Foto Agência Brasil

Educadores do PSTU-Teresópolis

Nós, educadores do PSTU em Teresópolis, viemos a público reafirmar nosso posicionamento em defesa da manutenção das vidas dos profissionais da educação. Em primeiro lugar, ratificamos a decisão coletiva, votada em assembleia, por suspender a decisão de “greve pela vida”, no caso de retorno presencial. As deliberações nos fóruns dos profissionais de Educação são soberanas, devem ser respeitadas e seguidas por todos. Da mesma forma, entendemos que pressões materiais acabam obrigando o retorno presencial, assim como o medo de perseguições, assédio moral, que podem ocorrer nos locais de trabalho.

Entretanto, temos a obrigação de alertar os colegas de que a volta prevista para o dia 9 de agosto, já com estudantes em sala, configurará grande risco para nossas vidas, principalmente para quem trabalha na Educação Infantil, pelos seguintes motivos:

  1. Nem todos os profissionais da educação foram imunizados com a segunda dose ou com a dose única das vacinas contra a Covid-19;
  2. De acordo com nota, a Prefeitura de Teresópolis não antecipará a segunda dose da vacina  Oxford/Astrazeneca[1];
  3. As autoridades sanitárias,  como  a Anvisa[2],  alertaram sobre a necessidade de completar o esquema vacinal para total imunização, inclusive o próprio governo municipal tem feito campanhas em suas redes sociais, alertando o mesmo[3], contraditoriamente essa orientação não cabe aos trabalhadores da Educação;
  4.  A vacinação continua lenta no país. Menos de 18% tomaram as duas doses. Nesta última semana de julho, faltam vacinas em, pelo menos, 8 capitais do país. Em Teresópolis, o percentual de vacinados é de cerca de 20%, ou seja, falta muito para os 70% necessários para imunização coletiva;
  5. Para segurança dos estudantes que não poderão ser vacinados, é fundamental que não só os profissionais da Educação, mas também a toda a população adulta esteja completamente imunizada;
  6. A vacinação lenta e a flexibilização das atividades econômicas fazem o vírus circular e, assim, novas variantes surgirem, como a Delta, que já se espalha pelo Estado do Rio e causou morte[4];
  7. A prefeitura de Teresópolis, até aqui, não respondeu como resolverá o problema do transporte público, garantido aos estudantes o distanciamento necessário para que não sejam contaminados pelo novo coronavírus, já que, por causa da pandemia, a oferta de ônibus foi reduzida pelas empresas que prestam o serviço;
  8. Segundo o DIEESE, nos primeiros quatro meses de 2021, houve aumento de 128% de desligamentos por morte dos profissionais da educação durante a pandemia[5]. No início de 2021, após retorno presencial, duas professoras, uma da rede privada e outra da rede pública, faleceram em decorrência da Covid-19, além de outros profissionais contratados, aposentados e ativos que perdemos em 2020. Essas mortes não podem ser naturalizadas, como querem nos fazer crer o governo Bolsonaro e outros negacionistas, que colocam os lucros acima das vidas.

Em Teresópolis, o prefeito Vinícius Claussen (PSC) nunca decretou Lockdown para evitar parte das mortes por covid, tampouco fez testes em massa para controlar a disseminação do vírus. O gestor preferiu governar para os ricos, decidindo a flexibilização das atividades econômicas com um “comitê de crise”, formado por empresários majoritariamente. Faltando poucos dias para o final de julho, a cidade tem mais de 808 mortes[6] e uma taxa de mortalidade altíssima, 420 por 100 mil habitantes; não podemos aceitar como “baixo” o patamar de cerca de 900 casos de covid por mês[7].

Para que mais nenhum profissional da educação se torne um número, o esquema vacinal contra a covid deve ser respeitado e, por isso, o retorno adiado. Mas isso só não basta. O retorno presencial deveria acontecer somente com a pandemia controlada e com a vacinação de toda a comunidade escolar.

Em cerca de um ano e quatro meses de pandemia, o prefeito não garantiu internet gratuita nem equipamentos para os estudantes. Os professores pagaram do seu próprio bolso a internet para interagir com quem conseguia o acesso. Nem mesmo a segurança alimentar para as famílias aconteceu, pois o valor do cartão alimentação mal consegue pagar a refeição de cada estudante, basta vermos o custo da cesta básica. A fome aumenta no país!

Apesar de todo o trabalho dos profissionais da Educação, temos a clareza de que as atividades não presenciais, sejam remotas ou por meio de apostilas, não foram as ideais, mas foram necessárias para que vidas fossem salvas, diminuindo a circulação de pessoas pela cidade. Somente em 2021, a covid-19 já matou 1.581 jovens entre 10 e 19 anos[8] no Brasil! Mais um dado assustador!

A saída para a crise que se agudizou durante a pandemia não pode ser individual.  Por isso, insistimos na necessidade de nos mantermos em constante mobilização, sempre vigilantes para os dados da pandemia e pelo cumprimento dos protocolos nas escolas e creches, denunciando o aumento de casos. E que não descartemos a possibilidade de uma greve, inclusive geral sanitária, como tem sido discutida em alguns fóruns sindicais nacionais para derrubar o governo Bolsonaro, o principal causador de tantas mortes e do atraso na compra de vacinas, com suspeitas de corrupção no Ministério da Saúde.

De tudo isso, podemos concluir que, enquanto a categoria resistiu ao retorno presencial, muitas vidas em Teresópolis foram salvas. Infelizmente, as mais de 800 que não conseguiram se vacinar, contabilizadas pelo registro civil, não poderão ser recuperadas.

– Pelo retorno às aulas presenciais somente com a vacinação geral da população e de todos os/as trabalhadores/as da Educação! Que o esquema vacinal seja respeitado! Escolas Fechadas, vidas preservadas!

– Pela permanência do ensino remoto para a preservação das vidas dos alunos/as, responsáveis e trabalhadores/as da Educação!

– Pela aceleração da vacina para as comunidades escolares!

– Pela segurança alimentar das famílias dos/das estudantes!

– Por internet e equipamentos urgentes para todo o magistério e estudantes de todas as etapas de ensino!

– Por EPIs adequados! Máscaras N95 e/ou cirúrgicas!

– Por testagem periódica de estudantes e profissionais da educação!

– Por mais oferta de horários de ônibus para a segurança sanitária dos/das estudantes e dos/das trabalhadores/as!

 

[1] https://teresopolis.rj.gov.br/comunicado-teresopolis-nao-vai-antecipar-o-intervalo-da-segunda-dose-da-vacina-oxford-astrazeneca/

[2] https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2021/vacinacao-contra-covid-19-a-importancia-da-segunda-dose

[3] https://www.facebook.com/watch/?extid=WA-UNK-UNK-UNK-AN_GK0T-GK1C&v=949494772294903

[4] https://odia.ig.com.br/rio-de-janeiro/2021/07/6195444-primeira-morte-pela-variante-delta-e-identificada-no-estado-do-rio-de-janeiro.html

[5]https://www.dieese.org.br/boletimempregoempauta/2021/boletimEmpregoemPauta21.pdf

[6] https://transparencia.registrocivil.org.br/especial-covid

[7] Painel Covid, Prefeitura de Teresópolis, atualizado em 25/07/21.

[8] https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2021/07/20/covid-ja-e-maior-causa-de-mortes-naturais-de-jovens-de-10-a-19-anos-no-pais.htm