Redução de salários não garante emprego


CUT, Força Sindical e UGT costuram com o governo proposta para reduzir salários e manter os lucros das empresas

No mês de abril o país perdeu quase 100 mil postos de trabalho com carteira assinada, o pior resultado desde 1992. Além disso, outros milhares estão com o contrato de trabalho suspenso (lay off) ou em férias coletivas. Com as vendas em queda as empresas estão reduzindo seus custos cortando trabalhadores. Estas mesmas empresas, em particular as montadoras, receberam perto de R$ 100 bilhões em subsídios,desonerações e isenções nos últimos anos do governo Dilma, e não garantiram emprego.

Agora o governo estuda um plano apresentado pelas centrais CUT, UGT e Força Sindical, supostamente para proteger o emprego. Segundo este plano, nos momentos de crise haveria uma diminuição da jornada em 30% e redução dos salários em 15%, sendo que a arrecadação do governo se manteria com as contribuiçõs previdenciárias e trabalhistas. O dinheiro para pagar os outros 15% sairia de um fundo composto pelos recursos dos próprios trabalhadores como o FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço).

Como se pode perceber, as empresas não perdem nada e reduzem seus custos com o não pagamento integral dos salários, mantendo seus lucros intactos . É muito comum em época de aperto que os empresários venham com estas propostas de diminuição de salários. A diferença é que agora essa proposta parte dessas centrais sindicais, se inspirando na proposta do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC da CUT, com o Plano de Proteção ao Emprego (PPE).

Em um momento de crescimento da inflação com uma subida dos preços dos alimentos, das tarifas , da gasolina, de um duro ajuste fiscal do governo Dilma e dos diversos governos estaduais, que penaliza os trabalhadores e trabalhadoras com diminuição de benefícios e piora dos seviços públicos, vemos mais esta vergonhosa proposta de diminuição de salários com a desculpa de proteger empregos. Esta proposta consegue ser pior do que o chamado lay off , ao permitir aumentar o afastamento atual de 5 meses para um ano, e que poderá ainda ser prorrogado com a consequente redução dos salários.

Estabilidade no emprego já!
As empresas ganharam muito dinheiro nos últimos anos, continuarão mantendo seus lucros e estas centrais (CUT, Força Sindical e UGT) querem apresentar este plano como uma reivindicação e vitória dos trabalhadores se for implementado. A CSP-Conlutas não se sente representada nesta negociação e repudia a proposta.

Chamamos os trabalhadores que neste momento estão com o emprego ameaçado em todo país a exigir do governo Dilma a imediata aprovação da estabilidade no emprego. Precisamos unificar as mobilizações contra as demissões que estão ocorrendo. Queremos a redução da jornada de trabalho sem redução de salários e as empresas que insistirem em demitir em massa devem ser estatizadas e colocadas sob o controle dos trabahadores. Dia 29 de maio estaremos juntos contra a PL da terceirização e as MP’s da Dilma , mas também vamos denunciar este PPE que reduz salários e não protege emprego.

Mancha é da Executiva Nacional da CSP-Conlutas e da direção do PSTU