Reconstrução do Haiti não será feita com fuzis

Fora as tropas brasileiras e imperialistas do Haiti! Toda solidariedade ao povo irmão haitiano!Infelizmente, os efeitos da crise econômica são muito mais graves para os países subdesenvolvidos, principalmente africanos. Mas na América Latina não é diferente. Nós, trabalhadores, estamos muito tristes com o episódio que abala o Haiti, um dos países mais pobres da América Latina. É importante ressaltar que não foi o terremoto o causador da grande maioria das mortes. Há pessoas vivas ainda, debaixo dos destroços, mas o país não possui a mínima estrutura que possa salvar as milhares de vidas que estão sendo perdidas. Essa pobreza em que vive o Haiti nada mais é do que reflexo da política imperialista neste pais.

Há anos os Estados Unidos ocupa o Haiti. Desde 2004, o governo Lula cumpre o papel de dirigir as tropas da Missão de Estabilização da ONU no Haiti (Minustah). Por que tanto interesse do imperialismo neste país? A explicação é econômica.

Se no Iraque as tropas garantem a exploração do petróleo, no Haiti a ocupação garante a exploração da mão-de-obra mais barata da América Latina, com a implementação das Zonas Francas em todo território haitiano, multinacionais que exploram esse povo, lembrando o passado da escravidão.

As notícias que temos é que se formou uma onda de solidariedade da população nas ruas, levantando destroços, enterrando seus mortos, procurando os desaparecidos. As mulheres garantem a alimentação.

Enquanto isso, as tropas da ONU, que antes estavam nas fábricas reprimindo movimentos grevistas e nos bairros oprimindo a população, desapareceu, ou melhor, as notícias é que os soldados estão ajudando a levantar os destroços dos grandes palacetes, onde ficavam os empresários, e a alta patente da ONU.

Se o governo Lula quisesse realmente ajudar, não dobraria o número de tropas como está fazendo, mas mandaria médicos, remédios, técnicos, tecnologia, alimentos etc. A política das tropas no Haiti é a mesma de Sérgio Cabral no Rio de Janeiro: colocar caveirão nas favelas.

Nós, educadores, sabemos que a questão de segurança pública não se resolve com mais fuzil, e sim com saúde, educação, obras públicas, geração de emprego e distribuição de renda. Até porque os grandes traficantes não moram nas favelas. Quem morre com a ação da polícia é a população negra e trabalhadora.

Somos irmãos do povo negro haitiano, esse que foi o primeiro país a fazer uma revolução que libertou os negros das amarras da escravidão e encorajou toda a América Latina a fazer o mesmo. Podemos e devemos organizar nossa solidariedade via nossas entidades e sindicatos. Não podemos confiar em ONGs e em empresas como McDonald´s, que há muito ajudam a explorar as riquezas haitianas.

Organizações dos trabalhadores como a Conlutas, Jubileu Sul e vários sindicatos estão formando uma verdadeira rede classista de solidariedade. Façamos nossa campanha nas nossas escolas. Vamos enviar ajuda para que os trabalhadores haitianos reconstruam seus lares.

*Sabrina Luz é professora e membro do Sindicato da Educação Pública Estadual de Niterói-RJ. Ela esteve no Haiti em 2007, com a caravana de solidariedade da Conlutas