”. Para tanto, visitou o Brasil, na companhia de empresários, por três anos consecutivos. Seu conselho para o país é que deve se “concentrar em busca do crescimento com sustentabilidade”, para “dar uma vida melhor a seus cidadãos”, através da “educação e dos serviços sociais”, com investimentos “em infra-estrutura”. Palavras bonitas, mas que, para se tornar realidade, deve iniciar interrompendo a sangria de recursos, como os dos juros das dívidas externa e interna.

Talvez a declaração mais polêmica de sua entrevista seja a defesa dos milionários e bilionários, pois, segundo ele, se eles não existissem, “duvido que o capitalismo tivesse sobrevivido”. Ao mesmo tempo afirma que o importante é o surgimento de uma grande classe média e a redução da pobreza, do que somente o capitalismo é capaz, já que o comunismo apenas “retardou o crescimento econômico e reprimiu a liberdade”. Finalmente, prega a filantropia das empresas, que deveria ser uma prioridade, “juntamente com a rentabilidade e o crescimento a longo prazo”.

As origens da fortuna do patriarca
Como diz a Veja, David Rockefeller carrega dinheiro em seu sobrenome. Talvez seja o caso de investigar como surgiu a fortuna construída por seu avô, John D. Rockefeller, que permitiu a seu neto predileto figurar entre os 30 homens mais ricos do mundo, mesmo com a herança do chefe do clã estar espalhada por mais de 60 herdeiros.

Todo esse capital tem, atualmente, garantida sua reprodução pela exploração da força de trabalho da classe operária, baseada nas leis vigentes e na idéia aceita naturalmente de que é preciso trabalhar para viver. Mas seu início não foi tão legal e natural como contam as lendas norte-americanas dos “self-made-men”.

John Rockefeller passou de escriturário a proprietário da maior empresa de petróleo do mundo, a Standard Oil, que refinava mais de 80% do petróleo do país, em apenas vinte anos – de 1870 a 1890. Nesta época, o principal produto destilado do petróleo era o querosene de iluminação; a gasolina era considerada um subproduto indesejável. Segundo um de seus insuspeitos biógrafos, Ron Chernow, autor de Titan: The Life of John D Rockefeller, Sr, John Rockefeller iniciou sua acumulação devido a acordos comerciais com as ferrovias que lhe davam descontos no transporte de seu petróleo em troca de uma cota fixa de carregamento – 60 vagões por dia. Fazia parte desses acordos a compra exclusiva de lubrificantes da Standard Oil para a manutenção dos trens.

O que nunca foi explicado é porque as mesmas ferrovias negavam-se a conceder acordos semelhantes aos concorrentes de Rockefeller do estado de Pittsburgh. Ao contrário, um acordo secreto que tentava criar um monopólio nacional entre a Standard Oil e as principais ferrovias, chamado South Improvement Company, previa não apenas descontos para ela e outras poucas grandes refinarias, mas aumento de taxas para os concorrentes. Além disso, os refinadores do cartel receberiam retorno financeiro e informações confidenciais sobre preços dos concorrentes, se seu óleo fosse transportado. Por exemplo, as refinarias do cartel receberiam um desconto de 40 centavos por barril transportado, mais 40 centavos de retorno por cada barril transportado dos concorrentes!

Mesmo que este cartel não fosse efetivado, sua ameaça propiciou que Rockefeller comprasse refinarias de competidores por 25% do valor de mercado, comprando 22 das 26 refinarias de Cleveland. Outra prática comum, praticada não apenas pela Standard Oil, era o “dumping” – a venda a preços sem lucro – para levar os concorrentes à falência. Chernow estima que a Standard Oil aplicou o dumping em 9 mil das 37 mil cidades atendidas por ela, eliminando todos seus concorrentes significativos às custas de seu lucro.

