Reintegração não acaba com luta na Flakepet

``EveraldoApós a reintegração de posse da fábrica Flakepet, a luta não terminou. Desalojados pela PM e sem emprego, os funcionários acamparam em frente à fábrica, em Itapevi (SP), e ainda buscam o seu controle. O Opinião Socialista conversou com Everaldo Duarte, do Sindicato dos Químicos Unificados da região de Osasco e José Carlos Santos, trabalhador da fábrica.

Opinião Socialista – Como foi feita a reintegração de posse?

Everaldo Duarte: Ficamos sabendo da reintegração no dia anterior, através do dono,
Mauricio Naguchti. Tentamos cassar a liminar, mas não conseguimos. A reintegração foi
feita de madrugada pelo batalhão de choque. Fizemos uma assembléia e decidimos acampar em frente a fábrica.

Como o acampamento é organizado?

Everaldo: Durante a ocupação estávamos produzindo, precariamente, mas estávamos tocando a produção. Agora está tudo parado. Não temos como garantir o sustento. Da produção que tínhamos, parte era destinada à compra de matéria-prima e o restante dividido em salários. Hoje todo recurso que conseguimos é pra manter o acampamento.

A expectativa dos trabalhadores é retomar o controle da fábrica?

Everaldo: O sindicato conseguiu o arresto de bens. Hoje, toda a fábrica está arrestada, ou seja, a serviço do pagamento das dívidas trabalhistas. Foi uma vitória, pois nossa preocupação era que o patrão sumisse com os equipamentos. A expectativa é voltar para a fábrica. O patrão disse que pretende retomar a produção com uma média de 40 trabalhadores. A maioria ficaria de fora. Questionado, ele disse “isso a gente discute na justiça”.

Qual era a situação dos trabalhadores antes da ocupação?

José Carlos Santos: Em outubro, o patrão chegou na fábrica e disse pra gente voltar pra casa e ficar 10 dias sem trabalhar, pois a empresa estava com dificuldades; já estávamos com salários e o décimo terceiro atrasados. Avisamos ao sindicato, que está conosco até hoje, e em dezembro uma assembléia decidiu ocupar a fábrica. Ocupamos por três meses.

Qual é a situação atual?

José Carlos: Estão todos passando dificuldades, são poucos os que conseguem fazer algum bico e estamos dependendo de doações. A prefeita esteve na fábrica e prometeu muitas coisas, mas não cumpriu. Pedimos para ela municipalizar a empresa e ela disse que era impossível. Municipalizar seria uma forma da empresa quitar as dívidas que tem.

Post author Yara Fernandes,
de Luziânia (GO)
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