Reunião da Conlutas abre o debate sobre novo modelo de sindicatos

Debatedores discutem mudanças no modelo sindical atual
Jeferson Choma

A primeira reunião da coordenação nacional da Conlutas após o vitorioso encontro do dia 25 de março, teve início na manhã deste sábado, 14 de abril, com a abertura do debate acerca de concepção sindical. Na mesa, estiveram os debatedores Ricardo Antunes, Zé Maria de Almeida, Paulo Rizzo. Também participou como convidado, representando a Intersindical, Emanuel Melato.

Ricardo Antunes, sociólogo e professor da Unicamp, filiado ao PSOL, abriu o debate fazendo uma retrospectiva da história dos sindicatos no Brasil desde o início do século XX até os dias de hoje. Antunes falou sobre as mudanças no mundo do trabalho, do aumento da informalidade e das terceirizações. Ele ressaltou a necessidade de uma organização sindical que abarque os mais diversos setores da classe, trabalhadores empregados e desempregados, homens e mulheres, setores oprimidos. “Nós temos de entender que precisamos de um sindicato de novo tipo (…) que seja um sindicato de massa, de classe, de base, radical, não de cúpula”, concluiu.

Zé Maria, diretor da Federação Democrática dos Metalúrgicos de Minas Gerais e membro da coordenação nacional da Conlutas, falou a seguir, apresentando um documento que elaborou intitulado “A construção da Conlutas e a luta contra a burocratização dos sindicatos”. Ele afirmou que este é um debate que está apenas iniciando na Conlutas. “É uma resposta parcial, ou seja, nós vamos ter que aprofundar muito, trabalhar para que a gente possa aprimorar cada vez mais esse nosso funcionamento enquanto uma central sindical e popular para que a gente possa estar à altura das exigências e dos desafios que o conjunto da classe trabalhadora no nosso país nos coloca”, disse.

Tomando o exemplo da degeneração da CUT, Zé Maria alertou sobre o perigo de os dirigentes da esquerda que romperam com a central governista seguirem o mesmo caminho caso não se tenha política para combater a burocratização, que se dá através de pequenos privilégios. Ele apontou algumas medida que ajudam nessa “atalha interna” das organizações sindicais, como limitar a reeleição de dirigentes, impedir o uso do aparato das entidades em benefício pessoal, etc.

Por tudo isso, a Conlutas deve batalhar para construir um novo modelo de sindicalismo no país. Ele explicou que “a diferença nossa [Conlutas] para o setor que se degenerou ao ponto que chegou a CUT tem a ver com a direção política”. “No capitalismo não há neutralidade: ou o sindicato é uma organização que se soma às outras da classe trabalhadora e defende o socialismo ou ele vai defender o capitalismo”, alertou.

Paulo Rizzo, atual presidente do Andes-Sindicato Nacional, relatou a experiência da sua entidade, que, recentemente, filiou-se à Conlutas. Ele disse estar orgulhoso da filiação à Coordenação e que era necessário construir a nova entidade pela base. “Nós rompemos [com a CUT] porque não tem mais democracia e não tem mais como reverter o fato de ela ser uma peça do aparato de estado”, disse.

Emanuel Melato, diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas e Região, representando a Intersindical, valorizou a construção da unidade que vem se dando nas lutas. Ele defendeu que fosse elaborado um texto unitário com base nos encaminhamentos do dia 25. Além disso, disse que a “organização por locais de trabalho é fundamental, é algo que a CUT abriu mão”.

Também apresentaram e defenderam textos a Corrente Comunista Luís Carlos Prestes, representada pelo diretor da Associação dos Professores da Universidade Federal de Santa Catarina e membro do Andes-SN, e a Frente de Oposição Socialista, representada por Silvana, membro da Oposição Unificada da Apeoesp.

Por fim, a reunião definiu que esse tema será remetido à discussão nas bases, a partir de um DVD e um caderno especial que serão produzidos pela Conlutas. Também foi levantada a necessidade de realizar seminários nas regiões.