Rockefeller também praticou seus conceitos de “livre concorrência” no varejo, exigindo que os comerciantes vendessem apenas o querosene e lubrificantes da Standard Oil, sob a ameaça de abrir sua própria rede de vendas. Seus gerentes de vendas eram orientados a suprir pelo menos 85% do mercado. Estas práticas, quando levadas ao público, levaram a uma reação massiva da população, que fizeram campanhas contra o consumo de produtos da Standard Oil, e de produtores, que deixaram de vender-lhe petróleo. A reação da opinião pública foi tão grande que Rockefeller demitiu 90% de seus trabalhadores em 1872, e leis contra a formação de cartéis foram aprovadas no Congresso norte-americano. Em 1911 a Standard Oil foi desmembrada, dando origem à Esso, Mobil Oil, Chevron, Atlantic e outras.

No entanto, o capital acionário de Rockefeller duplicou já em 1912, devido à proliferação da indústria automobilística, que transformou a gasolina, anteriormente um subproduto do refino, no principal negócio das refinarias. Para melhorar sua imagem, passou a fazer doações que chegaram a US$ 500 milhões, em valores do início do século XX, a entidades assistenciais, universidades e fundações de pesquisa ligadas à igreja batista da qual fazia parte, construindo sua fama de filantropo.

Acumulação primitiva e imperialismo
John Rockefeller acumulou sua riqueza nos Anos Dourados (1870-1890), uma época de enorme desenvolvimento econômico e expansão colonial do capitalismo europeu, aproveitada pela burguesia norte-americana do norte dos EUA que havia saído vitoriosa na recente Guerra da Secessão, terminada em 1865. A tendência à concentração de capitais era irreversível, o que ocorreu não apenas na indústria de petróleo, mas nas ferrovias, nas indústrias metalúrgicas e químicas e nos bancos.

Mas, embora na Europa essa acumulação fosse um desenvolvimento “normal” do capitalismo, que já existia de forma incipiente desde o século XVI e como economia dominante de um Estado a partir da Revolução Francesa em 1789, nos EUA ainda se vivia uma fase de livre concorrência entre milhares de pequenos capitalistas. As refinarias, por exemplo, que existiam às centenas, cada uma delas de um proprietário individual, tinham uma capacidade total de refino três vezes superior à quantidade de petróleo retirado dos poços. Nesse ambiente de anarquia na produção a centralização era o caminho necessário do desenvolvimento capitalista para suportar a concorrência com a Europa e estava apenas esperando pelos burgueses que vencessem a guerra predatória pela sobrevivência. Nessa guerra, todos os meios para vencer a concorrência e conseguir uma acumulação “primitiva” eram válidos para o capital, da mesma forma que o foram na Europa durante o período de acumulação do capital industrial.

Para Marx, o segredo da acumulação primitiva do capital é a “expropriação dos cultivadores” durante a decadência do feudalismo, através da “conquista, a dominação, a rapina à mão armada, o predomínio da força bruta….Na realidade, os métodos de acumulação primitiva são tudo o que se queira, menos matéria de idílios”. Já na era do capitalismo industrial, em fins do século XVII, “os diferentes métodos de acumulação primitiva” formam um “conjunto sistemático, abrangendo ao mesmo tempo o regime colonial, o crédito público, a finança moderna e o sistema protecionista. Alguns desses métodos apóiam-se no emprego da força bruta, mas todos sem exceção exploram o poder do Estado, a força concentrada e organizada da sociedade”. [1]

Todas estas características estão presentes na “acumulação primitiva” da grande burguesia norte-americana, mas também aí a presença do Estado foi fundamental. Muitos historiadores dão a Rossevelt, presidente dos EUA de 1907 a 1911, o crédito pelo ataque aos cartéis (ou trustes), principalmente o desmembramento da Standard Oil, sendo chamado pela imprensa da época de “trust buster” (destruidor dos trustes). No entanto, o próprio Roosevelt dizia que não era contra os cartéis em geral, mas apenas contra aqueles que se aproveitavam de suas vantagens competitivas para subir preços. Na verdade, Roosevelt não agiu contra os cartéis ou contra a centralização da economia, mas apenas reagiu às mobilizações da população, que ainda tinha uma consciência igualitária e democrática, embalada pela vitória da democracia industrial do norte dos EUA contra a tirania escravagista dos latifundiários do sul, na Guerra de Secessão.

