Protestos reúnem mais de um milhão no Egito

O Egito assistiu a maior e mais importante manifestação contra a ditadura de Mubarak, nesta terça-feira, dia 1°. A população do país respondeu a um chamado à greve geral e saiu às ruas em peso pedindo o fim da ditadura.

Segundo informações da grande imprensa, mais de um milhão de pessoas foram às ruas de todo o país. No Cairo, uma multidão tomou a Praça da Tahrir com faixas e cartazes que diziam “Fora Mubarak! e “Mubarak, seu governo acabou”. Os slogans também aparecem grafitados em praticamente todos os tanques do exército, que se veem pelas ruas do Cairo. Os protestos já vêm ocorrendo há uma semana, e foram deflagrados depois que a “Revolução de Jasmim” derrubou o governo de Ben Ali, ditador da Tunísia.

Mesmo depois de anoitecer, a pressão dos manifestantes não foi diluída. A rede de televisão Al Jazeera exibiu imagens dos manifestantes montando barracas, distribuindo cobertores e comida para continuarem em vigília na praça.

O governo bem que tentou amortecer o impacto das manifestações. Decretou o encerramento de serviços de transporte ferroviário e colocou o exército para fechar muitas das estradas que dão acesso a capital. Por outro lado, cenas de confraternização entre manifestantes e soldados em tanques tornam-se cada vez mais comum. Foram exibidas cenas até de crianças sobre os veículos blindados, enquanto soldados atônitos olhavam a multidão.

Havia também um clima de tensão no início da concentração, pois boatos diziam que policiais e outros grupos fiéis a Mubarak tentariam entrar infiltrados na manifestação. No entanto, os próprios organizadores realizaram uma fiscalização que checavam os documentos e revistavam quem chegava à praça.

Protestos também ocorreram em Alexandria, que assistiu a uma marcha de milhares de pessoas. Em Suez também se mobilizaram em torno de 200 mil pessoas, segundo a imprensa. Elas gritavam slogans como “revolução em todos os lugares.” Protestos também foram registrados nas cidades de Mansoura, Damnhour, Arish, Sinai, Tanta e El-Mahalla El-Kubra.

As manifestações foram realizadas no mesmo dia em que a ONU divulgou uma nota informando que 300 pessoas poderiam ter sido assassinadas pela ditadura desde o início das mobilizações. O Massacre é fruto da violenta repressão lançada contra os manifestantes pela polícia do governo. A informação provocou mais dor e revolta entre a população.

Ventos da revolta tunisiana
Os protestos e a insatisfação no mundo árabe podem provocar mais ondas revolucionárias. Temendo isso, o governo da Jordânia agiu preventivamente. Nesta terça-feira, o governo do país foi dissolvido e um novo primeiro-ministro foi nomeado. A medida é uma tentativa de preservar o regime do país, depois da onda de manifestações populares inspiradas na revolta na Tunísia e no Egito. No último dia 28, milhares de jordanianos saíram às ruas para pedir ao rei a destituição do primeiro-ministro, Samir Rifai, acusado pelo aumento no preço dos combustíveis e dos alimentos.

Negociações em curso
Em meio ao protesto no Egito, uma das lideranças da oposição egípcia, Mohamed El Baradei, conversou com Margaret Scobey, embaixadora dos EUA no país, e o secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, falou com Hussein Tantawi, encarregado das Forças Armadas egípcias. “Como parte de nosso esforço público para transmitir nosso apoio a uma transição ordenada no Egito, a embaixadora Scobey falou hoje com Mohamed El Baradei”, disse o porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, P.J. Crowley, em sua conta no Twitter.

As conversações são mais um indício de que o imperialismo norte-americano já não oferece mais apoio ao seu lacaio Mubarak e se prepara um cenário de “transição democrática”. Mas a dita “transição” representa uma armadilha política, que tem a colaboração de Baradei e outros grupos políticos, cujo objetivo é impedir que o avanço das reivindicações dos trabalhadores e da juventude egípcia possa ameaçar as elites do país.