1º caso confirmado de coronavírus no Comperj: irresponsabilidade da Petrobrás e de Bolsonaro

PSTU-Rio de Janeiro

Semana passada denunciamos as demissões covardes nas terceirizadas do Comperj, agora nossas fontes denunciam que cerca de 7 mil operários seguem trabalhando normalmente apesar dos apelos dos trabalhadores por liberação e ignorando inclusive a quarentena decretada pela prefeitura de Itaboraí (RJ), que mandou fechar tudo que não fosse essencial.

Essa irresponsabilidade com a vida desses trabalhadores, por parte da Petrobrás e das empresas contratadas, segue a orientação que tem tido o governo Bolsonaro de minimizar o perigo e demorar na resposta à pandemia. Isto levou ao surgimento do primeiro caso confirmado de coronavírus dentro da obra, nesta segunda-feira, 23. O trabalhador seria um morador de Magé, funcionário do consórcio KM.

Foi preciso o primeiro doente confirmado para que parte dos trabalhadores fosse liberada dos canteiros. Neste caso, mandaram o trabalhador de volta para casa, assim como todos que vieram com ele no mesmo ônibus e tiveram contato com ele na obra. Mas em outro caso só liberaram a pessoa que estava com sintomas de gripe, “largando” ele no centro de Itaboraí; enquanto os demais seguiram trabalhando como se nada estivesse ocorrendo.

Ainda assim, de acordo com os trabalhadores, as condições de trabalho estão longe das recomendações de saúde: a maioria não tem máscaras ou álcool em gel à disposição, há canteiros em que trabalham juntos 2 mil operários, que seguem se aglomerando nos refeitórios.

No meio deste jogo de empurra-empurra entre Petrobrás, contratadas e prefeitura, estão os trabalhadores, em sua maioria negros e pobres, esquecidos e com medo. É assim que o capitalismo trata os operários, como se nossas vidas não importassem.

No fim do dia correu a notícia que finalmente haveria a liberação do povo para a quarentena. Mas várias perguntas não estão respondidas. Os empregos estão garantidos? E os salários? E as demissões em massa que a Norteng iniciou? É preciso uma resposta firme e completa para proteger a vida e a dignidade dos trabalhadores e suas famílias. Nenhuma demissão, reincorporação de todos os demitidos da Norteng, garantia de emprego e salário até o fim da quarentena.

Caso a liberação para a quarentena não aconteça os operários do Comperj devem seguir o exemplo italiano e dos Metalúrgicos de São José dos Campos. Já que os capitalistas não se importam com nossas vidas, nós mesmos devemos parar tudo! Fazer uma greve em defesa de nossos direitos e de nossas famílias. Queremos viver!

E mesmo que todos consigam ir para suas casas, é preciso manter contato, usar as redes sociais, as manifestações nas janelas e tudo que tiver a alcance para exigir a manutenção dos empregos e salários. E dizer bem altos ao inimigos em Brasília que ajudam as empresas a nos explorar: Fora Bolsonaro e Mourão!