Quatro anos da revolução síria

4 anos da Revolução Síria

Fora Bashar Al-Assad e o Estado Islâmico. Por uma Síria livre e justa

Em 2011, iniciou na Síria uma das revoluções mais profundas e trágicas dos últimos tempos. O sonho de liberdade dos sírios se inspirou nos protestos da Primavera Árabe na Tunísia e Egito. Naquele momento, uma onda de revoluções atingiu as ditaduras que governavam os países árabes por décadas, em conformidade com os interesses do imperialismo. No mesmo ato, ao despertar e colocar em movimento milhões de pessoas que suportaram por longos anos a miséria e a opressão, essas revoluções se transformam num enfrentamento contra o sistema capitalista e o imperialismo.
 
Quatro anos depois, a revolução na Síria segue, em que pese a tolerância do ditador Bassar Al-Assad pelas grandes potências, além da colaboração de uma parte da esquerda mundial, que seguiu as diretrizes dos governos da Venezuela e de Cuba, que se puseram ao lado de uma ditadura assassina.
 
A guerra civil na Síria é a pior catástrofe humanitária do século 21. Na Síria, nos últimos quatro anos, mais de 300 mill pessoas foram mortas, outras 3 milhões foram obrigadas a deixar o país e 10 milhões precisam de ajuda humanitária. O número de presos e desaparecidos é incalculável. O ditador Bassar Al-Assad age impunemente diante de uma “comunidade internacional” que fecha os olhos ao massacre de um povo.
 
Grandes extensões do país estão destruídas. A economia não funciona e o regime sírio só continua em pé graças às ajudas diretas do Irã e Rússia. Serão necessárias décadas para reconstruir o país e, muito provavelmente, as fronteiras no Oriente Médio mudarão.
 
Não é um conflito religioso
Os grandes meios de comunicação dizem que a Síria vive um conflito entre etnias e religiões distintas. Não é assim. Nos protestos gigantescos dos subúrbios da capital Damasco, e nas cidades de Homs e Aleppo, se juntavam sunitas, cristãos e, inclusive, alauitas. Estavam todos juntos porque tinham um objetivo comum: lutavam por direitos democráticos e melhorias sociais básicas. E continuam fazendo isso. As classes dominantes, sejam de qualquer nacionalidade, não fazem distinção de religião, nem de etnia, na hora de oprimir. Quando falam em conflitos religiosos querem usar a velha estratégia “dividir para governar”. Mas a Revolução Síria, por sua origem, não tem nada a ver com conflitos entre ideologias religiosas: trata-se da luta política e militar contra uma ditadura.
 
Quem são os inimigos da revolução
Os rebeldes sírios têm que se enfrentar com muitos inimigos de uma única vez. Por um lado, o regime criminoso de Bashar al-Assad, apoiado pelo Irã e Rússia. Por outro, o Estado Islâmico, com sua ideologia retrógada, seus métodos fascistas e seus interesses vinculados à Arábia Saudita, Qatar e Turquia. Ambos representam dois lados de uma mesma moeda. Ditadura e exploração.
 
Os Estados Unidos planejam uma intervenção militar de suas tropas de elite com a desculpa de lutar contra o terrorismo. Pura hipocrisia. Seu real objetivo não é derrotar o Estado Islâmico, mas impor um acordo entre os rebeldes e Assad para estabilizar o regime ditatorial com algumas peças diferentes. No final das contas, necessitam manter o controle do petróleo e oferecer segurança a seu grande aliado na região, o Estado de Israel. EUA e Israel se encontram entre os maiores terroristas que a humanidade já conheceu.
 
A luta continua
Os rebeldes, organizados em diferentes grupos, obtiveram vitórias importantes nos últimos dias. As milícias curdas, apoiadas por algumas brigadas do Exército Sírio Livre, expulsaram o Estado Islâmico de Kobane. Nos subúrbios de Damasco se travam batalhas muito sangrentas, mas Bashar Al-Assad e seus aliados externos não puderam recuperar as zonas controladas pelos rebeldes. Em Aleppo, importante cidade no norte da Síria, a ditadura está perdendo terreno.
 
Todos aqueles que lutam contra a exploração capitalista e contra todas as formas de opressão precisam se colocar ao lado do povo sírio, contra a ditadura de Bashar Al Assad.  A  revolução contra Assad, a luta dos palestinos, dos curdos, dos egípcios e de todos os povos da região é a mesma. O Oriente Médio tem que se libertar da opressão imperialista e de seu grande aliado na região, o Estado de Israel, e dos regimes árabes cúmplices, assim como toda forma de islamismo político fundamentalista.