Professores estaduais de São Paulo aprovam greve a partir de segunda e rejeitam ato pró-Dilma

Professores rejeitam manobra da direção da Apeoesp e realizam ato independente

Na tarde desta sexta-feira, 13, em assembleia no vão do Masp, em São Paulo, os professores da rede estadual de ensino aprovaram por ampla maioria a deflagração de greve por tempo indeterminado, a partir de segunda-feira, 16, em todas as unidades de ensino. Os professores da CSP-Conlutas, assim como toda a Oposição Alternativa, acompanharam a categoria na defesa da greve por salário digno e melhores condições de trabalho.  

Infelizmente, como já era previsto, a direção da Apeoesp tentou transformar a assembleia em uma atividade de apoio ao governo Dilma. A intenção era dar volume e peso político ao ato pró-governo convocado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) e outras entidades (CTB, MST, UNE e Consulta Popular).  

O discurso de que os atos se enfrentariam com os ataques do governo recém-eleito não convenceu a categoria. Os professores se recusaram a serem usados como massa de manobra para qualquer um dos governos – seja o estadual, encabeçado pelo PSDB, seja o federal, comandado pelo PT.  

A direção executiva da Apeoesp não quis votar a participação ou não da categoria no ato e, diante disso, a maior parte dos trabalhadores (cerca de dois terços) deixou a assembleia após a definição da greve e seguiu em passeata até a Praça da República, juntamente com o carro de som da Oposição Alternativa.

Apenas uma pequena parcela dos professores presentes decidiu seguir para o ato da CUT. Para João Zafalão, uma das principais lideranças da Oposição Alternativa (corrente sindical de oposição da Apeoesp), a decisão da maioria dos trabalhadores é um recado às direções sindicais que seguem defendendo o governo.  

“O que presenciamos aqui apenas reforça a necessidade de que essas organizações rompam com o governo Dilma. Repudiamos o PSDB e sua gestão desastrosa no estado de São Paulo e quando esteve na presidência. Sempre foram inimigos dos trabalhadores. Mas de modo algum isso significa apoiar o Governo Federal ou esconder seus erros sob a justificativa de combater a direita.  Diante desse cenário de recessão econômica, ambos jogam sobre as costas dos trabalhadores o preço da crise. Nenhum dos dois nos representa e essa fatura não é nossa”.  

Para se ter uma ideia, neste ano Alckmin cortou R$ 800 milhões da educação pública e Dilma mais de R$ 7 bilhões, aprofundando ainda mais a crise já aguda do sistema de ensino público brasileiro com novas demissões, salas superlotadas e salários baixos.  

A CSP-Conlutas parabeniza a disposição de luta dos professores estaduais e reforça o chamado a todas as organizações a se somarem na construção de mobilizações unificadas rumo a uma Greve Geral em defesa dos direitos dos trabalhadores.