Rejeitar a proposta dos banqueiros e preparar a greve geral bancária

Quando fechávamos esta edição, os banqueiros apresentavam uma nova proposta aos bancários: 12,6% de reajuste sobre os salários, mais abono de R$ 1.500, Participação nos Lucros de 80% sobre o salário e parcela fixa de R$ 650.

A Executiva Nacional dos Bancários recomendou a todos os sindicatos a aceitar essa proposta, como disse Vagner Freitas, presidente da Confederação Nacional dos Bancários da CUT e coordenador da Executiva: “ao mesmo tempo em que houve um crescimento na mobilização da categoria, em função do momento político que vivemos, não seria possível avançar mais a proposta por meio de negociações. Não é a plena vitória, mas é possível fazer um acordo neste patamar”.

O que Vagner não diz é o verdadeiro motivo porque a proposta dos banqueiros não avança. Essa proposta está diretamente vinculada à política econômica do governo, que tem como âncora o arrocho salarial. O ministro Palocci já deu várias declarações contrárias a reajustes que reponham as perdas salariais. A proposta fica muito longe do INPC do período (17,52%). A posição da direção do BB e da CEF – cujos funcionários têm mais de 100% de perda salarial – é cumprir o acordo dos privados apenas para quem ganha o piso. O reajuste para as demais faixas salariais seria negociado em mesa específica. Ou seja, nem esse índice rebaixado dos banqueiros está garantido para o conjunto do funcionalismo do BB e da CEF. É justamente o crescimento da mobilização da categoria – apesar da política da Executiva Nacional de paralisações fragmentadas – que dá plenas condições de dobrar banqueiros e governo e conseguir as reivindicações. Ou o Vagner tem a ilusão de que em mesa de negociação dobraremos os banqueiros e o governo?

Essa proposta não serve para os bancários dos bancos privados e muito menos para o BB e a CEF. Nas assembléias que estão sendo chamadas para aprovar a sua aceitação, temos que rejeitá-la. E construir um calendário de mobilização que aponte para a greve geral da categoria. No dia 1º, os bancários do Rio aprovaram greve de 24 horas de toda a categoria e o BB de Brasília vai parar por 48 horas. Esse é o caminho.

Post author André Valuche,
da redação
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