Racismo continua, agora com brasileiros

Jogador do São Paulo foi, novamente, vítima de ataques racistasNo jogo-espetáculo entre Brasil e Guatemala, realizado na quarta-feira, 27 de abril, por encomenda da Rede Globo a propósito de seus 40 anos, o jogador Edinaldo Líbano, o ‘Grafite’, do São Paulo, foi novamente vítima de um ataque racista. Uma banana com a inscrição “Grafite Macaco” foi lançada no campo por uma pessoa não identificada, mas que, certamente, não era nenhum argentino ou gualtemateca.

O episódio, inclusive, não foi o único depois da denúncia de racismo feita por ‘Grafite’ contra o jogador Desábato, do argentino Quilmes, no dia 13 de abril. Segundo o jogador brasileiro, na última rodada do Campeonato Paulista, “contra o Mogi Mirim, alguns torcedores ficaram me cutucando o tempo todo, me chamando de alemão, australiano”.

A postura do jogador são-paulino diante destes episódios tem sido, no mínimo, contraditória. Se por um lado ele declarou ser orgulhar de ser negro e que, apesar das pressões, pretende manter a denúncia contra Desábato, depois do jogo contra a Guatemala, Grafite deu uma declaração pra lá de lamentável: “Isso vai da cabeça de cada um. Um torcedor paga ingresso e tem o direito de fazer o que quiser. Achei até original escrever o meu nome na banana”. Uma frase certamente indigna de alguém que prometeu se colocar na linha de frente da luta contra o racismo nos campos

Muito blá-blá-blá e nada de prático
Além desses ataques e provocações racistas serem lamentáveis provas de que o racismo continua correndo solto nos campos de futebol, eles são um lembrete de que, apesar de todo o alarde feito pelas autoridades públicas quando do “caso Desábato” nada, absolutamente nada, tem sido feito para coibir tais episódios. Muito pelo contrário.

Há duas semanas, Lula, a ministra Matilde Ribeiro (da Secretaria Especial para Promoção de Políticas para Igualdade Racial), o Ministro do Esporte Agnelo Queiros, do PCdoB, e até Severino Cavalcanti saíram a público afirmando que o episódio com Desábato iria ser um marco no engajamento do Brasil na luta contra o racismo.

Como afirmamos na época, no entanto, tudo não passou de um “blá-blá-blᔠsem fim. Algo típico do governo Lula: muito alarde sobre questões que mobilizam a sociedade e a mídia e nenhuma medida prática para enfrentá-las.