Utilizou o poder de Estado, não para acabar com os cartéis, mas para regulamentá-lo e salvar o próprio negócio do petróleo, ameaçado pelo monopólio praticamente total da Standard Oil. A marcha dos acontecimentos mostra que em 1900 havia 185 grandes grupos industriais com um capital de US$ 3 bilhões, que saltaram para 318 com capital de US$ 7 bilhões em 1904, com as leis anti-trustes já em vigor. Em 1909, quase a metade da produção global encontrava-se nas mãos da centésima parte do total das empresas.

Além do petróleo, a concentração do capital ocorreu nas estradas de ferro, controladas por apenas seis grandes grupos que detinham 74% da extensão delas, na metalurgia, monopólio da United Steel Co. de Andrew Carnegie, e nas comunicações onde a AT&T (American Telephone & Telegraph) detinha o negócio nacionalmente.

Foi com este poderio que a burguesia norte-americana (e Rockefeller) preparou-se para a época imperialista, iniciada, segundo Lênin após a crise de 1901-1903 e que tem como principais características a transformação da livre concorrência em monopólio e a fusão do capital industrial com o capital bancário para a formação de um único capital financeiro (as outras são a exportação de capitais pelos países imperialistas e a repartição do mundo em colônias destes monopólios). [2]

Rockefeller e o capital financeiro
Embora tenha sido uma tendência irreversível do desenvolvimento capitalista, a transformação da livre concorrência em monopólio não foi uma transformação natural feita por heróicos pioneiros, como a história oficial de John Rockefeller procura demonstrar.

Tampouco o foi a transformação do capital bancário em capital financeiro. O próprio surgimento dos bancos só pôde acontecer pela proteção dos estados capitalistas recém-formados na Europa. Segundo Marx, “a dívida pública opera como um dos agentes mais enérgicos da acumulação primitiva. … Os credores da dívida pública, a dizer a verdade, não dão nada, pois sua principal metamorfose em efeitos públicos de fácil transferência continua funcionando em suas mãos como qualquer outro numerário….Os grandes bancos, desde o início, disfarçados com títulos nacionais, não eram mais do que associações de especuladores privados, estabelecidos ao lado de governantes e, graças aos privilégios que deles obtinham, emprestavam-lhes o dinheiro do público”. [3]

Estas características perduram até hoje e são a base mesma dos grandes bancos credores das dívidas externas dos países coloniais e semicoloniais. Porém, sofreram transformações na época imperialista pois, a concentração do capital industrial teve como conseqüência direta a concentração dos bancos, que passaram a ser dominados por um punhado de milionários, e a fusão do capital bancário com o industrial, dando origem ao capital financeiro. Se, por um lado, a burguesia industrial depende cada vez mais do capital bancário para seus investimentos, uma parte cada vez maior destes é feita nas indústrias. “Este capital bancário – portanto capital em forma de dinheiro – , que por esse procedimento se transforma de fato em capital industrial, é o que chamo de capital financeiro”. [4]

Tal descrição se encaixa perfeitamente na evolução dos negócios de John Rockefeller e seus sucessores. Segundo Lênin, já em 1912, “não são nove, mas dois grandes bancos, dos multimilionários Rockefeller e Morgan, os que dominam sobre um capital de 11 bilhões de marcos” [5]. John Rockefeller, além da Standard Oil, era propietário de um banco – o Equitable Trust Company – e J. P. Morgan em 1900 já era um dos maiores banqueiros do mundo. Em 1895, Morgan emprestou US$ 65 milhões em ouro ao governo norte-americano para elevar as reservas do estado, garantindo-lhe um retorno de US$ 100 milhões. Pode-se dizer que foi o principal agente do monopólio financeiro dos EUA.

