Claudia Ribeiro, pré-candidata a prefeita do Recife pelo PSTU

Em vários veículos de comunicação da burguesia como de organizações de esquerda de Pernambuco, foi noticiado a decisão do diretório municipal do PSOL de Recife de retirar a proposta de candidatura própria do partido para apoiar e formar chapa com a candidatura da deputada federal Marília Arraes do PT para prefeitura da capital pernambucana.

Dois artigos de membros da corrente Resistência do PSOL de Recife, assinados por David Cavalcante e Ismael Feitosa, apoiaram a decisão do diretório de retirada da candidatura própria do partido e colocam como uma necessidade a construção de um Frente eleitoral com o PT e como forma de se enfrentar com projeto do governo de ultradireita de Bolsonaro e Mourão e seus ataques a classe trabalhadora, como também para derrotar o governo burguês do PSB em Recife.

Para nós, a primeira tarefa da classe trabalhadora e da juventude na pandemia é garantir uma quarentena geral de 30 dias em defesa da vida, do emprego, da renda e lutar contra a política dos grandes empresários, banqueiros e bilionários de “passar a boiada” nos direitos e jogar a conta da crise econômica nas nossas costas. Essa luta para ser vitoriosa passa por combater e, principalmente, colocar para fora Bolsonaro e Mourão e todo seu governo genocida.

Mas isso não vai se dá através de uma frente eleitoral ou nas eleições burguesas, como afirma o PT, PSOL e PCdoB. Será na ação direta da nossa classe que vamos conseguir derrotar o projeto de semiescravidão e autoritário de Bolsonaro. A classe operária, os trabalhadores da cidade e do campo, os negros e negras, as mulheres, indígenas, quilombolas, LGBt’s e a juventude precisam impulsionar e intensificar a mais ampla unidade de ação e frente única pra lutar, como foi o dia 10 de Julho e deve ser o dia 7 de agosto, chamado pelas centrais sindicais e movimentos sociais, como parte do calendário nacional de luta pelo Fora Bolsonaro. É dessa forma que podemos colocar nossa classe em movimento para defender sua vida e barrar os ataques da burguesia e dos governos.

O PSB na prefeitura de Recife é um governo a serviço dos grandes empresários, banqueiros, ou seja, é um governo a serviço dos ricos da cidade. O prefeito Geraldo Júlio e o PSB nunca garantiram o saneamento básico, moradia, a saúde e educação para população mais pobre da periferia. São anos de sucateamento e privatização do serviço público e de ataques ao funcionalismo.

As grandes empreiteiras da construção civil nunca foram tão beneficiadas como no governo Geraldo Júlio, com obras milionárias, verdadeiros “elefantes brancos”, bancadas por dinheiro público. Além de enriquecer as grandes construtoras, a prefeitura foi alvo de ações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal que mostraram que o governo do PSB e o secretário de Saúde de Recife, Jaílson Correia, se aproveitaram da pandemia para superfaturar contratos de respiradores – que serviam apenas para porcos e não para pessoas – e insumos médicos para o tratamento dos pacientes da Covid-19.

Os companheiros do PSOL colocam de forma certeira que é preciso lutar contra a desigualdade gritante da cidade do Recife, que já vinha de antes e se aprofundou de maneira brutal durante a pandemia, e para isso é fundamental derrotar o governo burguês de Geraldo Júlio e do PSB. Mas o PSOL aponta para derrotar o projeto burguês do PSB fazer um frente com o PT, que é parte do governo Geraldo Júlio junto com PCdoB.

No escândalo de corrupção dos respiradores, por exemplo, todos os secretários da prefeitura, incluído o petista Oscar Barreto da Secretaria de Saneamento, assinaram uma carta defendendo o secretário Jaílson Correia que anda com habeas corpus preventivo, já que teve a prisão decretada. O que mostra a fidelidade do PT ao governo não apenas na política para cidade como também nas práticas de corrupção do PSB.

A direção do PSOL Recife coloca a candidatura da petista Marília Arraes como diferente do PT que está no governo Geraldo Júlio e como a candidatura capaz de representar as lutas da classe trabalhadora e da juventude recifenses contra o genocida Bolsonaro, como também o de ser a oposição ao governo dos ricos do PSB. Muitos trabalhadores e jovens também enxergam Marília e o PT como uma alternativa aos anos de PSB em Recife. Respeitamos essa opinião do PSOL e de muitos trabalhadores, mas não concordamos.

Qual é o programa defendido por Marília Arraes? Ela, como deputada federal, durante a crise sanitária e econômica, votou em leis que só serviram para atender os interesses dos ricos. Por exemplo, a petista votou no congresso nacional no PLC 39, que congela os salários dos servidores estaduais e municipais até o final de 2021. Marília votou no orçamento de “Guerra”, que significa mais dinheiro para o pagamento da dívida pública para os banqueiros e grandes empresários. Como podemos ver, Marília Arraes votou em leis que garantiram os lucros dos ricos na pandemia e que retiram direitos e jogam a crise sobre as costas dos trabalhadores e mais pobres.

Marília Arraes também apoiou os governadores do seu partido que votaram reformas da previdência nos Estados, que significam uma redução dos salários dos servidores públicos estaduais. Agora na pandemia, os governadores do PT fazem o jogo do Bolsonaro de reabrir a economia e jogar os trabalhadores para o “abatedouro”. Esse programa que Marília defende parte da lógica da conciliação de classes do PT com um setor dito “progressivo” da burguesia brasileira, que aposta todas as fichas na via das instituições burguesas, como o congresso nacional e as eleições controladas pelos grandes empresários, banqueiros e o capital internacional. Experiência que já vivemos e vimos aonde deu.

Nós achamos que a tal de “Frente de Esquerda” entre PT e PSOL para prefeitura do Recife, com Marília Arraes como candidata, não é uma alternativa para a classe trabalhadora barrar os ataques e derrubar o governo Bolsonaro. Nem tampouco que essa frente seja a alternativa que a classe trabalhadora e a juventude precisam para derrotar o projeto burguês e elitista de Geraldo Júlio e do PSB. Todo o debate e discussão sobre essa aliança entre PT e PSOL gira ao redor de uma Frente Ampla Eleitoral que cabe sem dúvida setores da burguesia. O programa de Marília Arraes é o mesmo dos governos de Lula e Dilma, que favoreceram o agronegócio, banqueiros e grandes empresários e que depois de 13 anos no poder não conseguiram sequer garantir saneamento básico para todos.

A classe trabalhadora de Recife precisa de uma saída que bote pra Fora Bolsonaro e derrote o PSB, mas que não embarque na repetição do projeto de colaboração de classes e de reformas do capitalismo, através de suas instituições, como a eleições burguesas, como que defendem a frente de Marília Arraes, PT e PSOL. É preciso um programa de independência de classe, revolucionário e socialista. Um programa que acabe com toda forma de exploração e opressão, colocando as necessidades da classe trabalhadora acima do lucro.  Isso só é possível com um governo socialista dos trabalhadores apoiado por conselhos populares, controlados democraticamente pelos de baixo, para que a riqueza, a tecnologia e a ciência que produzimos sirvam para garantir uma vida digna como seres humanos que somos.