Fora já Bolsonaro e Mourão! A juventude se recusa a morrer de bala, vírus ou fome!

Atingimos a triste marca de mais de 500 mil mortos no Brasil pela Covid-19. Enquanto estamos perdendo colegas e familiares, o ritmo da vacinação segue lento. Se tínhamos esperança de que 2021 seria um ano melhor, a verdade sobre a situação do país na pandemia foi um choque: surgimento de novas cepas de vírus, números recorde de mortes a cada dia, e Bolsonaro por um lado ignorando ofertas de vacinas, e por outro afundado em escândalos de corrupção.

Agora sabemos que os esquemas não eram apenas negacionismo, eram também negócio. A morte dos nossos é lucro para esse governo miliciano. Toda essa combinação de fatores resultou no aumento do número de jovens mortos por Covid. Esse é o saldo criminoso de Bolsonaro, Mourão e os ministros desse governo. Além disso, agora o governo avança com seu projeto de privatização dos Correios e da Eletrobrás. E para colocar a cereja no bolo, Bolsonaro constantemente ameaça nossas liberdades democráticas, com um projeto bem evidente de ditadura e repressão.

Na pandemia, o desemprego entre os jovens cresceu e a taxa de brasileiros entre 15 e 29 anos que não trabalham e não estudam aumentou. A juventude busca emprego e na maioria das vezes encontra apenas trabalhos precarizados com poucos direitos trabalhistas, extremamente expostos ao covid 19. Essa é a realidade dos jovens trabalhadores dos aplicativos, os operadores de telemarketing, trabalhadores de mercado ou de empresas de fast food, que recebem salários baixíssimos, sofrem com uma jornada exaustiva, assédio moral e sexual, e ainda que nunca tenham parado na pandemia, continuam esquecidos quando se trata de políticas públicas.

O auxilio emergencial oferecido pelo governo nesse momento não paga as necessidades de uma família e ainda os preços dos alimentos e do gás vem aumentando. A existência do auxílio é crucial para sobreviver, mas para Bolsonaro e os genocidas não importa se vamos morrer de fome com o auxílio-miséria ou não. E enquanto os pobres ficam mais pobres, não só aumentou o número de bilionários no país, como ainda por cima a fortuna deles dobrou.

O extermínio, a repressão e a coerção a juventude negra não diminuiu, as operações polícias nas favelas continuaram, fazendo com que nossa juventude todos os dias seja vítima do genocídio. São esses jovens negros, que tem quase três chances a mais de morrer vitimados pela violência, que mais sofrem com a pandemia. Estamos carimbados por um atestado de óbito triplo: morremos de covid, de fome e de violência policial.

Mas os jovens, os estudantes e a classe trabalhadora já estão mostrando que tem disposição de luta, fizemos manifestações com milhares nas ruas nesse semestre. Precisamos colocar toda nossa disposição, energia e criatividade a serviço da luta dos trabalhadores e o próximo passo é construirmos uma forte greve geral sanitária. Só vamos conseguir conquistar vacina, auxílio, emprego, educação e frear o genocídio com a saída imediata de Bolsonaro e Mourão!

Sem educação, nem emprego, somos a geração condenada pelo capitalismo a não ter presente e nem futuro!

No capitalismo nos encontramos num beco sem saída. Nos exigem experiência para entrar no mercado de trabalho, mas não conseguimos o primeiro emprego para ter experiência. Além de estar cada vez mais difícil ter acesso à educação de qualidade, hoje estamos mais escolarizados do que a geração dos nossos pais, mas isso tampouco significa ter um emprego melhor.

Os políticos, os ricos e os poderosos dizem que o desemprego é uma consequência inevitável da pandemia, mas na verdade é um aspecto crucial da economia capitalista. O que eles não podem assumir é que precisam do desemprego para continuar lucrando, pois assim rebaixam os salários e podem descer o cassete nos que estão empregados, já que ter emprego virou artigo de luxo.

Inclusive outro mecanismo do capitalismo que eles utilizam para rebaixar os salários é pagar menos para mulheres, negros e LGBTIs. Isso é um reflexo óbvio do machismo, racismo e LGBTfobia, mas todos os trabalhadores são afetados por isso. Na pandemia nós oprimidos estamos em maior situação de vulnerabilidade, e aumenta a violência que nos coage, silencia e mata. O aumento da violência doméstica, o genocídio, a violência policial contra mulheres trans em situação de prostituição.

É evidente, também, que os capitalistas não estão nem aí com a nossa escolarização. Fingem que se importam com a educação, tornando-a “serviço essencial”, mas para eles essencial mesmo é formar, por um lado, mão de obra barata para que possam nos submeter a níveis absurdos de exploração, assédio e violência, e por outro, formar dóceis e servis administradores e trabalhadores especializados para a produção capitalista.