Em 1901 Morgan tornou-se o principal acionista da U.S. Steel, a principal empresa siderúrgica norte-americana, que controlava 2/3 do mercado, formada através da fusão de várias siderúrgicas. John Rockefeller Jr., o filho do patriarca, herdou o Banco e tornou-se diretor da U.S. Steel. Em 1930, o Equitable Trust Company fundiu-se com o Chase National Bank, formando o Chase Manhattan Bank – transformando-se no maior banco norte-americano -, que em 2000 fundiu-se com o J.P. Morgan Co. para formar o JP Morgan Chase, na prática uma união dos negócios das famílias Morgan e Rockefeller, que dirigiam diversos monopólios nas áreas do petróleo, estradas de ferro, siderurgia e dos bancos.

Tais fusões demonstram como funcionou a concentração de capitais, formando monopólios em vários ramos de negócio, controlados por apenas duas famílias, e a fusão dos capitais industrial e bancário, que se transformaram num único capital financeiro.

Foi na qualidade de principal acionista do Chase Manhattan Bank que David Rockefeller, o principal herdeiro do patriarca e filho de John Rockefeller Jr, torna-se o principal credor do governo brasileiro em 1973, através do conto de fadas estampado na entrevista da revista Veja: “Os choques do preço do petróleo dos anos 70 concentraram uma grande quantidade de dólares nas mãos de importantes nações produtoras de petróleo… Como conseqüência, os bancos ocidentais, incluindo o Chase Manhattan, do qual eu era presidente naquele período, tinham muitos ativos que precisavam ser reinvestidos. Os países em desenvolvimento, incluindo o Brasil, necessitavam desse dinheiro, e por isso lhe oferecemos empréstimos… Foram empréstimos legítimos”.

Tão legítimos quanto a atual dívida externa brasileira, que tem como patrona exatamente os empréstimos da década de 70, contraídos durante a ditadura militar, que fizeram a dívida saltar de US$ 601 milhões em 1949 para US$ 61 bilhões em 1994, dando início ao círculo vicioso de pagamento/juros que suportamos até hoje. Ou, levando-se em conta a América Latina, de US$ 17 bilhões no início da década de 70 para US$ 257 bilhões no fim da década de 80. [6]

Na verdade, o excedente de dólares nos grandes bancos ocidentais foi o resultado do aumento do preço do petróleo iniciado em 1974, articulado pelas grandes empresas petrolíferas mundiais que detinham a totalidade das reservas petrolíferas do Oriente Médio, como saída para a grande crise econômica que se abateu sobre os principais países imperialistas no início da década de 70. Esta crise foi tão grande que foi necessário um mecanismo de transferência da poupança de toda população mundial, através do aumento do preço do petróleo, para recapitalizar as empresas capitalistas, tendo os bancos como centralizadores desse capital.

Nada mais fácil do que utilizar os estados burgueses, principalmente aqueles governados por ditaduras militares, como o Brasil, para absorver os excedentes gerados, garantindo assim um sobre-lucro ao capital expropriado pelo grande capital. O Chase Manhattan tornou-se, assim, o principal credor privado do Brasil, passando a sugar por décadas seguidas as riquezas produzidas no país para pagar um “empréstimo legítimo”. Este exemplo basta para demonstrar a tese de Marx, de que o “a dívida pública opera como um dos agentes mais enérgicos da acumulação primitiva” e a acumulação já caída de podre, agregamos nós.

Mas isso não basta para explicar como uma família de bilionários conseguiu obter tantas vantagens e acordos com os estados nacionais, supostamente soberanos, mesmo sob ditaduras. Se a economia é a base que, em última instância, determina o conjunto das relações sociais, é necessária uma explicação da política implementada pela burguesia para impor sua vontade sobre milhões de seres humanos.

Da criação da Trilateral aos napalms
Em 1973, David Rockefeller (o atual chefe do clã) fundou uma organização internacional chamada Trilateral, composta por 325 personalidades das maiores “democracias do mundo” (isto é, dos principais países imperialistas), os EUA, a Europa e o Japão. Entre eles estão os chefes das principais corporações, bancos, políticos e intelectuais.

