Um relato da situação dos trabalhadores dos supermercados

(Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Rebeldia-SP

Em meio à pandemia de coronavírus, os mercados são serviços que continuam funcionando para o abastecimento da população. Num momento como esse, o governo deveria fornecer medidas para garantir a saúde dos trabalhadores dos mercados, bem criar maior rotatividade na jornada de trabalho e diversas outras medidas que poderiam ser tomadas em defesa da vida desses trabalhadores.

Entrevistamos Jorginho* e Mariana*, militantes do Movimento Rebeldia de São Paulo, que trabalham numa grande rede de supermercados**, e eles falaram um pouco da situação atual. Confira a entrevista:

Como estão os trabalhadores em relação à crise do coronavirus?

Jorginho: Em relação às pessoas que trabalham em mercado acredito que muitas estão bem apreensivas, algumas lojas estão usando luvas, outras não, não são passadas informações claras de como devem ser as medidas de proteção que os funcionários devem adotar; algumas lojas tem álcool em gel, outras não.  Alguns colegas de outras lojas disseram que só clientes puderam ter acesso ao álcool gel, isso vai variando de loja para loja. Vejo que muitos trabalham apreensivos e com receio de serem contaminados e demitidos. Sentimento de tensão e ansiedade a flor da pele.

Quais as condições de trabalho?

Jorginho: A orientação que recebemos é de abastecer a loja sem deixar um buraco sequer, algumas lojas recebem caminhão o dia todo para não faltar alimentos para a população. Em contrapartida, os trabalhadores tem que trabalhar mais para dar conta da demanda. É bem nítido o medo dos colegas. Até o momento nenhuma orientação de prevenção a não ser que as lojas precisam estar abastecidas e os caixas todos funcionando com a maior agilidade possível.  Nenhum funcionário será dispensado, só com atestado médico. Só foram realmente dispensados pessoas acima de 60 anos e gestantes. Pessoas com baixa imunidade ou problemas respiratórios precisam comprovar com o médico da empresa se realmente podem ser dispensados, porém o medo de uma futura demissão faz com que poucos corram atrás disso.  Alguns funcionários estão nervosos, com medo, mas a todo tempo somos bombardeados de como somos essenciais em consequência do agravamento da crise financeira do país e o abastecimento da população.

Mariana: A nossa clientela é maioria de idosos, então imagine. Nossa empresa sem nenhuma medida boa para nos prevenir. Não podemos usar máscaras, nem luvas, não diminuíram nossa carga horária nem nada. Estamos expostos, em contato direto com o vírus.  E estamos trabalhando dobrado, todo dia é como se fosse dia 24 de dezembro, as pessoas compram tudo que veem pela frente, com muita gente na fila. Se eu fico doente, eu recebo um salário mínimo, não vou ter dinheiro suficiente para comprar os medicamentos, comida. Além de que eu moro com minha avó que é idosa. Deveríamos receber, quem sabe, uma ajuda salarial.

Como a maioria das pessoas chega ao local de trabalho?

Jorginho: A maioria dos funcionários mora longe de seus postos de trabalho. Alguns pegam duas a três conduções, ônibus, trem e metrô sem mudança na rotina de viagem, porém os ônibus demoram mais pra chegar.

Podemos observar, então, que a juventude que trabalha nos mercados está largada à sua própria sorte, tendo que trabalhar mais exaustivamente, dobrado, mas sem nenhum aumento de salário ou com alguma política para a saúde para os trabalhadores. É mais uma vez, mais um exemplo de que o capitalismo é promotor do coronavírus, porque nem sequer fazem o mínimo, que deveria ser dar aos trabalhadores acesso aos materiais de higiene, como álcool gel e máscaras.

O que defendemos

– Liberar os trabalhadores dos grupos de risco ou que convivem com familiares idosos, com estabilidade no emprego, manutenção dos salários e demais direitos;

– Condições já de higiene e segurança em todas as lojas: álcool gel, máscaras, luvas para todos os funcionários. Disponibilizar álcool para os usuários para não disseminar o vírus;

– Pagar a todos os funcionários adicional de insalubridade durante o período de crise;

–  Garantia de sustento para todos os trabalhadores: nenhum demissão e corte de direitos;

– Se trabalhamos dobrado, é preciso aumentar em 50% os salários;

– A empresa deve pagar Uber para todos os funcionários, a fim de evitar a aglomeração em transportes públicos;

– Liberar os funcionários com sintomas, mesmo sem atestado médico;

– Organizar o trabalho por turnos e pessoas no sistema de rodízio;

– Abaixo toda a MP da Morte de Bolsonaro;

– Fora já Bolsonaro e Mourão!

É preciso tomar essas medidas pela saúde dos trabalhadores dos mercados! O capitalismo é promotor do vírus! Organize sua rebeldia pela revolução e o socialismo!

*Alteramos a identidade dos companheiros para evitar exposição.

** Optamos por não colocar o nome da empresa para evitar exposição dos companheiros.