Nós jovens estamos presos nessa lógica infernal do capitalismo. Lógica que destrói a natureza, caminhando hoje para uma mudança climática catastrófica, enquanto a sexta extinção massiva da biodiversidade está em curso. Essas são as causas de fundo da atual pandemia, que não será a única que viveremos caso não acabe a depredação que é intrínseca a esse sistema.

E não importa o ano que nascemos, nem se somos “millenial” ou “geração z”. Na verdade, não estamos divididos em duas gerações, mas sim em duas classes sociais: tem os jovens filhos dos que lucram, e nós, os jovens filhos dos que morrem.

Defender a educação contra os ataques e o obscurantismo de Bolsonaro!

Não é verdade que é possível ascender socialmente através da educação. Se fosse assim, nós seríamos a geração com o futuro mais promissor até agora, mas o que vemos no futuro é justamente o contrário de algo promissor. No entanto, também é verdade que se dependesse dos ricos e do capitalismo nós nem teríamos acesso ao mínimo de educação decente. A educação que nos empurram é ruim, mas não ter educação nenhuma, como quer o genocida Bolsonaro, é pior ainda.

O Brasil é um país semicolonial, submetido ao imperialismo, e nós sequer temos um projeto que extrapole minimamente o papel de sermos meros exportadores de commodities. A educação que nos oferecem é cada vez pior, para formar uma básica mão de obra útil para a exploração com essa finalidade.

Foi por isso que parte da juventude mais pobre se viu totalmente sem acesso aos estudos durante a pandemia. Sem falar nos cortes impostos pelo governo, prejudicando a permanência, bolsas de pesquisa e estrutura das universidades. A verdade é que a desigualdade social na educação, que já era gigantesca, se aprofundou muito.

Os jovens filhos dos ricos tem acesso a todas as tecnologias disponíveis para continuar estudando em segurança sanitária, mas nós fomos mandados para o abate com a reabertura das escolas. Ou, ainda, fomos jogados à própria sorte com o ensino remoto emergencial. Não à toa cresceram absurdamente os números de evasão nas universidades durante a pandemia.

Bolsonaro passou a pandemia toda numa cruzada obscurantista, disseminando fake news e cortando verbas da educação, nesse último caso tendo ajuda dos governadores como Dória, no momento em que nas universidades brasileiras eram desenvolvidas pesquisas em relação à vacina e à pandemia. Contra os cortes de verbas e o obscurantismo bolsonarista, lutaremos em defesa das escolas, universidades e da educação pública.

Lutaremos com unhas e dentes para ampliar os direitos nas universidades e escolas, para ter mais democracia, mais verbas. Combateremos os negacionistas e a lavagem cerebral da direita que Bolsonaro quer instituir. Expulsaremos todo o reacionarismo das escolas e universidades, todo o obscurantismo e a sanha anticiência. Nós defendemos que os jovens possam ter acesso a todo o acúmulo que a humanidade já teve no terreno da ciência e do desenvolvimento técnico. Que tenhamos acesso ao melhor e mais avançado em termos de técnica e ciência.

Arrancar a educação e a ciência das mãos da burguesia! Pela educação e ciência a serviço da luta dos trabalhadores!

Por outro lado, não acreditamos que a educação no capitalismo será capaz de mudar o mundo. A educação, a ciência, escolas e universidades estão inseridas nas relações capitalistas e são parte da manutenção destas. Não importa o que façamos, no capitalismo elas servirão aos interesses dos ricos e poderosos. Por exemplo, na pandemia, apesar do esforço e dedicação descomunal de vários cientistas, não foi possível armar a humanidade na luta contra o vírus.

Nos querem fazer crer que é possível mudar de vida tendo acesso à educação, e também que a ciência vai salvar a humanidade. Como se ambas fossem algo à parte, isento das divisões de classe na sociedade. Coisa que está mais evidente do que nunca na pandemia. É por isso que nós seguiremos lutando por mais verbas e valorização da educação e da ciência, mas também daremos nosso sangue para arrancar ambas das mãos da burguesia.

O problema é que tudo não se resolve com mais verbas ou com os governos dando prioridade a essas questões. É claro que queremos mais verbas, mas pra educação e ciência atenderem ao povo, não podem estar atreladas ao plano de criar um Brasil capitalista um pouco melhor posicionado na disputa imperialista mundial. Qual foi o papel dos países imperialistas no combate à pandemia? São as grandes farmacêuticas desses países que ditam o ritmo da vacinação mundial, e não só não foram capazes de garantir a vacinação do mundo todo, como retroalimentaram a pandemia e deram espaço pra que novas cepas de vírus surgissem.