Seu objetivo oficial é uma “estreita cooperação trilateral em defesa da paz, no gerenciamento da economia mundial, na promoção do desenvolvimento econômico e para aliviar a pobreza para aumentar as chances de uma evolução pacífica e suave do sistema global”.

Com este tipo de linguagem e pelos seus componentes pode-se verificar sem esforço que se trata, na verdade, de um veículo para a consolidação internacional de interesses comerciais e financeiros dos principais monopólios através do controle político dos principais estados capitalistas, principalmente os EUA. Em outras palavras, trata-se da aplicação moderna de outra das características do imperialismo,descritas por Lênin: a repartição do mundo em colônias dos monopólios.

Não foi coincidência que esta organização tenha sido fundada em 1973, em meio a uma das maiores crises da economia capitalista, quando a antiga ordem colonial estava caindo aos pedaços (revoluções em Vietnã, Moçambique, Angola), além da formação da OPEP (Organização dos países produtores de petróleo). Isto é, durante uma situação revolucionária mundial. Sua primeira ação foi o incentivo à transferência dos “petrodólares” aos grandes bancos norte-americanos através do aumento dos juros nos EUA e o empréstimo do excedente aos países do “terceiro mundo”. Calcula-se que tenham sido emprestados US$ 52 bilhões, principalmente pelo Chase Manhattan, o banco de Rockefeller.

Outra ação importante foi a política de extermínio do campo vietnamita para destruir a base social do Vietcong. Segundo os ideólogos da Trilateral, “se a aplicação direta da força militar no campo tiver lugar de uma forma tal que force a migração maciça do campo para a cidade, então a revolução rural de inspiração maoísta pode ser suplantada pela revolução urbana apoiada pelos EUA” [7]. São desta época as tristemente lembradas bombas de Napalm.

Mas não bastava ter influência política, era necessário controlar o Estado. Para isso foi lançado Jimmy Carter, um membro da Trilateral que tinha menos de 4% de apoio no Partido Democrata norte-americano e acabou derrotando o principal candidato na Convenção daquele partido. Os postos chaves do governo Carter foram ocupados por membros da Trilateral. E, para fazer um presidente, nada melhor que o poder do dinheiro. Outros presidentes-membros foram George Bush (pai) e Bill Clinton.

Por isso, não nos surpreende que David Rockefeller tenha visitado o Brasil nos último três anos (a quarta vez seria após a entrevista à Veja), isto é, em todos os anos do governo Lula, e que seus conselhos sejam para o país se “concentrar em busca do crescimento com sustentabilidade” e “chegar a um compromisso para criar regras previsíveis e sustentáveis nos países, com investimento em boa educação primária para toda população. Os governos devem também investir mais em infra-estrutura, como transporte e serviço social básico, a fim de promover o crescimento”.

Conselho prontamente assimilado por Lula, que em seus discursos de início de novo mandato repete quase literalmente as palavras de Rockefeller. Na prática, estas palavras foram traduzidas no PAC, que significa a privatização da infra-estrutura do país com a aplicação das PPP, a privatização do ensino superior com a reforma universitária, que está nas entrelinhas de sua proposta de investimento na educação primária, e a reforma da Previdência.

Para terminar esta breve análise do clã dos Rockefeller, podemos dizer que, se é amigo da Veja e dos principais governantes do mundo, Lula incluído, então é inimigo dos trabalhadores. E quanto à sua afirmação de que sem os milionários o capitalismo não teria sobrevivido, só nos resta uma alternativa: a expropriação destes milionários para a destruição do capitalismo e a construção e uma sociedade socialista em todo o mundo.


NOTAS

1. Marx, A origem do Capital – a acumulação primitiva
2. Lênin, O imperialismo, fase superior do capitalismo
3. Marx, A origem do capital, a acumulação primitiva
4. Hilferding em Lênin, O imperialismo, fase superior do capitalismo
5. Lênin, O imperialismo, fase superior do capitalismo
6. Fatorelli Carneiro (org.), Auditoria da dívida externa: questão de soberania
7. Noam Chomsky, The Carter Administration: Myth and Reality, em www.chomsky.info/books/priorities01.htm