Educadores do Rio Grande do Sul decidem pela desfiliação do sindicato da CUT


Em assembleia histórica, educadores aprovam desfiliação do CPERS da central ligado ao governo

O dia 27 de março de 2015 entrará para a história do sindicato dos professores e funcionários do estado do Rio Grande do Sul, em especial para os que estiveram presentes no Ginásio Gigantinho, mas também para os milhares que não foram, mas que defendiam a desfiliação do Cpers/Sindicato da CUT.

Por um placar de 1.588 votos a favor e 1.129 contra, o Cpers está desfiliado da CUT. Ao total, foram 2.723 votantes – seis foram nulos ou brancos. O resultado anunciado já no final da tarde foi muito comemorado pelo conjunto dos setores de oposição à direção cutista da entidade. É a formalização de um sentimento majoritário que vem de anos entre os educadores gaúchos. Nas eleições passadas, em 2014, a chapas cutista venceu as eleições, mas teve apenas 38% dos votos, e só ganhou porque houve uma divisão do bloco que vinha dirigindo o Cpers de forma independente dos governos petistas.

Para a ex-presidente do Cpers/Sindicato, Rejane Oliveira, a CUT abriu mão dos direitos dos trabalhadores e ficou a favor dos governos petistas. Também afirmou que no “conselhão” do ex-governador Tarso Genro (PT), defendeu a alteração no Plano de Carreira da categoria. “É inadmissível que uma central defenda a retirada de direitos da classe trabalhadora”.

A atual presidente do Cpers, Helenir Aguiar Schurer, atacou  a antiga direção do sindicato que, de acordo com ela, “fez greve pela greve”. E atacou a CSP-Conlutas. “Os mesmos que discursam hoje, são os mesmos que carregavam a bandeira da Conlutas (Central Sindical e Popular) e não carregavam a bandeira do Cpers. São os mesmos que fizeram a categoria recuar de forma irresponsável”, declarou à imprensa.

Em uma típica tarde de outono, a assembleia dos educadores pautou a imprensa e o movimento sindical estadual e nacional. A grande maioria dos jornais, TV’s e rádios repercutiram as decisões tomadas, com destaque para a desfiliação do sindicato da central. Havia dezenas de sindicalistas e estudantes que também acompanhavam, uns pela manutenção e outros pela desfiliação.

O resultado vitorioso da assembleia só foi possível pela unidade da oposição, e em particular pela decisão do Movimento de Luta Socialista (MLS) de defender a ruptura com a central governista.

Agora é paralisar e mobilizar dias 7 e 24 de abril
Desmascarando o falso argumento que a desfiliação da CUT dividia a categoria, foi aprovada por unanimidade uma pauta com as principais reivindicações a ser apresentada ao governador  José Ivo Sartori (PMDB), como o pagamento imediato do piso do magistério como básico da carreira: 13,01% de imediato e 34,6%, percentual que falta para integralizar o valor, e a criação do piso nacional aos funcionários de escola.

Foi aprovado ainda pela assembleia um calendário de mobilização com paralisação de turno no próximo dia 7 de abril, a fim de avaliar o impacto na educação dos 100 dias dos governos Sartori e Dilma. No dia 24 de abril, o Cpers participará da paralisação nacional e fará um ato em defesa do pagamento do piso do magistério em Porto Alegre.

Também ficou definido que, se o governador concretizar suas ameaças de parcelar ou atrasar os salários, a categoria vai fazer greve.

A participação do Cpers no 1º de Maio foi polêmica e a diretoria perdeu a votação de integrar o do ato das centrais governistas. Porém, não reconheceu a derrota e informou que irá participar. O que foi aprovado por maioria explícita é que o sindicato deveria chamar um ato classista e independente contra os ataques de Dilma e Sartori, buscando unidade com sindicatos e movimentos que tem acordo em incluir como eixou do ato a luta contra os ataques de Dilma. Foram feitas duas votações e, mesmo com maioria visível contra as propostas da diretoria, a mesa não aceitou.

Direção cutista da entidade tentou evitar a votação
A direção que tomou posse em 1º de agosto de 2014, sabendo do sentimento majoritário na base pela desfiliação e sabendo que a unidade dos setores da oposição imporia esta pauta e a desfiliação seria aprovada, evitou chamar assembleia em 2014, e agora quando chamou tentou que este ponto não estivesse na pauta. Foi necessária uma votação da própria assembleia para que o ponto fosse garantido na pauta.

Durante as assembleias regionais e o Conselho Geral que antecedeu a assembleia, a diretoria estadual atacou os setores de oposição fazendo calúnias sobre as finanças das duas gestões anteriores. Numa tentativa desesperada de evitar a desfiliação, levantaram suspeitas sobre procedimentos completamente normais de movimentação financeira de um sindicato, como contribuições para entidades do movimento sindical, estudantil e popular, bem como despesas com campanhas de denúncia do governo Tarso, na época o governador do Estado.

Com a derrota na assembleia, pretendem continuar e ampliar a campanha de difamação e calúnia contra seus opositores para tentar se firmar com maioria, o que não foram na eleição e não são agora. O desafio a todos e todas que lutam contra o sindicalismo governista e a CUT, é impedir que continuem mentindo e que estas calúnias não tenham eco na base da categoria.

Fortalecer a luta e construir pólo alternativo
A todos e todas que organizaram a campanha pela desfiliação do Cpers/Sindicato da CUT na assembleia do dia 27 de março, caberá agora ampliar a participação da base nas instâncias locais e regionais, ampliar os sócios da entidade e os representantes de escolas. Politizar a categoria para que possa participar das lutas gerais da classe e se defender dos ataques do governo Dilma e do governador Sartori (PMDB).

Mas, além disso, volta à pauta a necessária unidade dos setores de oposição ao sindicalismo pelego e traidor da diretoria estadual. É possível impor à direção uma pauta e calendário de luta, mas para isso é necessário uma certa unidade dentro das diferenças que existem.