No momento em que a ciência poderia cumprir o papel mais importante, vimos o ritmo lento da vacinação por um único motivo: as grandes empresas não querem deixar de lucrar. Se quebrássemos a patente das vacinas, poderíamos vacinar o mundo todo e de forma rápida, e as empresas sequer iriam à falência, mas perderiam a sua principal fonte de lucro. Então nós precisamos lutar pelo investimento na educação, pesquisa, ciência, e além disso queremos ter acesso ao que há de mais avançado e tecnológico. A ciência e a educação são um caminho importante para o avanço da humanidade, mas o único jeito disso se efetivar é destruindo as instituições educacionais e científicas como elas são hoje, colocando-as a serviço da luta dos trabalhadores.

Frente ampla entre PT e os ricos não é saída para juventude e os trabalhadores! Por um governo socialista!

Para tirar Bolsonaro imediatamente, precisamos utilizar todos os instrumentos que estiverem ao nosso alcance. Esse é o caso do superpedido de impeachment, assinado por vários partidos, que nesse momento ajuda a desgastar Bolsonaro. No entanto, isso deve estar acompanhado da máxima unidade nas ruas para lutar. Porque são as ruas, e as manifestações como as que têm acontecido agora, que tem inclusive a capacidade de pressionar o Congresso, Lira e os políticos para que levem o impeachment até o fim.

É por isso que precisamos expandir as mobilizações e, mais que isso, é muito importante que o conjunto dos trabalhadores entrem em cena para que a pressão no bolso dos empresários, banqueiros e aqueles que ditam as regras do jogo seja cada vez maior.

No entanto, acompanhado da máxima unidade na luta que precisamos, também é necessário refletir sobre para onde devem apontar as manifestações. Não pode ser que as manifestações agora não tenham a finalidade de derrubar já Bolsonaro e Mourão, como quer Lula e a direção do PT, que utilizam as manifestações para sangrar Bolsonaro até as eleições de 2022.

Essa posição não só é criminosa porque não temos tempo a esperar para derrubar esse governo genocida. Não podemos nos dar ao direito de perder mais vidas até lá. Mas também é criminosa porque a proposta que apresenta o PT, de uma frente amplíssima com parte da burguesia, não derrota o projeto político da direita e a ultradireita. Na verdade, muito pelo contrário, como é possível garantir a derrota de Bolsonaro e de novos Bolsonaros que possam surgir, dando espaço para parte daquilo que há de mais podre na política brasileira?

Para derrotar Bolsonaro, a ultradireita e toda a direita no país, precisamos combater qualquer governo capitalista. Por isso que não serve essa alternativa apresentada pelo PT, PCdoB, PSOL e PSB. Qualquer governo desse tipo irá continuar atendendo o interesse dos ricos, destinando o dinheiro público para banqueiros e grandes empresários enquanto deixam para trás os serviços públicos e as necessidades dos jovens e trabalhadores.

Quando falamos de socialismo, não é algo para ser construído num futuro distante. Revoltas e explosões sociais tem ocorrido pelo mundo todo, basta olhar pra Colômbia, Chile, Estados Unidos. Pra que essa panela de pressão exploda e consigamos canalizar essa energia, é tarefa imperativa construir o socialismo desde já, no hoje. Chega de governos capitalistas, a juventude tem um mundo a ganhar com o socialismo, e é a essa tarefa grandiosa que devemos subordinar todas nossas lutas.

Unidade para lutar! Por uma UNE democrática e pela base!

Sem abrir mão da unidade é preciso dizer que PCdoB e PT defendem a reedição do projeto falido de conciliação de classes, que já foi feito no governo do PT, que não resolveu os problemas do país e foi corresponsável pela situação atual em que nos encontramos. Não à toa, hoje, PT e PCdoB tem preparado junto com os setores mais espúrios da burguesia uma frente amplíssima para as eleições de 2022.

O papel que a UNE cumpriu nos últimos 15 anos foi vergonhoso. Enquanto o PT governava para os ricos, a UNE chegou a se enfrentar com a luta dos estudantes. A entidade recebeu milhões e milhões de verbas governamentais e de patrocínios de empresas públicas e privadas. A UNE segue afastada dos estudantes por causa da falta de democracia, do descolamento da base e da dependência do projeto político de sua direção.

Participamos desse Congresso para fazer um chamado aos estudantes: é preciso unidade pra lutar e também construir um movimento revolucionário no país. Não alimentamos qualquer ilusão na direção da UNE. É necessário reorganizar o movimento estudantil pela base, superando a direção da UNE!