Já não estava fácil colocar comida na mesa, agora a situação ficou mais complicada com o reajuste de 6% no preço do gás, anunciado pela Petrobrás no último dia 7. O preço do botijão de 13 quilos nunca esteve tão alto no Brasil, e a tendência é piorar diante da atual escalada de preços do petróleo no mercado internacional.

A alta no preço é resultado da política aplicada pelo governo Bolsonaro, que acompanha o valor do produto no mercado internacional, custos de importação e a variação do câmbio. Assim, desde o início de 2019, os preços só aumentam. Em dezembro do ano passado, a Petrobrás já tinha aplicado um reajuste de 5%.

Assim, o gás de cozinha vem deixando de ser um produto de utilidade pública por causa do alto preço. Em 2020, o preço do gás de cozinha subiu 8,30%, aponta o Índice Geral de Preços ao Consumidor (IPCA). A alta do botijão foi quase o dobro da inflação prevista para o período, de 4,23%. Segundo a Associação Brasileira dos Revendedores de GLP, a tendência é de que o preço do botijão atinja de R$150 a R$200 este ano, já que variável do preço do gás é colada à variável do preço do petróleo, que não para de subir neste início de 2021 com as notícias sobre o início da vacinação contra a pandemia em vários países.

Na última semana de dezembro, relatórios da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biodiesel (ANP) apontavam que, em algumas cidades do Brasil, o gás de cozinha já era vendido a R$ 105.  Quem sofre é o povo pobre, o trabalhador assalariado, que já sente o aumento dos preços dos produtos básicos da cesta básica, como o arroz e o feijão, que padece com o aumento do desemprego e a precarização do trabalho e a redução da renda familiar, com o fim do auxílio-emergencial imposto por Bolsonaro e Paulo Guedes.

Outro agravante é que o aumento do preço acontece no momento em que a demanda pelo uso do gás cresce, devido a pandemia da Covid-19, que já tinha forçado um custo maior com a alimentação, já que as pessoas precisam ficar em casa. O que já estava difícil, fica pior.

Em São Paulo, com o reajuste, o botijão de gás chegará a ser vendido a R$ 85, avalia a ANP. Esse, já era o preço cobrado em cidades da região Norte, desde dezembro.

Privatização da Petrobras

Essa situação é, também, resultado das políticas privatistas, que estão entregando a Petrobras às multinacionais. O plano de desinvestimento da estatal iniciado no governo Dilma (PT), continuado por Temer (MDB), segue a todo vapor no governo de ultradireita e entreguista de Bolsonaro. Em dezembro, privatizaram a Liquigás, subsidiária integral da Petrobras que atuava no engarrafamento, distribuição e comercialização de gás liquefeito de petróleo (GLP) no Brasil.

Essa política de desmonte da Petrobras, praticada pelo governo Bolsonaro, é propagandeada como algo importante e necessário. Tudo mentira. Em abril do ano passado, o ministro da Economia Paulo Guedes, disse ser necessário “quebrar” o monopólio da Petrobras sobre o refino do petróleo e na distribuição, como forma de garantir a redução do preço do gás de cozinha.

Daqui a dois anos, o botijão vai chegar pela metade do preço na casa do trabalhador brasileiro. Vamos quebrar os monopólios e baixar o preço do gás e do petróleo”, disse o ministro privatista. Mas como estamos vendo a realidade é outra. Eles entregam a maior empresa estatal ao capital privado e os preços seguem na altura.

A luta contra o aumento do preço do gás de cozinha e dos combustíveis tem que ser acompanhada pela defesa da Petrobrás 100% pública e estatal, controlada pelos trabalhadores. Só assim, teremos uma empresa que vai atender as necessidades da população brasileira e não os interesses do mercado capitalista e das multinacionais parasitas, que sugam e roubam nossas riquezas”, diz a trabalhadora da Petrobras, Gilvani Santos, militante do PSTU e diretora do Sindipetro SE/AL.

Preços em alta, renda em baixa

Enquanto aplica uma política dependente do mercado internacional, fruto da relação de semicolônia do imperialismo, Bolsonaro impõe o aumento da pobreza e da fome no país. Já que esta política entreguista, privatista e subserviente serve apenas para aumentar os lucros das multinacionais.

Aumento do preço do gás de cozinha; reativação da bandeira vermelha nas contas de luz, gerando uma cobrança adicional de R$ 6,24 para cada 100 KWh (quilowatt-hora) consumidos; reajustes de planos de saúde adiados em 2020; fim do auxilio emergencial. Essas foram as medidas adotadas por Bolsonaro e sua equipe econômica no final do ano passado e inicio deste. Lucros e benesses aos capitalistas. Preços em alta e redução da renda dos pobres.

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostra os efeitos dessa política reacionária. Em 2020, a inflação dos mais pobres ficou bem mais alta do que a geral, por conta do aumento do preço dos alimentos. De acordo o Instituto, a situação vai piorar, pois os itens que vão pressionar a inflação em 2021 dificilmente podem ser substituídos.

No caso do gás de botijão, na pior das hipóteses, as pessoas vão para fogareiro nas comunidades mais pobres. Já na energia elétrica e no transporte público, não existe essa substituição. Assim como com o arroz, feijão e leite, com a energia elétrica, a pessoa pode até diminuir um pouco o consumo, mas precisa de um mínimo para garantir sua subsistência“, destacou Maria Andreia Lameiras, economista e pesquisadora do Ipea, durante a apresentação do estudo, no inicio de dezembro passado.

Esse aumento dos preços seguirá em um momento que o desemprego só aumenta e a renda dos mais pobres cai com o fim do auxilio emergencial. Em maio do ano passado, de acordo com os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD- Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 14 milhões (19,8%) dos 71 milhões de lares utilizam lenha para cozinhar. Sem dúvida, esse número já é bem maior.

Redução dos preços e manutenção do auxilio emergencial, já!

A política de Bolsonaro de atrelar o reajuste do preço do gás de cozinha às variações do mercado internacional, com alta escalonada, tem transformado um item básico em artigo de luxo. Durante todo o ano de 2020, foram 10 reajustes. 2021 começou com um novo aumento.

É preciso derrotar a política econômica de Bolsonaro e Paulo Guedes, que levado ao aumento do desemprego, da fome e da pobreza. É possível produzir gás de cozinha pela metade do preço que é comercializado hoje. Para isso, é preciso investir e fortalecer a Petrobras, contudo, a política tem sido de desmonte e de entrega da maior empresa estatal ao capital estrangeiro.

Por isso, a luta é pela redução do preço do gás de cozinha é também em defesa da Petrobras 100% estatal e pública, sob o controle dos trabalhadores. É necessário congelar o preço dos alimentos e dos itens básicos da cesta básica, proibir as demissões durante toda a pandemia e manter o auxilio emergencial, garantindo renda aos mais pobres.

É preciso ligar a luta por estas medidas concretas à auto-organização dos trabalhadores, para que se organizem por baixo, para derrubar este governo reacionário e entreguista: Fora Bolsonaro, Mourão e Paulo Guedes, já!