Reunião do G8: provas técnicas de repressão

Vinte e uma prisões de estudantes: os aparelhos repressivos do Estado treinam tendo em vista o “outono quente”*Organizemos a defesa operária
Na segunda-feira [6 de julho] pela manhã, a polícia prendeu vinte e um estudantes, em diversas cidades da Itália que, em meses passados, participaram das mobilizações contra o desmantelamento da escola pública. O pretexto foi manter sob controle supostos arruaceiros que, no dia 19 de maio passado, em Turín, por ocasião da passeata em oposição à cúpula da reunião do G8 sobre universidades, teriam provocado os choques com as forças da ordem burguesa. Naquela ocasião, milhares de manifestantes atravessaram as ruas de Turín ao grito de “nós não pagaremos vossa crise” e foram cercados e agredidos, coisa que também se repetiu recentemente em Vicenza.

Não é casual que estas prisões se realizem justo na véspera do G8 (cujos líderes se reuniriam até o dia 10 de julho na cidade de Áquila, Itália) e, sobretudo, em vista do outono. Trata-se de uma advertência e, ao mesmo tempo, de uma provocação: a mensagem que os aparelhos repressivos querem dar às futuras mobilizações é o da linha dura. É evidente que, também em nosso país, como no resto da Europa, a situação no outono poderá ser explosiva: milhões de trabalhadores se encontrarão sem trabalho, situação que poderá provocar agudos conflitos. Os patrões, em breve, já não poderão ter confiança nos amortecedores sociais (como o fundo de desemprego) para atenuar os conflitos: os choques se produzirão contra o capitalismo em crise e o capital, e como sempre na história, começa a se organizar suas bandas armadas desde a polícia aos paramilitares.

O Partido da Alternativa Comunista expressa sua solidariedade aos detidos. Frente à violência dos guardiões dos patrões, operários, estudantes, trabalhadores e imigrantes não têm senão uma direção a seguir: a organização da autodefesa, a partir dos piquetes de greve e dos comitês de luta. Eles se preparam para apagar o “outono quente”: os trabalhadores e os estudantes terão de estar prontos a contestar e contraatacar.

*A expressão “outono quente” é uma referência às lutas sindicais na Itália. Leia mais: 68 na Itália: A herança de uma revolução que faltou ao encontro da história