PSTU envia correspondente ao Cairo. Leia e escute o primeiro relato

Enviado do Opinião Socialista conta como foi parado na estrada por homens armados Luiz Gustavo nasceu em São Paulo. Historiador, formado pela USP, pesquisa a causa palestina e a luta do povo árabe, e viveu no Líbano e outros países da região. Luiz é militante do PSTU e da LIT-QI e está no Egito desde o dia 2, como enviado especial do jornal Opinião Socialista. A cobertura será feita através de textos e conversas por telefone, disponíveis no portal do PSTU e no blog HTTP://umbrasileironoegito.wordpress.com. Além disso, pequenos informes serão enviados pelo twitter, na conta @diretodoEgito.
Acompanhe a cobertura e ajude a divulgar a iniciativa, em seu site, blog, nas redes sociais e para seus conhecidos. Leia abaixo o primeiro relato e a conversa por telefone

  • “Cheguei na noite desta quarta no aeroporto do Cairo, e havia um grande clima de desolação. Ainda que não houvesse tumulto nem desespero, muitas pessoas estavam ali com a firme resolução de sair do país. As lojas estavam todas fechadas, algumas embaixadas montaram postos de auxílio a seus cidadãos, e os policiais faziam quase nenhum controle sobre a entrada de pessoas.

    Não foi possível deixar o aeroporto durante o toque de recolher. Pela manhã, a cidade estava ainda vazia e silenciosa, como nenhuma cidade árabe pode ser. Logo ao se aproximar do centro, vimo-nos em um tráfego suspeito, ao lado de um posto de polícia. Homens com facões e barras de metal passavam por entre os carros e abriam os porta-malas. Perguntaram ostensivamente nossa nacionalidade e nosso passaporte, mas não fizeram muito mais que isso. Terminado o primeiro estranhamento, continuamos por entre uma via de passagens em nível, e em uma delas mais um bloqueio. Dessa vez, os homens portavam revólveres e porretes; um deles tinha uma arma de choque de uso policial. Mais uma vez, não muito longe havia um grupo de policiais que observava tudo tranqüilamente.

    Vídeo com a primeira conversa por telefone

    Isso não duraria muito tempo, pois logo no começo da tarde chegaram inúmeros relatos de violência contra estrangeiros e jornalistas, seguindo inevitavelmente a vontade do governo, expressa através dos canais estatais de mídia que creditavam a estrangeiros e sionistas o estímulo ao levante popular. Ainda que se trate de uma piada de mau gosto, vindo do regime mais alinhado aos EUA e a Israel da região, teve sim o efeito de inserir mais um bode expiatório para as gangues armadas de apoio a Mubarak.

    Nas ruas do centro o dia foi de movimentação do lado das forças pró-governo. Como eu havia presenciado na Palestina com os colonos sionistas na Cisjordânia, as colunas avançavam rápido para se lançar às provocações nos pontos sensíveis. Na praça Tahrir, uma contagem do movimento democrático chegou a 10 mortos, e centenas de feridos. Os relatos de isolamento e cerco incluíram tiros de atiradores de elite no topo dos prédios, suprimentos barrados pela polícia antes de chegar ao hospital de campanha dos manifestantes e muita provocação nos pontos em que o exército dividia os pólos.

    A grande expectativa é que esta sexta-feira, com a marcha, traga uma força renovada numérica e qualitativa, no Cairo e nas outras grandes cidades, no sentido de demonstrar que o peso majoritário da sociedade está no lado dos lutadores pelos direitos democráticos e pelo fim de uma ditadura que não tem nenhum receio em levar a sociedade ao caos.

    SAIBA MAIS

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